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quarta-feira, junho 25, 2008

25 DE JUNHO DE 1950 - COMEÇAVA A GUERRA DA CORÉIA

By on 25.6.08

A Coréia era de domínio japonês até 1945, quando o Japão foi derrotado na Segunda Guerra Mundial e assinou sua rendição, os EUA (Estados Unidos) e a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) no momento as principais nações mundiais, deram autonomia e soberania aos coreanos.

Mesmo com a nova configuração três anos depois o território foi dividido em duas partes, ambos com sistemas políticos distintos, o norte, socialista por influência da URSS, e o sul, capitalista por influência dos EUA.


Em 1950, o norte coreano atacou o sul, fato que gerou um grande conflito, então prontamente os EUA enviaram suas tropas e pediram que seus aliados fizessem o mesmo, diante desse fato a URSS tomou partido da Coréia do Norte apoiando, contra-atacando e levando de volta as tropas sul-coreanas até o limite que as separava.

O conflito tomou grandes proporções e por muito pouco não eclodiu uma guerra mundial, então, em 1953, sobre intermédio da ONU, foi declarado o fim da guerra.

Em suma, as Coréias permaneceram separadas por fronteiras, politicamente e ideologicamente.

PRÓLOGO
Em 1950, cinco anos depois de derrotar a Alemanha nazista, os Estados Unidos e a União Soviética, ex-aliados, entram em conflito pelo controle da Coréia, uma nova zona de influência, arriscando provocar uma terceira guerra mundial.

A península da Coréia é cortada pelo paralelo 38, uma linha demarcatória que divide dois exércitos, dois Estados: a República da Coréia, no sul, e a República Popular Democrática da Coréia, no norte. Essa demarcação, existente desde 1945 por um acordo entre Moscou e Washington, dividiu o povo coreano em dois sistemas políticos opostos: no norte o comunismo apoiado pela União Soviética, e, no sul, o capitalismo apoiado pelos Estados Unidos.

Em 3 de julho de 1950, depois de várias tentativas para derrubar o governo do sul, a Coréia do Norte ataca de surpresa e toma Seul, a capital.

As Nações Unidas condenam o ataque e enviam forças, comandadas pelo general americano Douglas MacArthur, para ajudar a Coréia do Sul a repelir os invasores.

Em setembro, as forças das Nações Unidas começam uma ambiciosa ofensiva para retomar a costa oeste, ocupada pelo exército norte-coreano. Em 15 de setembro, chegam inesperadamente em Inchon, perto de Seul, e algumas horas depois entram na cidade ocupada. Os setenta mil soldados norte-coreanos são vencidos pelos cento e quarenta mil soldados das Nações Unidas. Cinco dias depois, exatamente três meses após o início das hostilidades, Seul é libertada.

Com essa vitória, os Estados Unidos mantêm sua supremacia no sul. Mas, para eles isso não basta.

Em primeiro de outubro, as forças internacionais violam a fronteira do paralelo 38, como os coreanos haviam feito, e avançam para a Coréia do Norte. A capital, Piongiang, é invadida pelo exército sul-coreano e pelas tropas das Nações Unidas, que, em novembro, aproximam-se da fronteira com a China. Ameaçada, a China envia trezentos mil homens para ajudar a Coréia do Norte.

A Coréia do Norte é devastada. Os suprimentos enviados pela União Soviética são interceptados pelas forças das Nações Unidas. Durante quase três anos, o povo coreano, uma das mais notáveis culturas da Ásia, é envolvido em uma brutal guerra fratricida. Milhares de prisioneiros amontoados em campos de concentração esperam ansiosamente por um armistício.

Com a ajuda da China, as forças das Nações Unidas são rechaçadas para a Coréia do Sul. A luta pelo paralelo 38 continua. Em Seul, as tropas são visitadas por artistas que tentam elevar seu moral.

O General MacArthur, insistindo em um ataque direto à China, é substituído, em abril de 51, pelo General Ridway. Em 23 de junho começam as negociações de paz, que duram dois anos e resultam num acordo assinado em Pamunjon, em 27 de julho de 53.

Mas, o único resultado é o cessar fogo. Na guerra coreana morreram cerca de três milhões e meio de pessoas. O tratado de paz ainda não foi assinado, e a Coréia continua dividida em Norte e Sul.
Criação da Coréia do Norte dividiu a península oficialmente


Coréias eram separadas
pelo paralelo 38°
No dia 9 de setembro de 1948 era proclamada a independência da República Democrática Popular da Coréia. Nascia assim a Coréia do Norte, separando a península em dois países distintos, o norte socialista - com apoio da URSS - e a Coréia do Sul, com apoio dos Estados Unidos. Dois anos mais tarde, as duas Coréias iniciariam um confronto que duraria 3 anos: a Guerra da Coréia.
Guerra da Coréia
Conflito militar que se desenvolve de 1950 a 1953, opondo a Coréia do Norte e a China, por um lado, e a Coréia do Sul, os Estados Unidos (EUA) e as forças das Nações Unidas, por outro. Ao final da II Guerra Mundial, em 1945, a Coréia é dividida em duas zonas de ocupação – uma norte-americana, ao sul, e outra soviética, ao norte –, que correspondem ao antagonismo da Guerra Fria. Os dois setores são separados pelo paralelo 38º, como ficara estabelecido na Conferência de Potsdam. Em 1947, a ONU (Organização das Nações Unidas) forma uma comissão, não reconhecida pela União Soviética (URSS), para reorganizar o país por meio de eleições nas duas zonas.
Dirigentes do Partido Comunista Coreano (PCC) assumem posições de comando na zona soviética. As negociações para a unificação fracassam e, em 1948, são criados dois Estados distintos: a Coréia do Norte (República Democrática Popular da Coréia) e a Coréia do Sul (República da Coréia). A primeira é ligada ao bloco soviético e a segunda, pró-ocidental. Os dois governos reivindicam jurisdição sobre a totalidade do território coreano, o que torna a área de fronteira uma região de tensões e incidentes. Após a retirada das tropas da URSS, em 1948, e dos EUA, em 1949, tem início uma intensa batalha propagandística entre os dois países.
Em 25 de junho de 1950, tropas da Coréia do Norte, a pretexto de violação do paralelo 38º, realizam um ataque surpresa e invadem o sul. É uma tentativa de unificar o país sob o regime comunista. No mesmo dia, o Conselho de Segurança da ONU, aproveitando-se da ausência do representante da URSS, declara a República Popular agressora e nomeia o general norte-americano MacArthur para chefiar tropas de intervenção na Coréia.
Em 15 de setembro, forças da ONU, compostas quase totalmente de soldados dos EUA, sob o comando de MacArthur, lançam uma contra-ofensiva em Inchon. A URSS não se envolve diretamente, limitando-se a dar ajuda militar aos norte-coreanos. Os combates são violentos e as tropas da ONU avançam pelo território da Coréia do Norte. No final de outubro, os norte-coreanos são empurrados de volta para o rio Yalu, próximo à fronteira chinesa. Ameaçado, o governo da China entra na guerra, com uma grande ofensiva que força o recuo das tropas de MacArthur. Em 4 de janeiro de 1951, os chineses conquistam Seul, capital da Coréia do Sul.
Uma nova ofensiva norte-americana, entre fevereiro e março, empurra as tropas chinesas e norte-coreanas de volta ao paralelo 38º. Daí em diante, as posições permanecem inalteradas em mais dois anos de combate, com muitas baixas de ambos os lados. A paz vem somente com o Armistício de Panmunjom, assinado em 27 de julho de 1953. O acordo mantém a fronteira definida em 1948 e estabelece uma zona desmilitarizada entre as duas Coréias. O conflito, no entanto, continua sem solução definitiva e provoca tensões entre os dois países até hoje.

Fonte: Enciclopédia Brasileira

As lições da guerra da Coréia
Gustavo Silveira - FONTE: NOVA DEMOCRACIA

Bush incluiu a República Democrática da Coréia do Norte no chamado "eixo do mal" e, já perpetrada a invasão e covarde agressão ao Iraque, seu secretário de Defesa, Donald Rumsfield, anuncia que pretende chegar a um acordo com Pyongyang através de negociações. De seu lado, o governo da Coréia tem respondido que, frente aos acontecimentos no Golfo Pérsico, um país hoje só estará livre da agressão do USA preparando-se militarmente, da forma mais elevada, produzindo e desenvolvendo armas nucleares. Seguramente, o plano do imperialismo ianque é encontrar o momento mais adequado para promover a agressão armada à parte norte da Península Coreana. A atitude adotada pelo governo da Coréia de se preparar para esta possível agressão do imperialismo ianque é correta. A história do povo coreano tem ensinamentos inegáveis sobre como enfrentar estas pretensões do imperialismo contra seu país. E, ainda que passados 50 anos, a agressão praticada pelos ianques permanece viva na sua memória.

Com o final da Segunda Guerra Mundial o USA, como principal potência imperialista, pretendeu subjugar todo o mundo. Fabricou e lançou duas bombas atômicas contra alvos civis no Japão — prestes a ser derrotado pelo Exército Vermelho da URSS, que honrou seu compromisso de combatê-lo -, adotando a partir daí a política de chantagem nuclear. O USA manteve a ocupação militar nos países onde havia estacionado suas tropas, recrutou os nazistas alemães e fascistas japoneses e italianos, e desenvolveu políticas e instrumentos de intervenção econômico-militar em todo o mundo. Sucedem-se: a criação da ONU em 1945; da C.I.A., em 1947; do Plano Marshall e da OTAN em 1948; provocações e sabotagens contra a União Soviética e contra o, então, recém-formado campo socialista. Os ianques ameaçam o mundo com uma terceira guerra. É o período que os teóricos do imperialismo convencionaram chamar de "Guerra Fria".

Em sua política para o Extremo Oriente, o principal era apoderar-se do Japão, potência imperialista regional derrotada no conflito, e sufocar a revolução que se desenvolvia célere na China, Coréia e Vietnã. O sonho dos ianques era fazer do Oceano Pacífico um "lago do USA".

Ao final do conflito, tropas ianques ocupavam a China e a Coréia, substituindo as tropas japonesas. Na China, o USA desembarcou 53 mil soldados, forneceu material bélico, ajuda financeira, pessoal e treinamento para o Kuomitang, que lançou milhões de soldados contra o Exército Popular de Libertação comandado por Mao Tsetung. Mas, em 1949 as tropas de Chiang Kai-shek, apoiadas pelos ianques, foram aniquiladas e ao que sobrou do Kuomi-tang restou o refúgio provisório na ilha de Formosa (Taiwan), no mar da China.

Com sua derrota na China os ianques alteram seus planos para a Coréia. Não bastava só apoiar o exército títere; era necessário desembarcar as tropas e lançá-las na frente de combate.

Planos ianques para dominar a Coréia

Em todo o território sul-coreano os ianques construíram e ampliaram aeroportos e portos militares, concentrando forças ao longo do Paralelo 38 — linha divisória imposta aos coreanos pelos ianques. Para a modernização do exército títere sul-coreano, em 1949, ofereceram como "ajuda militar" cerca de 110 milhões de dólares.

Após colocar na Coréia do Sul grande quantidade de forças armadas, o imperialismo ianque, a partir de 49, começou a elaborar o plano para provocar a agressão à parte norte da península. Neste trabalho, tanto o quartel do general MacArthur, em Tóquio, quanto a C.I.A., tendo à frente Foster Dulles, desempenharam um importante papel na política externa do imperialismo ianque. A C.I.A. cuida da parte operativa: promover distúrbios e sabotagens, armar provocações e maquinações, realizar ações de conspiração e espionagem, patrocinar perseguições, torturas e assassinatos — afinal, para isto mesmo foi criada. O próprio Dulles foi enviado à Coréia para "inspecionar" as posições ocupadas por forças ianques e do exército títere ao longo do Paralelo 38 e analisou uma vez mais, junto com os lacaios Syngman Rhee e Sin Son Mo, o plano para provocar a guerra. Foram concentradas mais forças no referido paralelo e a tensão na área chegou ao clímax.

O governo da República Popular Democrática de Coréia (Coréia do Norte) fazia ingentes esforços para lograr a reunificação pacífica da pátria coreana. Nos primeiros 20 dias de junho de 1950, como contraposição aos planos belicistas dos ianques, duas proposições para a unificação pacífica das Coréias foram apresentadas. Em uma delas, a Presidência da Assembléia Popular Suprema da RPDC aprovou a resolução "Sobre o aceleramento da reunificação pacífica da Pátria" e propôs ao parlamento sul-coreano alcançar a reunificação fundindo os ambos órgãos legislativos.

Mas os títeres sul-coreanos não aceitaram nenhuma proposição. Por fim, desatou-se na madrugada de 25 de junho de 1950, instigados pelos ianques, a criminosa guerra contra a Coréia do Norte.

A provocação ianque e a resposta armada dos coreanos

Mais de 100 mil membros das tropas títeres sul-coreanas penetraram um ou dois quilômetros em direção ao norte e ao longo de todo o Paralelo 38, contra a RPDC.

O Presidente Kim Il Sung, no mesmo dia 25 de junho de 50, tomou enérgicas medidas destinadas a responder o golpe dos agressores. No dia seguinte, para organizar e mobilizar todo o povo e o Exército Popular na luta pela expulsão do inimigo, fez por rádio sua famosa conclamação: "Todas as forças para a vitória na guerra!" Nesse mesmo discurso, ele também denuncia os fins agressivos que perseguiam o imperialismo ianque e seus lacaios ao desatar a guerra, e assinalou de modo claro o caráter justo da guerra que travaria o povo coreano.

Libertação de Seul

Durante os dois dias seguintes ao início das operações, as unidades combinadas do Exército Popular da Coréia — EPC assestaram demolidores golpes no inimigo e liberaram várias zonas da parte sul do país, frustrando as tentativas dos adversários. A aviação ianque, em desespero, lançou bombas para deter os soldados do EPC e seus navios dispararam canhões sem cessar nas costas leste e oeste. Mas nada podia impedir o avanço do Exército Popular. Na madrugada de 28 de junho de 1950, as unidades do EPC iniciaram a ofensiva geral contra Seul, centro da dominação ianque e de seus títeres. Ali estavam concentrados os órgãos de mando administrativo e militar. Após intensos e duros combates, Seul foi, por fim, liberada às 11:30 horas do mesmo dia 28 de junho. Em pouco mais de um mês, desde o início da guerra, havia sido liberado pelo Exército Popular mais de 90% do território e 92% da população da parte sul da Coréia.

Ao final da primeira etapa da guerra (setembro de 50) os agressores ianques ficaram encurralados em uma estreita região de Taegu e Pusan, de não mais que 10 mil km2 na parte sudeste da península.

Contra-ofensiva ianque

Surpreendidos com o avanço coreano, os ianques lançaram-se ao ataque por terra, ar e mar ao norte daquele país, buscando deter a ofensiva revolucionária. Os imperialistas do USA mobilizaram um terço de suas forças terrestres, a quinta parte de sua força aérea, a maior parte da frota do Pacífico, mais de dois milhões de efetivos, incluindo tropas de 15 países e as tropas títeres sul-coreanas, que combateram sob a bandeira intervencionista da ONU. O Presidente Kim Il Sung, quando realizava retirada temporária visando concentrar forças para enfrentar a contra-ofensiva ianque, propôs organizar unidades guerrilheiras na retaguarda inimiga. Coordenada com as operações das unidades na frente principal, a guerrilha castigou duramente o inimigo em sua retaguarda, cortando o abastecimento e destruindo inumeráveis efetivos e armamentos, o que propiciou uma grande vantagem às tropas da frente principal para o contra-ataque. Além disso, em outubro de 1950 são enviados da China os primeiros combatentes do corpo de Voluntários do Povo Chinês.

Atrocidades e barbárie dos agressores

Os imperialistas ianques, para vingar as derrotas sofridas por suas tropas, cometeram inauditos massacres durante a guerra da Coréia, perpetraram a bárbara ação de utilizar armas químicas e bacteriológicas — violando as normas do Acordo Internacional e pisoteando as leis humanas. A ordem do comandante do 8º Exército ianque prova-o: "Mesmo que sejam crianças ou velhos que se encontrem diante de vocês, não lhes deve tremer as mãos: matem-nos. Desta maneira poderão salvar-se da derrota e cumprir com sua missão de soldados das tropas da ONU." As tropas ianques realizaram imperdoáveis covardias: assassinaram em massa inocentes habitantes, queimaram-nos em fo-gueiras enquanto outros foram enterrados vivos. Só na província de Hwanghae do Sul mataram mais de 120 mil pessoas; no distrito Sinchon, da mesma província, mais de 35 mil homens, velhos, mulheres e crianças.

Os ianques, que realizaram desde o início da guerra bombardeios indiscriminados em todo o território da parte norte da Coréia — sob o nome de "operação de extermínio" — cometeram atrocidades ainda maiores a partir da segunda metade de 1951, de acordo com a "operação estrangulação".

Em princípios de agosto de 1952, Mark Clark, comandante das tropas do USA no Extremo Oriente deu conhecimento do "plano de golpes", que consistia em eliminar completamente do mapa todas as cidades da parte Norte. Só em 1952, os ianques lançaram mil bombas a cada quilômetro quadrado da cidade de Pyongyang e, sobre a cidade de Kanggye, 160 aviões inimigos lançaram mais de 1.100 bombas em um só dia, destruindo cerca de 8.700 fábricas e oficinas, além de arrasar mais de 370 mil hectares de terras cultiváveis.

Os ianques reduziram a cinzas, nas cidades e no campo, mais de 600 mil moradias, 5 mil escolas, mil clínicas e hospitais, além de 260 teatros e cinemas, e milhares de estabelecimentos de serviço público.

Segundo o plano de guerra bacteriológica, elaborado no Estado Maior do USA, os imperialistas ianques empregaram desde o inverno de 1950 armas bioquímicas na Coréia. Antes de fugir para o Sul, nas zonas da parte Norte, os ianques espargiram o vírus da varíola. Para testar o efetivo poder dessas armas, utilizaram prisioneiros do Exército Popular da Coréia como cobaias. Nas regiões em que caíram as bombas bacteriológicas apareceram numerosos doentes de peste, cólera e tifo. Pessoas completamente inocentes perderam a vida.

Junto ao uso das armas bacteriológicas em grande escala, os ianques empregaram até gás venenoso na frente de combate e nas regiões fronteiriças. Em 1952 usaram de modo sinistro as armas químicas e continuaram empregando-as até meados do ano seguinte.

Ameaças de guerra nunca cessaram

Derrotados nos campos de batalha, os ianques aceitam suspender as hostilidades e reconhecer o Paralelo 38 como limite entre as duas partes. O Acordo de Armistício foi firmado em 27 de julho de 1953, sem que o USA jamais tivesse renunciado, nestes 50 anos, às suas provocações e toda sorte de sabotagem às lutas do povo coreano pela sua reunificação. Mantém-se como força de ocupação na Coréia do Sul, onde estão estacionados 37 mil soldados. Edificou uma enorme barreira de ferro e concreto separando as duas Coréias, e suas tropas se encarregam diretamente da vigilância para impedir que esta muralha, que divide um mesmo e único povo, seja destruída.

Atualmente, a nova administração do império ameaça a RPDC. Assim como fez com o Iraque, quer desarmar a Coréia do Norte antes de invadí-la. Ameaças, bloqueios, resoluções da ONU, tratados e acordos internacionais são brandidos pelos imperialistas para pressionar Pyon-gyang. Mas o povo coreano sabe que nada deterá a máquina de guerra imperialista a não ser que a destrua. O Exército Popular, a Guarda Operário-camponesa, seus armamentos, inclusive mísseis e bombas atômicas por eles produzidos, existem para a defesa de seu povo, seu território e soberania da sua pátria. Tentarão os ianques, uma vez mais, provar o gosto da derrota?

Grande vitória

Os revolucionários chineses constituíram o Corpo de Voluntários do Povo Chinês que lutou ao lado do povo coreano para derrotar os agressores ianques. A seguir, publicamos trechos selecionados do balanço apresentado pelo Presidente Mao Tsetung, líder da revolução chinesa, do documento intitulado: "A grande vitória da Guerra de Resistência à Agressão Norte-americana e em Ajuda a Coréia e nossas tarefas atuais", de 12 de setembro de 1952:

"A que se deve esta vitória? Os que acabam de fazer uso da palavra disseram que se deve à correta direção. A direção é um fator; sem uma direção justa, nada pode realizar-se com êxito. Entretanto, a causa principal da vitória reside em que a nossa foi uma guerra popular, apoiada por todo nosso povo e nela combateram ombro a ombro os povos chinês e coreano. Combatemos contra um inimigo como o imperialismo norte-americano, cujo armamento era muitas vezes mais poderoso que o nosso; no entanto, obtivemos a vitória, obrigando-o a fazer a paz. Por que se pôde alcançar a paz?
Primeiro. No terreno militar, os agressores norte-americanos se encontravam em uma situação desvantajosa, expostos aos golpes. Se não houvessem aceitado a paz, toda sua frente de batalha teria sido rompida e Seul provavelmente teria caído em mãos do povo coreano. Esta perspectiva já havia começado a se colocar no verão do ano passado. Cada uma das duas partes beligerantes qualifica de muralha de ferro sua própria frente. No que toca a nós, é de verdade uma muralha de ferro. Nossos combatentes e quadros são engenhosos e valentes, não temem a morte. De outro lado, as tropas agressoras norte-americanas têm medo da morte e seus oficiais são bastante rígidos, não muito flexíveis. Sua frente de batalha não tem solidez, não é nenhuma muralha.

De nossa parte, os problemas que tivemos que enfrentar foram: no princípio, se seríamos capazes de combater; logo, se poderíamos suportar na defesa; mais tarde, se poderíamos garantir os suprimentos e, ao final, se poderíamos desbaratar a guerra bacteriológica. Estes quatro problemas foram resolvidos, um após outro. Nosso exército se fortalecia à medida que combatia. Neste verão, fomos capazes de romper, em uma hora, posições frontais do inimigo ao longo de vinte e um quilômetros, disparar de forma concentrada centenas de milhares de projéteis de artilharia e penetrar dezoito quilômetros em suas posições. Outros dois, três ou quatro combates como este, e toda a frente do inimigo teria desmoronado.

Segundo. No terreno político, o inimigo tinha internamente numerosas contradições insuperáveis e os povos do mundo inteiro exigiam uma solução pacífica. Terceiro. No terreno econômico, o inimigo gastou tanto dinheiro na guerra de agressão à Coréia que chegou a um desequilíbrio orçamentário.

Todas estas causas se somaram para obrigar o inimigo a fazer a paz: a primeira foi a causa principal, pois sem ela teria sido difícil chegar à paz com ele. Os imperialistas norte-americanos são sumamente arrogantes, e negam a dar-se conta do que é razoável toda vez que são instados a isto. Quando aceitam é porque estão encurralados, sem outra alternativa.

Na guerra da Coréia, o inimigo teve 1.090.000 baixas. Seguramente nós também pagamos um preço. Mas, nossas baixas foram muito menores que as previstas e, depois de construídos os túneis, diminuíram ainda mais. Quanto mais combatíamos, mais forte nos tornávamos. Os norte-americanos não podiam tomar nossas posições e, pelo contrário, sempre viram suas tropas serem aniquiladas.

Vocês acabam de mencionar o fator direção. Eu diria que a direção é um fator, mas o fator mais importante é o fato de que as massas aportam idéias. Nossos quadros e combatentes inventaram as mais variadas modalidades de combate. Vou dar um exemplo. No primeiro mês de guerra perdemos muitos caminhões. Que fazer? É claro que a direção procurou soluções, mas foram principalmente as massas que encontraram a solução. Colocamos nos dois lados das estradas mais de dez mil pessoas encarregadas de fazer disparos de alerta para anunciar a aparição de aviões inimigos. Ao ouvir os disparos, o motorista começava a conduzir o caminhão em ziguezague ou procurava um lugar onde escondê-lo. Além disto, alargaram-se as estradas existentes e construíram-se muitas outras novas, de modo que os caminhões circulavam sem obstáculos em ambas as direções. Assim, a perda de caminhões diminuiu dos iniciais 40% para menos de 1%. Mais tarde construímos depósitos subterrâneos e inclusive salas de reunião subterrâneas. Às vezes acontecia que, enquanto em cima o inimigo jogava bombas, nós realizávamos reuniões em baixo.

Nossa experiência diz que podemos vencer com armamentos inferiores a um inimigo superior em armamentos sempre que nos apoiemos no povo e contemos com uma direção basicamente correta.

A vitória da Guerra de Resistência à Agressão Norte-americana e em Ajuda a Coréia é grandiosa e se reveste de um significado muito importante.

Primeiro. Junto com o povo coreano, combatemos até obter a volta ao Paralelo 38 e ali nos mantivemos firmes. Isto é de grande importância. Se não tivesse conseguido a volta a esse paralelo e a frente permanecesse ao longo dos rios Yalu e Tumen, os habitantes de Shenyang, Anshán e Fushun não poderiam dedicar-se tranquilamente à produção.

Segundo. Adquirimos experiências militares. As forças terrestres, aéreas e navais dos Voluntários do Povo Chinês, a infantaria, artilharia, engenharia militar, unidades blindadas, corpos de ferroviários, unidades antiaéreas, equipes de telecomunicações, e as unidades sanitárias, logísticas, etc., tiveram experiências reais de guerra com as tropas agressoras norte-americanas. Desta vez medimos o calibre de tais tropas. Enquanto não se entra em contato com as tropas norte-americanas, terá medo delas. Após termos sustentado com elas uma guerra de trinta e três meses, medimo-lhes profundamente o calibre. O imperialismo norte-americano não é temível, não vai além do que é. Esta experiência que adquirimos é de um valor incalculável.

Terceiro. Elevou-se a consciência política de todo o povo chinês.

Dos três pontos acima mencionados deriva-se um quarto ponto: foi adiada uma nova guerra imperialista de agressão contra a China, assim como uma terceira guerra mundial. Os invasores imperialistas devem compreender que hoje o povo chinês já está organizado e não se deixa provocar. Se alguém o provoca até fazê-lo trovejar de ira, as coisas serão difíceis de consertar.

Mais adiante é possível que o inimigo volte a desatar uma guerra contra nós e, ainda no caso de que se abstenha de fazê-lo, não deixará de recorrer a todos os meios para criar distúrbios, como o envio de agentes secretos para realizar ações de sabotagem. O inimigo tem instalada uma vasta rede de serviço secreto em locais como Taiwan, Hongkong e Japão. Mas nós adquirimos experiências no movimento de resistência à agressão norte-americana e na ajuda a Coréia e, sempre que mobilizemos as massas populares e nos apoiemos nelas, encontraremos a maneira de fazer-lhe frente. Nós vamos invadir a outros? Não, não invadiremos nenhum lugar. Mas, se alguém vem invadir-nos, não vacilaremos em lançarmo-nos ao combate e combateremos até o fim. O povo chinês sempre observou esta norma: estar a favor da paz, mas não temer a guerra; estar preparado para ambas contingências. Nós gozamos do apoio do povo. Durante a Guerra de Resistência à Agressão Norte-americana e em Ajuda a Coréia, as massas populares solicitaram com ardor alistar-se no exército. A seleção que se fazia entre os solicitantes resultava tão rigorosa que era como a de escolher um em cem, e as pessoas comentavam que nem a seleção de um genro era tão exigente. Se o imperialismo norte-americano quer desatar uma nova guerra, o combateremos de novo. Perdas humanas e de material bélico das forças agressoras na Guerra da Coréia*
Total de mortos e presos
entre as forças agressoras
1.567.128
no Exército ianque
405.498
no Exército títere sul-coreano
1.130.965
nos Exércitos de países satélites do USA
30.665


Aviões
Tanques
Carros blindados
Caminhões
Canhões
de vários calibres
Armas leves de vários calibres
capturados
11
374
146
9.239
6.321
925.152
destruídos
5.729
2.690
45
4.111
1.374

avariados
6.484






Navios de guerra
afundados e destruídos 564

Após o final da Guerra da Coréia, grande parte dos armamentos tomados dos ianques foi transferida aos vietnamitas, que os utilizaram para surrar os franceses na histórica batalha final de Diem Bien Phu, em 1954.

*Fonte: Publicação "Destacada dirección, brilhante victoria", Editorial da Revista Ilustrada "Corea", Pyindyang, RPD da Coréia, 1993.

A GUERRA AÉREA NA CORÉIA
Fonte: milavicorner
A divisão da Coréia em dois países distintos, a do Norte e a do Sul, foi resultado direto da tardia e oportunista declaração de guerra russa ao Japão, no dia 8 de agosto de 1945, quando este já estava prestes a se render. Os Estados Unidos fez a proposta de dividir a responsabilidade de aceitar a rendição das tropas japonesas na Coréia, com o paralelo 38 sendo utilizado como um conveniente marco divisório, que anos antes já havia sido utilizado como fronteira proposta, quando a Rússia e o Japão discutiam a divisão daquele pequeno país. Em 1946, o General Douglas MacArthur, então Comandante das Forças Americanas do Oriente (US Far East Command), apresenta e consegue aprovação, por parte dos Chefes dos Estados-Maiores Unificado, de seu plano para criação de uma Força Policial da Coréia, e em 1947 uma resolução da ONU (Organização da Nações Unidas), propõe a retirada de todas as tropas estrangeiras da Coréia, seguida de uma eleição geral.
A Rússia apoiou a eleição de Kim Il Sung como líder e presidente da nova República Popular da Coréia do Norte, enquanto que os Estados Unidos colocavam Syngman Rhee como presidente da República da Coréia (Coréia do Sul). A República Democrática da Coréia foi proclamada independente em 1 de maio de 1948, e a República da Coréia em 15 de agosto do mesmo ano. As tropas americanas, saíram da Coréia do Sul no final de junho de 1949.
No final do ano de 1945, os Estados Unidos estavam cansados da guerra e prontos para usufruir de paz e de prosperidade. Os americanos queriam trocar a produção de produtos bélicos por bens de consumo que lhes trouxesse conforto e bem estar. A última coisa que passava pela cabeça dos americanos seria o engajamento em uma nova guerra. Os políticos, entretanto, haviam reduzido os investimentos na área militar a um nível baixo e perigoso. O envolvimento americano nas coisas da Coréia era muito limitado, e a nova nação não era prioridade da diplomacia americana. O próprio Secretário de Estado Dean Achenson, em um de seus discursos, enumerou uma lista de países pelos quais os americanos dariam seu sangue em defesa de intromissão comunista, e a Coréia não era um desses.
Para a Coréia do Norte, cujos líderes viam a unificação dos dois países pelo uso da força, como uma missão sagrada, essas declarações do governo americano, eram como uma luz verde para a conquista do sul e reunificação da Coréia. Rapidamente Kim obteve a aprovação de Moscou para seus planos, de um ataque militar de surpresa com tanques T-34 suportados pela força aérea.
Documentos norte-coreanos capturados após a guerra, revelaram que "com dois meses de guerra, Pusan deveria ter sido tomada e a Coréia do Sul não mais existiria". Essa previsão, era baseada inclusive na intervenção dos Estados Unidos, para ajudar a Coréia do Sul. Sem tal intervenção, a guerra talvez durasse, no máximo 10 dias. Mas com certeza, sem a intervenção do poder aéreo americano, os planos norte-coreanos teriam se transformado em realidade, de uma maneira ou de outra. As atenções americanas estavam voltadas para a ameaça da China em invadir a ilha de Formosa, que era considerada pelo General MacArthur como um "porta-aviões inafundável"
No dia 25 de junho de 1950, após massiva e secreta mobilização militar, forças comunistas da Coréia do Norte cruzavam o paralelo 38 e davam início a invasão da Coréia do Sul. O exército sul-coreano, equipado com armas leves bateu em uma desordenada retirada, e tropas americanas enviadas rapidamente do Japão, mostraram-se pouco efetivas. As tropas norte-coreanas, apoiadas por tanques T-34 de fabricação russa e por caças-bombardeiros, rapidamente penetraram nas defesas sul-coreanas. Naquele mesmo dia, quatro Yak-9, atacaram o aeroporto de Kimpo em Seul, ficando aparente para o Comando Americano do Oriente, que Seul estava em iminente perigo de cair em mãos comunistas. Ao mesmo tempo, navios da 7ª Frota começaram a patrulhar o Estreito de Formosa, com objetivo de previnir que os chineses começassem uma outra guerra. As tropas americanas, localizadas no Japão não estavam preparadas, visto que realizavam apenas atividades de força de ocupação. A 5ª Força Aérea da USAF, estava um pouco melhor preparada, mas com os cortes orçamentários, não realizava há muito tempo treinamento de bombardeio, tiro aéreo e de apoio aéreo aproximado, nem possuía capacidade operacional para atividades com qualquer tempo.
O ponto fraco da Coréia do Norte, era exatamente a aviação, embora seu único regimento de aviação tivesse sofrido uma expansão em tamanho, e fosse adequado para combater a aviação sul-coreana. A Força Aérea Norte Coreana possuía um efetivo de 1 700 homens, com 76 pilotos, muitos dos quais haviam lutado ao lado dos japoneses durante a 2a Guerra Mundial, e tinham recebido treinamento na União Soviética. Tão logo a Força Aérea Norte Coreana começou sua expansão, a União Soviética forneceu aeronaves, ainda que a maioria delas fosse sobra da guerra, sem incluir aeronaves à jato. Eram basicamente caças Yak-7 e Yak-9, equivalentes ao P-51 Mustang, com menor raio de ação, mas mais manobráveis e com armamento mais pesado, além de treinadores Po-2 e Yak-18 e dos aviões de ataque Il-10 Shturmoik. No total, a Coréia do Norte possuía 178 aeronaves (30 treinadores, 70 Il-10 e o restante eram caças, distribuídos entre os dois tipos). Alguns relatórios de combate indicam a presença de outros tipos de aeronaves, como o La-7 Lavochkin.
Com o avanço das tropas norte-coreanas, se fazia necessário, evacuar os cidadãos americanos e os membros do governo sul-coreano, de Seul, mas para tal era necessário montar uma ponte aérea com cobertura de caças, e essa tarefa foi designada para a USAF (United States Air Force), sendo então a primeira colaboração americana para o esforço de guerra da ONU contra os invasores.
Entretanto, havia um problema logístico, pois a maioria das aeronaves americanas estavam em bases aéreas no Japão (o 8o Grupo de Caças-Bombardeiros em Itazuke, o 35o Grupo de Caça em Yokota, o 49o Grupo de Caça Bombardeiro em Misawa e o 51o Grupo de Caça em Naha – Okinawa, os três primeiros equipados do F-80 e o último com P-51 Mustang), e não possuíam alcance suficiente para cobrir as aeronaves de transporte

Twins Mustangs sobre a Coréia do Norte.
As aeronaves pertencem ao 4ºFighter Squadron
A solução encontrada seria a utilização de 40 F-82G Twin Mustang pertencentes ao 339o Esquadrão de Yokota, ao 4o Esquadrão de Caça de Naha a ao 68o Esquadrão de Caça de Itazuke, que possuíam alcance operacional suficiente, podendo permanecer junto com os transportes enquanto durasse a missão. O F-82 era basicamente um par de Mustangs, montados juntos por uma pequena seção central, com as hélices girando em sentido contrário de modo a neutralizar o torque, e com um poderoso radar montado sob a seção central. O operador do radar sentava-se na fuselagem esquerda e o piloto na direita. Eles forneceriam proteção aos C-54 e C-47 que realizariam a ponte aérea. A primeira missão dos F-82, e a primeira missão da guerra, ocorreu na noite da invasão, quando uma aeronave do 68o Esquadrão, tripulada de 1o Tenente George D. Deans e pelo operador de radar 2o Tenente Marv Olsen, realizou um reconhecimento ao norte de Seul, localizando uma coluna de 58 tanques a 10 milhas ao sul do paralelo 38.
No dia seguinte, ocorreu o primeiro encontro aéreo entre a aviação americana e norte-coreana, quando às 13:30 horas, um Yak-9, surgiu das nuvens e atacou dois F-82 que voavam por sobre o porto de Inchon, próximo a Seul. Os pilotos americanos, tomados de surpresa, e sem saber se deveriam reagir ao ataque, realizaram ações evasivas e o Yak rapidamente desapareceu em direção norte. No dia 27 de junho de 1950, os combates realmente começaram a esquentar, e os caças americanos derrubaram 7 aeronaves inimigas sem perdas, sendo que a primeira aeronave norte-coreana derrubada é creditada ao Major James Little comandante do 339o Esquadrão. Naquele mesmo dia, é creditada ao 1o Tenente Robert H. Dewald, pilotando um jato F-80 pertencente ao 35o Grupo de Caça, a derrubada de um Il-10, quando realizava missão por sobre Suwon, tornando-se o primeiro piloto voando um jato a derrubar uma aeronave inimiga na guerra.
As atividades aéreas aumentaram nos dias seguintes, quando o governo americano autorizou o General Douglas MacArthur, já nomeado Comandante em Chefe das Tropas da ONU (CINCUNC) a empregar o poder aéreo contra alvos militares por toda a península coreana, inclusive além do paralelo 38, mas ainda restringindo as operações até o Vale do Rio Yalu. Ao mesmo tempo, as Nações Unidas, mesmo com o boicote soviético, aprovavam a resolução que apoiava a defesa da soberania da Coréia do Sul. Dezesseis nações se comprometeram a enviar tropas terrestre, enquanto que a Austrália, a Inglaterra, o Canada, a Grécia e a África do Sul enviariam também pilotos e até mesmo aeronaves. As primeiras aeronaves não americanas a chegarem para o combate vieram da Austrália, e pertenciam ao Esquadrão No 77 equipado com P-51, logo participando das operações e sofrendo sua primeira baixa no dia 7 de julho de 1950. Os norte coreanos foram pegos de surpresa, quando B-29 e F-80 americanos realizaram missões ao norte do paralelo 38, destruindo muitas aeronaves no solo. Em quatro semanas de guerra, praticamente toda a Força Aérea Norte Coreana foi destruída no solo, com exceção de alguns Yak-9 e Il-10 que operavam no Vale do Yalu.
No dia 29 de junho, o General MacArthur resolveu voar até Seul, para ver de perto a situação, e para realizar a escolta de seu C-54, o Bataan, Mustangs foram empregados, enquanto que os F-80 faziam uma varredura a altitudes mais altas. Quatro P-51 realizaram a missão, derrubando quatro Il-10 que tentaram atacar o C-54, logo após o pouso deste no aeródromo de Suwon, tudo assistido pelo convidado VIP. Os Il-10 embora possuíssem muita manobrabilidade e uma ótima blindagem, não eram páreo para os Mustangs.
Os Yarks-9 sobreviventes, continuaram a mostrar muita agressividade e perícia, mesmo quando combatendo os F-80, fazendo correr boatos que eram pilotados por soviéticos, mas isso ainda não era verdade. Eles eram apenas pilotos norte-coreanos, com experiência de combate da 2a Guerra Mundial.

Destroços de um Ilyushin Il-10 Norte Coreano
No início do mês de julho de 1950, chegam às águas coreanas dois porta aviões o USS Valey Forge (CVA-45) e o HMS Triunph, que partiram de Okinawa, e em seguida o USS Philippine (CVA-47). O HMS Triumph entrou para a história, ao lançar o primeiro ataque de aeronaves não americanas na guerra, utilizando 9 Supermarine Seafire Mk. 47, equipados com motor Griffon do Esquadrão No 800 e 12 Fairey Fireflies do Esquadrão No 827, contra o aeródromo de Haeju. Ao mesmo tempo, aeronaves A4D Skyraiders e F4U Corsairs do CVG-5, pertencentes ao USS Valey Forge atacavam a capital da Coréia do Norte, Pyongyang, tornando-se assim as primeira aeronaves da US Navy a participarem da guerra. Essa leva foi seguida de oito F9F-2 Panthers do VF-51, que inicialmente deveriam ter chegado antes, de modo a atrair para sí qualquer iniciativa da Força Aéra da Coréia em interceptar a força principal. Vários Yaks decolaram, e o céu de Pyongyang tornou-se palco de uma enorme batalha aérea. O Tenente Leonard Plog abateu um Yak, tornando-se o primeiro piloto da US Navy a abater uma aeronave na guerra. Os Panthers destruíram ainda 3 aeronaves no solo, além de infringirem enormes danos nas instalações do aeródromo.

Um F4U-4B Corsair do Esquadrão VMF-241 Black Sheep dos
Fuzileiros Navais, preparando-se para decolar do
porta-aviões USS Sicily.
O ataque a Pyongyang foi um avanço estratégico, pois levou a guerra diretamente aos norte-coreanos, mas em terra as coisas iam de mau a pior para as forças da ONU. O exército norte-coreano continuava seu avanço, e em meados de junho, já havia penetrado 120 km. A 24a Divisão do Exército Americano, embora valente no combate, foi forçada a recuar, formando o denominado Perímetro de Pusan. A situação era tão séria a USAF foi colocada em alerta total, para o caso de ser necessário uma evacuação urgente. Felizmente, a Força Aérea Norte Coreana não era vista tão ao sul, em Pusan, permitindo que as aeronaves da ONU realizassem suas missões sem serem incomodadas, mas as aeronaves de observação do Exército e dos Fuzileiros Navais, Ryan L-17 e Piper L-4, eram os alvos prediletos dos Yaks. Em certa ocasião, de modo muito inusitado, um L-4, conseguiu, voando rente ao solo, e em região montanhosa, fazer com que um desses Yaks se chocasse com o solo, ao realizar uma manobra muito arriscada.

Um Fairey Firefly Mk V do Esquadrão
Nº 827 da Fleet Air Arm, que operava a
partir de Suwon.
Os combates aéreos continuavam, com os F-80 Shooting Star derrubando mais aeronaves norte-coreanas. Ele era o caça padrão do US Far East Command, tendo entrado em operação nos últimos dias da 2a Guerra Mundial e estabelecido alguns recordes de velocidade, altitude e de alcance em vôo. No início da Guerra da Coréia, quando o inimigo utilizava aeronaves à hélice, o F-80 era soberano, mas cinco meses mais tarde, quando surgiu nos céus coreanos o Mig-15, o F-80 foi totalmente sobrepujado, embora continuasse a ser utilizado com sucesso em ataques ao solo e tenha tido o privilégio de ter derrubado o primeiro Mig-15, tornando-se assim o pioneiro dos caças a era a jato a derrubar outro, pilotado pelo Tenente Russell Brown, em novembro de 1950.
No dia 20 de julho, a cidade de Taejon caia em mãos comunistas, deixando apenas o Rio Naktong entre as forças invasoras e a capital Seul. Enquanto as coisas iam mal em terra, o Capitão Robert L. Lee e o 2o Tenente David. H. Goodnough do 35o Grupo de Caça derrubavam dois Yak-9, que seriam as últimas vitórias aéreas por um período de 103 dias, que iria até 1 de novembro. Embora tivesse ficado decidido que o quantitativo de F-80 e F-82 era suficiente para o teatro de operações, sentiu-se necessidade urgente da presença de Mustangs, para serem utilizados como aeronaves de apoio, uma vez que os F-80, embora fossem uma excelente plataforma de ataque, possuíam pouca autonomia e eram rápidos demais para serem utilizados com precisão nos ataques, visto que as tropas amigas e inimigas estavam muito próximas uma da outra. O Mustang, estava longe de ser a aeronave ideal, pois possuía motor refrigerado a água e seu radiador ficava localizado na parte inferior da fuselagem, muito exposto portanto ao tiro de armas antiaéreas e até mesmo de armas pessoais. Pensou-se inclusive em utilizar o P-47, muito mais adequado para esse tipo de missão, mas essa aeronave já não encontrava-se em uso pela USAF, e por outro lado, o Mustang ainda era utilizado, especialmente pela Air National Guard. Imediatamente foram preparadas 145 aeronaves, que embarcadas no porta aviões USS Boxer (CVA-21), juntamente com 70 pilotos, chegavam à Coréia no tempo recorde de 8 dias. A US Navy e o US Marine Corps prepararam também aeronaves para serem enviadas à Coréia, e nesses casos a escolhida foi o F4U Corsair. Diversas unidades foram enviadas ao teatro de operações como a VMF-214, a VMF-323 e a VMF(N)-513, esta última equipada com Corsairs para caça noturna. Chegaram também unidades equipadas com Panthers (VF-111) e com Skyraiders (VA-115).

Um P-51D do 36th Fighter Bomber Squadron
O meses seguintes, foram muito calmos, no que diz respeito aos combates aéreos, mas as B-29 e B-26 simplesmente arrasaram os aeródromos e as colunas de tropas norte-coreanas, produzindo uma crise entre os comunistas. Entre essas operações, inclui-se um erro de ataque, quando dois P-51 metralharam a cidade de Antung na China, no dia 22 de agosto e um bombardeamento de B-29 à mesma cidade no dia 22 de setembro. Pior do que isso, foi o metralhamento por parte de dois F-80 a um aeródromo russo perto de Vladivostok, no dia 8 de outubro (os pilotos foram à Corte Marcial, mas declarados inocentes, mas o comandante da unidade perdeu seu cargo). Mesmo assim, as forças terrestres norte-coreanas continuavam seu avanço em direção ao sul, com a Península de Pusan, último reduto de defesa, permanentemente sob ameaça, com a ONU tendo que negociar muito para tentar salvar a Coréia do Sul. A última tentativa norte-coreana de quebrar o perímetro defensivo de Pusan, ocorreu no dia 31 de agosto de 1950, quando tropas comunistas tocando suas cornetas fizeram um desesperado ataque, mas a falta de apoio aéreo e as atividades da 5ª Força Aérea da USAF juntamente como os aviões do US Marine Corps e da RAAF (Royal Australian Air Force), além é claro das unidades do US Army e do Exército Sul-Coreano, impediram o desastre.
No dia 15 de setembro de 1950 realizou-se a Operação Chromite, visionária e arriscada operação planejada pelo General Douglas MacArthur, com desembarque de tropas do Exército e dos Fuzileiros Navais no porto de Inchon. A 1ª Divisão dos Fuzileiros desembarcou ao alvorecer, enfrentando um mar revolto, com altas ondas, e ao final daquele dia o porto já estava sob controle americano, permitindo então o desembarque de equipamento pesado do X Corpo de Exército. Kimpo caia em mãos americanas dois dias depois, e Seul no dia 18 de setembro. Simultaneamente, o 8º Exército Americano, quebrava o cerco de Pusan, e o Exército Norte-Coreano batia em retirada, cruzando o paralelo 38. Em 27 de setembro, as tropas do X Corpo de Exército juntaram-se as do 8º Exército. A situação para os norte-coreanos era pior, visto não possuírem qualquer apoio aéreo, com os F-80 dominando os ares e realizando inúmeras missões de apoio às tropas terrestres. O poder aéreo das tropas da ONU aumentou, quando chegou a Kimpo, o esquadrão VMF(N)-52 equipado com caças-bombardeios noturnos Gruman F7F Tigercat e os esquadrões VMF-212 e VMF-312 com Corsairs, todos dos Fuzileiros Navais
Mais uma vez, nova deliberação da ONU, permitiu que as tropas americanas avançassem além do paralelo 38. Como as tropas norte-coreanas bateram em total retirada, o aeródromo de Wonsan foi retomado pelas tropas da ONU em 13 de outubro, tornando-se a base das aeronaves dos Fuzileiros Navais. A capital Pyongyang caía uma semana depois, enquanto que a maior parte das tropas da ONU chegava até o Rio Yalu. Tudo parecia indicar que a guerra terminaria antes do Natal daquele ano. O domínio do ar pela aviação da ONU era total, e ela destruiu 13 aeronaves norte-coreanas no solo. O porta-aviões USS Leyte (CVA-32) substituía o USS Valley Forge e o HMS Theseus o HMS Triumph, trazendo novas unidades e principalmente novos equipamentos, como os Hawker Sea Fury do Esquadrão Nº 807. A susbstituição dos Seafires pelos Sea Fury era uma considerável melhora, visto tratar-se de uma aeronave mais rápida, mais resistente e mais ágil.
As unidades de aviação acompanharam o avanço das tropas terrestres, passando a operar em bases bem no interior da Coréia do Norte. Embora a aviação norte-coreana estivesse praticamente extinta, tendo oportunidade, eles lançavam-se com tudo o que tinham. Por isso em novembro aconteceram vários combates, principalmente entre os Mustangs do 18º Grupo, que operavam da capital Pyongyang e os Yaks. Nesse período da guerra, 8 aeronaves norte-coreanas foram abatidas, todas Yak-9

Destroços de um Yak-9
A guerra teria provavelmente terminado antes do Natal, se a ONU tivesse simplesmente se limitado a restabelecer a antiga fronteira entre as Coréias. Por outro lado, o líder sul-coreano Syngman Rhee, dizia que, caso a guerra terminasse naquele instante, só traria uma paz temporária, e ele queria ver a Coréia unificada de novo. O presidente dos Estados Unidos Harry Truman, concordou com os argumentos do líder sul-coreano, de que as tropas comunistas teriam que ser totalmente destruídas, e ordenou que as forças americanas avançassem .
No dia 3 de outubro, o Premier chines Chou En Lai, avisou à ONU, que caso suas tropas ultrapassassem o paralelo 38, a China interviria na guerra, mas esse aviso não foi levado em conta. No dia 13 de outubro, Kin Il Sung foi forçado a deslocar seu governo para dentro do território chinês, e as forças da ONU continuaram a avançar. Quatro grupos de B-29 se juntaram ao já operando a partir da Ilha de Guam, e atacaram de forma impiedosa as instalações norte-coreanas, praticamente destruindo todas as fábricas e indústrias daquele país. Estimava-se que 39 mil soldados norte-coreanos já haviam sido mortos na guerra. No dia 29 de novembro, 50 divisões chinesas penetram na Coréia do Norte, forçando uma nova retirada das tropas da ONU. O General MacArthur havia subestimado a intervenção chinesa e já preparava a festa da vitória para o Natal ou o Ano Novo.
Os pilotos da ONU rapidamente descobriram que seu domínio do ara estava seriamente ameaçado, quando da aparição do Mig-15 por sobre o Vale do Yalu. A chegada desse caça fez com que as táticas empregadas pelas unidades aéreas da ONU tivessem que ser totalmente reformuladas. Essas aeronaves eram pilotadas inicialmente por chineses, lideradas por instrutores russos, e seus vôos eram restritos a região entre Wonsan e Pyongyang, área mais conhecida como "Mig Alley". Os pilotos russos voavam utilizando uniformes chineses, e eram proibidos de se comunicar em russo, quando no ar. Os que morreram, foram enterrados secretamente em um cemitério em Port Arthur, junto aos que morreram na guerra Russo-Japonesa de 1904. Esse segredo continuou até o verão de 1951, quando então pilotos chineses e norte-coreanos passaram a voar sem a presença dos instrutores soviéticos.
Embora a chegada do Mig-15 tenha causado consternação e excitamento, os caças Yak e o pesado fogo antiaéreo continuaram a causar muitos problemas para os pilotos aliados. O primeiro combate contra os Mig-15 ocorreu no final de outubro, quando os F-80 do 25º Esquadrão encontraram alguns Mig, enquanto realizavam ataques contra objetivos terrestres perto do Rio Yalu. Talvez nesse dia já pudesse ter sido derrubado um desses caças russos, mas na hora de atirar o Tenente Coronel Clure Smith, comandante do esquadrão, descobriu que suas metralhadoras haviam congelado, e o que conseguiu foi apenas um filme, mostrando o incidente. Esse filme foi levado para o Quartel General da ONU, e confirmava a presença desse tipo de aeronave operando na Coréia, ao mesmo tempo que os analistas aeronáuticos notaram que os Migs voavam carregando tanques de combustível subalares.
Demorou algum tempo até que nova oportunidade para um combate jato versus jato voltasse a ocorrer. No dia 8 de novembro, uma esquadrilha de F-80 do 16º Esquadrão de Interceptadores, realizava uma missão de caça-bombardeiro contra baterias anti-aéreas ao largo do aeródromo de Sinuiju, juntamente com algumas B-29. Essas estavam escoltadas por F-80 do 51º Grupo. Participavam também da missão outros F-80 e P-51. Após o ataque, os F-80 estavam tomando rumo sul, subindo lentamente, quando o comandante da esquadrilha, Tenente Coronel Evans Stephens vislumbrou oito Migs ao norte do Rio Yalu, que pareciam estar brincando, pois realizavam acrobacias diversas. O coronel comandou um ataque, e o 1º tenente Russell Brown, logo derrubou um dos Migs, tornando-se assim o primeiro piloto de jato a derrubar outro em combate. No ardor do combate, o Coronel Evans, esqueceu de ordenar que os "tip tanks" fossem ejetados, e quando regressaram à base observou que as asas do F-80 tinham ficados um pouco torcidas, devido ao esforço causado pela presença daquele tanque na ponta das asas. No dia 10 de novembro era vez de um Panther do VF-111, embarcado do USS Valley Forge derrubar um Mig-15. O piloto era o Tenente Willian Thomas Amen.

Um F-80 do 36th Fighter Bomber Squadron
Os Migs também não deixavam por menos, derrubando algumas B-29, já que essa era sua missão principal, quando levados para a Coréia. Os pilotos dos Migs eram muito agressivos, além de bastante motivados ideológicamente, já que estavam defendendo a socialista Coréia do Norte contra a agressão dos capitalistas do oeste liderados pela ONU. Os pilotos eram levados a ver os efeitos devastadores dos ataques realizados pelos bombardeiros da ONU, antes de começarem suas missões operacionais. O medo de cair prisioneiro era outro fator de motivação, visto que os pilotos russos sabiam que, caso fossem feitos prisioneiros, perderiam tudo e suas famílias não estariam seguras. Além de tudo, o Mig era superior a todas as aeronaves da USAF existentes no teatro de operações, inclusive em alguns aspectos com relação ao F-86 Sabre. O combate contra os caças era evitado, a menos que a escolta não permitisse que eles chegassem aos bombardeiros ou quando pegos de surpresa. O Mig possuía vantagem da razão de subida, enquanto que o Sabre era mais manobrável, especialmente a baixa altura. Essas vantagens eram pouco utilizadas, visto que o combate era decidido normalmente no primeiro ataque. Após o primeiro passe o Mig-15 subia para as alturas, enquanto que o Sabre corria para o solo, cada um tentando, caso necessário um segundo encontro, lutar na sua arena favorável. O Mig possuía mais poder de fogo que o Sabre, já que era equipado com dois canhões NR-23 e um canhão N-37, embora essas armas tivessem uma cadência de tiro lenta, dificultando o enquadramento de um alvo em manobras evasivas, mas bastava um simples acerto para que derrubasse o F-86. Por outro lado, os Migs recebiam dezenas ou centenas de tiros das .50 dos Sabres e nada sofriam. O piloto era bem protegido, os tanques eram auto-selantes e o para-brisa era blindado. O ponto fraco talvez fosse o visor de tiro, que muitas vezes, após manobras com alto g, deixavam de funcionar.
Embora mais bem treinados que a maioria dos pilotos norte-coreanos, os russos estavam abaixo do padrão americano. Após 40 missões, retornavam à Rússia, e recebiam a Ordem de Lenin se derrubassem três aeronaves inimigas. Com o passar do tempo, os pilotos passaram a ser mais bem selecionados, preparados e treinados, tornando-se oponentes formidáveis. Além dos Mig-15, outra aeronave russa apareceu nos céus da Coréia: o Lavochkin La-15. Essa aeronave fora planejada para ser o caça padrão de superioridade aérea da União Soviética. Possuía grande velocidade, agilidade e armamento (três canhões de 23 mm). Uma unidade com 22 aviões foi enviada para a China, e felizmente para os pilotos de caça da ONU, elas não puderam operar das pistas pouco preparadas que encontraram. Vários se perderam em acidentes de pouso, e logo regressaram à Rússia. Embora fosse um excelente avião, era muito sensível, principalmente o sistema do trem de pouso, e a aviação de combate não precisa de uma aeronave tão delicada.
O Alto Comando em Washington rapidamente vislumbrou que a USAF perderia a superioridade aérea nos céus da Coréia, e imediatamente ordenou o preparo e envio do 4º Grupo de Caças equipado com F-86A Sabres, talvez a melhor unidade existente na USAF, com muitos pilotos veteranos da 2ª Guerra Mundial. Enquanto isso, o Exército Chinês colocava mais pressão nas tropas da ONU, cuja única válvula de escape eram os ataques dos B-29, escoltados pelos F-80, em defesa contra os Migs.
No dia 10 de dezembro, o porta aviões USS Cape Esperance (CV-88) chega à Baía de Tóquio com pilotos, equipes de manutenção e apoio, equipamentos e aeronaves do 4º Grupo de Caça. Finalmente as forças da ONU teriam um caça capaz de enfrentar o Mig-15 de igual para igual. A prioridade foi dada ao transporte dos caças para a Coréia. O tempo urgia, já que os chineses avançavam firmemente em direção ao sul, reconquistando o terreno perdido. Era consenso de todos que a presença do Mig-15 poderia influir diretamente no andar da guerra, ao conquistar o domínio dos céus. O Sabre era o único caça da ONU que poderia combater o Mig-15. Infelizmente, embora todas as precauções tivessem sido tomadas para proteger os F-86 dos efeitos da longa viagem marítima, principalmente da água salgada, a corrosão afetava algumas partes e causava problemas em outras, como por exemplo nos sensores de combustível das asas e nos equipamentos elétricos. Algumas aeronaves levaram semanas de intensa manutenção antes de estarem em condição de voar do Japão para a Coréia.

Imagem dos F-86 a bordo do USS Cape Esperance,
quando sendo transportados para a Coréia.
O primeiro planejamento determinava que dois esquadrões ficariam localizados em bases avançadas na Coréia, com um terceiro sendo empregado como reserva técnica no Japão. Cinco dias após chegarem ao Japão, um grupamento avançado já voava para Kimpo, de modo a organizar as atividades do Grupo. O Tenente Coronel Bruce Hinton, levou o primeiro dos sete F-86 que escaparam da corrosão, já realizando missões de familiarização naquela mesma tarde. No dia seguinte, forte tempestade de neve não permitiu qualquer atividade aérea.
No dia 17 de dezembro, quatro F-86 realizariam a primeira missão oficial de guerra dessas aeronaves, equipados com dois tanques de combustível externos de 275 galões cada, e armados com 2 000 cartuchos incendiários de metralhadora .50. Os tanques davam ao F-86 um alcance operacional de 490 milhas, o suficiente para irem até o Vale do Yalu e voltarem, mas não permitindo muita folga. Foi dado à missão o código de chamada BAKER, e às 14:05, BAKER 01 e 02 já decolavam, seguidos rapidamente dos BAKER 03 e 04. Um dos Sabres apresentou problemas no mecanismo do trem de pouso, provavelmente devido a água do degelo existente na pista, mas logo sanado com os procedimentos de correção. Os pilotos americanos sabiam que nas bases da Manchúria, os Mig-15 estariam em alerta, prontos para levantarem vôo e realizarem um combate histórico. Liderava a esquadrilha o Tenente Coronel Bruce Hinton, comandante do destacamento avançado. Voando em direção norte, os Sabres subiram até 25 mil pés em direção a Sinuiju, que ficava a 200 milhas de distância. Ao cruzarem Pyongyang, testaram suas metralhadoras, e reduziram a velocidade, de modo a simular o F-80. O céu estava claro e de um azul lindo, com o solo totalmente coberto de branco por causa da neve, formando um contraste espetacular. Um cenário preparado especialmente para os guerreiros alados.
A 5 milhas de Sinuijo, fizeram uma curva à direita, abriram a formatura e começaram patrulhar ao longo do Rio Yalu, mantendo o sol por trás. De repente, ouve-se no rádio um grito de "Bandidos às 9 horas baixo, cruzando BAKER 02". Eram quatro Migs, cruzando 20 mil pés e subindo rapidamente, a uma milha a frente dos Sabres. O comandante ordenou imediatamente que se alijassem os tanques subalares, mas seu rádio falhou. A esquadrilha de Migs se posicionou a direita dos Sabres, e realizando uma curva que os levaria diretamente a eles. Sem perder tempo, o comandante americano alijou seu tanque externo, empurrou as manetes do motor toda à frente, realizando um curva apertada, que os levou para uma posição favorável em relação aos Migs, ou seja, os Migs subiam em direção aos Sabres e esses desciam em direção aos Migs. O líder e o nº 2 atacavam o líder dos Migs, enquanto que os nº 3 e 4 atacavam os demais. Quando estavam separadas de uns 4 mil pés, os tanques subalares dos Migs se ejetaram. Esses tanques dos Migs, montados quase que sob a fuselagem, ficavam muito junto da superfície inferior das asas, e possuíam um mecanismo de ejeção, que os faziam primeiro torcer e depois rodar, largando um longo rastro de combustível.
Nessa altura do combate, a velocidade dos Sabres era enorme, chegando a alcançar 0,98 Mach, e os Migs começaram a se afastar uns dos outros, com os nº 3 e 4 passando por baixo do nº 1 e 2, que mudavam de uma subida com curva à direta para um vôo nivelado, com o líder ligeiramente mais alto que o nº 2. O Ten Cel Hinton, abriu fogo, quando estava a uns 1.500 pés de distância dos Migs, com suas seis metralhadoras .50, e observou que o líder havia sido atingido, provavelmente em seu tanque interno e ao mesmo tempo que o seu nº 2 não estava mais com ele. Notou também que o líder dos Migs realizou uma curva de 35° para a esquerda e ao mesmo tempo abriu e fechou seu flap de mergulho, fato esse que permitiu que o Sabre se aproximasse mais ainda do Mig e disparasse uma nova rajada, desta vez atingindo-o mortalmente. Pedaços da fuselagem se soltaram e ao mesmo tempo uma chama consumia o motor. Ele perdeu rapidamente velocidade, e o piloto do Sabre teve que que abrir seu air brake, e reduzir o motor para evitar o choque. As aeronaves passaram a voar muito lentamente, com o Sabre acompanhando o Mig muito de perto. O Mig perdia altitude rapidamente, inclinado 45° para a esquerda, mas não explodia, embora as chamas o consumisse. Uma nova rajada foi dada, e desta vez era o fim. Pelo rádio, o Ten Cel Hinton escutava a conversa das outras três aeronaves, mas estava incapacitado de responder nem de localiza-las. O nº 2 dizia que tinha visto uma aeronave cair em chamas, mas não sabia dizer se era um Mig ou um Sabre. Foi um longo regresso solitário para Kimpo do Ten Cel Hinton, mas feliz da vida, por ser o primeiro piloto de F-86 a abater um Mig-15.
O desempenho e a robustez do Mig-15 fiou enfatizada neste combate. Muitos deles foram, ao longo da guerra duramente atingidos, mas não caíram. Neste combate, o Ten Cel Hinton gastou 1 802 cartuchos de suas metralhadoras para derrubar o Mig. A partir dessa data, os Migs passaram a voar em formações mais numerosas. Cinco dias mais tarde, 15 Migs combateram 9 Sabres e em outra ocasião 35 Migs combateram 16 jatos da USAF.
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Nos primeiros seis meses da Guerra da Coréia, a balança pendeu desde a quase fatal crise do Perímetro de Pusan ao salvador desembarque de Inchon, chegando a total derrota das forças norte-coreanas. Os pilotos americanos e britânicos literalmente destruíram tudo o que voava contra eles. O que restou da Força Aérea Norte Coreana era quase nada, deixando apenas os dois melhores caças a jato daquela época, a luta pela conquista dos céus.
Essa segunda fase da guerra, apresentava um novo aspecto, com as tropas da ONU na defesa, numa lenta e desgastante retirada, tudo isso tendo um rigoroso inverno como pano de fundo. A chegada dos F-86A ao teatro de operações, aumentava a possibilidade de se reconquistar a superioridade aérea, embora a localização muito ao sul de suas bases, prejudicasse um pouco sua atuação operacional. Os Mig-15 chineses operavam a partir de santuários, onde os F-86 chegavam no limite de seu raio de ação de combate. As dificuldades para se obter uma vantagem eram enormes, mesmo considerando-se que a maioria de seus pilotos fosse composta de veteranos da 2ª Guerra Mundial, com muita experiência em combate.
Durante aqueles dias de Dezembro de 1950, enquanto o 8º Exército recuava em direção ao oeste e o X Corpo em direção a leste, tudo levava a crer que a intervenção chinesa resultaria em uma guerra global envolvendo também a União Soviética. Esse receio influenciava a política dos Estados Unidos e de seus aliados. Um cessar fogo, em vez de uma vitória militar, passou a ser considerado como o verdadeiro objetivo das operações aliadas, opinião essa apoiada principalmente Grã-Bretanha a qualquer preço. Os americanos já não eram tão favoráveis a essa opinião, principalmente se as tropas de MacArthur fossem ficar em desvantagem.
O 4º Grupo de Caças, em apenas duas semanas de combate, durante o mês de dezembro de 1950, provou que os F-86 e seus pilotos estavam preparados para combater e vencer os Mig-15. Realizaram nessas semanas, 234 saídas, 76 Sabres engajaram combate, destruindo 8, provavelmente mais 2 e danificando 7 aeronaves Mig-15. Nos céus, a balança começava a pender para as forças da ONU, mas em terra, mais de um milhão de soldados chineses atropelavam tudo o que viam pela frente, e as tropas da ONU simplesmente não tinham número suficiente de soldados para combater.

Um B-26 Invader do 3º Grupo de Bombardeiros.
Durante as três primeiras semanas de janeiro de 1951, alguns encontros ocorreram entre os Sabres e os Migs, mas ninguém abateu ninguém. A Guerra Aérea estava acontecendo à baixa altitude, com os Mustangs e F-80 apoiando as tropas e atacando as linhas de suprimento chinesas. Nessa época chegaram à Coréia os primeiros F-84 Thunderjet, pertencentes ao 27º Grupo de Caça, para serem utilizados como caça-bombardeiros, enquanto que os B-26 dos Marines continuavam a realizar suas missões de interdição noturna e os B-29 a lançar toneladas de explosivos em alvos estratégicos na Coréia do Norte. Evidentemente que os chineses rapidamente perceberam que a balança começava a pender para o lado da ONU, e cada vez mais, os Migs foram se engajando nos combates, procurando destruir toda e qualquer aeronave que carregasse bombas. De modo estranho, visto que sua missão básica era o apoio às tropas terrestres, as cinco primeiras vitórias ocorridas no ano de 1951, são devidas aos F-84, sendo que também nesse período é devido a um piloto de F-84, o 1º tenente Jacob Kratt, o primeiro derrube duplo de Mig-15. O F-84, era uma aeronave produzida pela North American, sendo um lógico sucessor do P-47 Thunderbolt, por ser também muito robusto e resistente. Tinha necessidade de decolar nos dias quentes de verão com auxílio do JATO (jet-assisted take-off), mas no ar sua velocidade de cruzeiro era de 510 mph (820 km/h), podendo carregar 8 000 lb de bombas ou foguetes, além de seis metralhadoras .50. A um F-84 é também devido o primeiro reabastecimento em vôo, durante uma missão de combate, quando em maio de 1951, o Tenente Coronel Donald T. Mageean, reabasteceu seu Thunderjet do 116º Esquadrão de Caça-Bombardeio, a partir de um KB-29 do 43º Esquadrão de Reabastecimento Aéreo, estando sua aeronave carregada com duas bombas de 1 000 lb cada além de oito foguetes.

Um F-84E do 27º Grupo em Kimpo.
O Mig-15 fora originalmente projetado para defender o espaço aéreo da União Soviética contra ataques de bombardeiros. Ele era rápido, bem armado e as altas altitudes não eram problema, ou seja, ele estava em seu habitat natural quando interceptava as B-29. Descer a menos de 5 000 pés para atacar os caça-bombardeiros não era interessante para os Migs. Essa desvantagem era compensada com a enorme capacidade que possuíam de subir, retornando à altas altitudes, neutralizando qualquer erro quando da tentativa de atacar as aeronaves que voavam mais baixo, além é claro de estarem combatendo próximo de suas bases, praticamente eliminando o problema combustível. Durante o mês de janeiro, os Migs se mostraram pouco agressivos nos combates contra os F-86, visto que se preocuparam mais com os caças-bombardeiros, esses sim, interferindo nas ações terrestres do Exército Chinês, por outro lado, o número de F-86 aumentava, fato esse que num futuro próximo prejudicaria as ações dos Migs.
O primeiro grupo de Mig-15 soviéticos, ficou baseado na Manchúria desde 1950 (antes mesmo do início da guerra) até janeiro de 1951, quando foi substituído. Fora um período duro, mesmo para os veteranos da 2ª Guerra Mundial, uma vez que os combates agora eram travados a velocidades quase que supersônicas, o que desgastava demais os pilotos. As táticas e teorias de guerra aérea da década de 40 tinham que ser revistas, e talvez o maior erro cometido pelos soviéticos, tenha sido o de substituir todo o grupo de uma vez só, com a experiência não sendo transmitida para os que chegavam. Isso não acontecia com os americanos, pois a transmissão da experiência era uma meta, a assim sempre havia uma mescla de veteranos e novatos nas unidades. Essa política salvou muitas vidas como contribuiu sobremaneira para a elevada relação de aeronaves abatidas em relação as perdidas.
As duas aeronaves mais vulneráveis durante a Guerra da Coréia foram os B-26 e os B-29, basicamente devido a sua pouca velocidade. Os B-26 não tiveram muitas oportunidades de se encontrar com os Migs, visto que nessa fase da guerra, suas missões a baixa altura eram realizadas à noite. Entretanto os B-29 não tiveram tanta sorte, embora apenas 16 tenham sido abatidas pelos Migs, mas quase todas sofreram danos severos quando encontravam aquele pequeno caça. Por outro lado, 27 vitórias aéreas são creditadas aos artilheiros das B-29, mesmo considerando-se os critérios para confirmação das mesmas, que eram muito rígidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, muito raramente era atribuído a um artilheiro a derrubada de uma aeronave inimiga, visto que por voarem em formações numerosas, a possibilidade de vários artilheiros solicitarem a derrubada de uma mesma aeronave, era muito grande, mas na Coréia, as B-29 voavam em formações muito pequenas (normalmente quatro aeronaves), e assim era muito menos provável acontecer coisas desse tipo. Se dois pilotos atirassem e destruíssem uma aeronave, cada um recebia um crédito de ½ avião abatido. Na US Navy e nos Marines, os pedidos de crédito eram avaliados pelo comandante imediato, mas só concedidos pelo comandante geral da unidade.

Uma formação de B-29 do 28º Esquadrão
de Bombardeios sobre a Coréia do Norte.
Entre os dias 22 de dezembro de 1950 e 3 de abril de 1951, nenhum F-86 abateu avião algum, devido principalmente ao domínio dos céus por sobre a área chamada de Mig Alley, uma vez que, por mais bem treinados e experimentados que fossem, os pilotos americanos lutavam na razão de 1 contra 25 !!! Isso não queria dizer que os Migs realmente eram melhores que os Sabres, apenas que aqueles não se aventuravam muito além do Rio Yalu, ou seja, só combatiam em condições favoráveis.
Em terra, a guerra movia-se em direção ao paralelo 38, e com exceção daquele pedaço de céu, as aeronaves da ONU dominavam os ares, infringindo enormes baixas nas tropas e nas linhas de suprimento chinesas. No dia 4 de janeiro, o 4º Grupo de Caça teve que retornar à sua base no Japão, bem como os F-80 do 51º Grupo de Caça, sendo que esses quase foram pegos de surpresa no solo, quando tropas chinesas se aproximaram perigosamente do perímetro defensivo da base, obrigando-os a decolar a atacar as mesmas. Mesmo sem possuir o domínio do ar, os chineses tomaram Seul, Osan e Taegu, mas com muitas baixas devido principalmente aos intensos ataques aéreos por parte da aviação da ONU. Em março, uma contra-ofensiva aliada era desencadeada, e no dia 14 Seul foi retomada. Três semanas depois, os chineses tentaram retomar Seul, mas as tropas da ONU, já reforçadas com unidades britânicas do Regimento de Gloucester, resistiram, e o ataque falhou. O comando da ONU verificando que a base aéreas de Taegu estava segura, fez com que os F-86 retornassem do Japão no dia 22 de fevereiro. A missão principal do 4º Grupo de Caça passou a ser escolta aos B-29, que atacavam alvos localizados bem ao norte da Coréia do Norte.
Durante os cinco primeiros meses de 1951, as unidades aéreas da US Navy e da Royal Navy, compondo a Força Tarefa 77, estiveram dedicadas exclusivamente a missões de apoio aéreo aproximado, com quatro porta-aviões envolvidos (dois em operação, um sendo reabastecido / reserva e outro no Japão). O porta-aviões que ficava na reserva, poderia ser colocado em operações em 12 horas, e cada um deles podia lançar 100 missões por dia e carregavam 81 aeronaves cada (Um esquadrão de F9F, dois de Corsairs, um de A4D Skyrider e o restante eram aeronaves especiais como Corsairs para caça noturna ou para foto reconhecimento etc...). Durante esse período foram voadas 33 361 missões de combate, sendo que somente no mês de maio foram realizadas 8 400 , mas ao mesmo tempo que o número de missões aumentava, as perdas acompanhavam. Foram perdidos nesse período quatro F9F, dois F7F, oito A4D e 69 F4U Corsairs. As aeronaves mais populares entre as tropas terrestres eram os Corsairs e os Mustangs, que embora fossem ainda aeronaves da 2a Guerra Mundial, realizaram um magnífico trabalho. As perdas também eram maiores, visto serem mais lentas que os jatos, e realizarem ataques quase que dentro das trincheiras, expondo-os muito ao fogo das metralhadoras antiaéreas e pessoais.
Uma das maiores, talvez a maior batalha aérea da Guerra da Coréia, ocorreu no dia 12 de abril de 1951, quando Mig-15 atacaram três grupos de B-29, quando essas atacavam a ponte ferroviária de Simuiju, escoltadas não pelos F-86, mas por F-84 do 27° Grupo de Caça. Decolaram neste dia 49 B-29, mas devido a problemas mecânicos, apenas 39 continuaram a missão, prejudicando a formatura e obrigando os F-84 a cobrirem os buracos deixados pelos bombardeiros faltantes. Mais de 10 Migs foram abatidos, alguns inclusive pelos artilheiros das B-29. Neste mesmo mês, os F-86 começaram a operar a partir da base de Suwon, localizada mais ao norte e em melhores condições operacionais do que Taegu, fato esse que permitia aos caças americanos uma maior autonomia de vôo no Mig Alley. Rapidamente os resultados começaram a aparecer, pois foram derrubados 15 aeronaves inimigas, com uma provável e 22 danificadas.

Um F-86F do 335º Esquadrão de Caça
Durante a Guerra da Coréia, em várias ocasiões, os pilotos da ONU reportaram em seus relatórios de combate a presença de F-80 ou mesmo de F-86, que faziam-se passar por aeronaves americanas, para atraírem e emboscarem outras aeronaves. O que se sabe de verdade é que os russos conseguiram, não se sabe como, adquirir um F-86, remonta-lo e voarem a aeronave na região de Moscou, mas nunca na Coréia. Existe ainda a possibilidade de que alguma aeronave tenha feito uma aterrisagem forçada, não tenha se danificado muito, e tenha sido levado para estudos pelos chineses.
As notícias da impressa internacional só relatavam as operações diurnas dos F-86 e dos caça-bombardeiros, esquecendo da dura missão e importante missão dos caças-bombardeiros noturnos, uma vez que era nesse horário que os chineses movimentavam suas tropas e suprimento. O mundo da escuridão era dominado pelos mais talentosos pilotos, e incluía dos Corsairs F4U-5N e os Tigercat F7F-3N dos Marines e os B-26 Invaders da USAF. O trabalho dessa aeronaves era de atacar as rotas de suprimento dos chineses na fronteira das Coréias, logo ao sul do paralelo 38, complementando os ataques realizados de dia pelos B-29. Nos primeiros 12 meses de guerra, essas aeronaves voaram mais de 3 000 missões noturnas. Esses ataques eram realizados com foguetes ou pequenas bombas, além das metralhadoras normais.

Tigercats do Esquadrão VMF(N)-542 em Pusan
Durante os primeiros dias de junho de 1951, ficou óbvio para os analistas americanos que o número de Migs presentes nos aeródromos chineses havia aumentado consideravelmente (de 200 para aproximadamente 450), indicando quão frágil era a supremacia do 4º Grupo de Caça, que contava com apenas 90 F-86, dos quais apenas 44 localizados nos aeródromos mais avançados, ao mesmo tempo que o nível de experiência dos pilotos chineses estava aumentando, e eles estavam se arriscando mais ao sul, ultrapassando os limites do Mig Alley e se aventurando além da capital Pyongyang. Se essa tendência continuasse, era fato consumado para o comando da 5ª Força Aérea que os F-86 ficariam em situação muito desfavorável, independentemente do nível de proficiência e experiência de seus pilotos. Destaca-se nesses dias que um B-26, do 8º Esquadrão do 3º Grupo de Bombardeiros, quando realizando uma missão noturna, conseguiu uma vitória aérea contra uma aeronave Po-2
A 5ª Força Aérea continuava a obter informações sobre tudo o que estava acontecendo nas bases vermelhas da Manchúria. No meio do verão daquele ano, chegou a informação de que os chineses possuíam consultores russos e que esses consultores voavam em combate. Na realidade, só em 1990, é que ficou-se sabendo que desde o início da guerra, todos os pilotos de Migs ou eram soviéticos ou eram de países do Pacto de Varsóvia. O Serviço de Inteligência descobriu também que toda a atividade aérea nos céus da Coréia do Norte, eram controladas a partir de instalações existentes na base de Antung, que as unidades aéreas chinesas e coreanas operavam basicamente da base de Mukden, e que os chineses possuíam mais de mil aeronaves de combate prontas a serem utilizadas na guerra.
Desde quando o Exército Popular da China entro na guerra, até o início do verão de 1951, houve um maciço esforço dos engenheiros chineses e norte coreanos, em recolocar algumas bases aéreas em operação. Missões diárias de reconhecimento aéreo realizadas pelos P-51 do 45º Esquadrão de Reconhecimento Tático e pelos RF-80 do 15º Esquadrão, revelaram essa situação, com bombardeios sendo realizados de modo a impedir ou prejudicar os serviços. Ficou claro também que, enquanto as aeronaves americanas dominassem os céus, não haveria base comunista que pudesse ser operada. À essa conclusão também chegaram os chineses, e por isso seus esforços passaram a se concentrar na construção de bases aéreas na região ao norte do Rio Yalu, no complexo de Antung. As primeiras duas bases ficavam em Ta-tung-kou e Ta-ku-shan, e as instalações existentes em Antung, indicavam a capacidade de operação de diversos esquadrões de Migs, tudo indicando que a União Soviética iria fornecer um número significativo dessas aeronaves para os chineses.

Um RF-80 do 15º Esquadrão de Reconhecimento Tático
A guerra se encontrava em seu 16º mês, e não havia sinais de seu término. Os chineses colocavam no ar, mais e mais aeronaves, e os pilotos de F-86, conseguiam observar à distância a quantidade de aeronaves disponíveis em Antung e imaginavam o que poderia acontecer se os comunistas resolvessem colocar todas no ar de uma só vez. O 4º Grupo de Caça teve então de modificar sua tática, de modo a poder combater de igual para igual o crescente número de Migs, ao mesmo tempo que 75 novos F-86E eram embarcados para a Coréia, e equipariam o 51º Grupo de Caça, que voavam F-80 desde o início da guerra, que seriam transferidos para o 8º Grupo de Caça Bombardeiros. O Cel Francis Gabreski, ás da 2ª Guerra Mundial, foi nomeado comandante do 51º Grupo. Quando os novos F-86E chegaram ao Japão, a bordo dos porta-aviões USS Esperance e USS Siko Bay, o número de F-86 alocados à 5ª Força Aérea passou a ser de 165, dos quais 127 estariam estacionados na Coréia do Sul.
No final do verão de 1951, os esquadrões de Mig-15 começaram a empregar novas táticas, a maioria das quais bastante efetivas. A missão dos Migs, era inicialmente, a de destruir as aeronaves mais lentas que atacavam as rodovias e ferrovias, e como as aeronaves da ONU tiveram que operar bem ao norte da Coréia, próximo ao santuário dos Migs, esses não corriam muitos riscos. A que obteve maior sucesso, era denominada "pinçar e envolver", e consistia no envio de uns 50 a 60 Migs voando ao longo da costa oeste enquanto que grupo similar voava na região central. Essa aeronaves voavam em uma longa formação, chamada pelos americanos de "trens", a pelo menos 35 000 pés de altura. A aproximarem-se da capital Pyongyang, desciam até 20 000 pés, e tomavam a direção norte, ao longo da rota principal de suprimento rodoviário. Suas pressas seriam os caça-bombardeiros retornando das missões, com pouco combustível, podendo inclusive encontrarem algum F-86 nessas mesmas condições. Nesse período um F-80 e dois F-84 foram derrubados, mas inúmeras missões foram abortadas, com as aeronaves tendo que largar suas cargas em qualquer lugar. A qualidade dos pilotos chineses continuava baixa, e não podiam combater os experientes pilotos americanas à baixa altitude.
No outono de 1951, a situação do 4º Grupo de Caça era quase que desesperadora, mas nada era publicado, visto que isso poderia significar um sinal verde para os Migs operarem mais ao sul. A falta de peças de manutenção fez com que a disponibilidade operacional caísse para menos de 50%. Todas as tentativas do Coronel Harrison Thyng, comandante da unidades eram prejudicadas pela burocracia, não só causando problemas com os Migs, mas também colocando a vida dos pilotos americanos em risco, por problemas mecânicos. Sua saída foi o envio de uma carta pessoal ao General Vandenberg, onde começo com a seguinte frase: "De hoje em diante, não sou mais responsável pela supremacia aérea no noroeste da Coréia ...." Quatro dias depois, os suprimentos começaram a chegar. Com a crise superada, o 4º Grupo de Caças juntamente com o 51º, continuaram a dominar os céus sobre a Coréia, aumentando cada vez mais a "kill ratio".
No início do inverno de 1951, a Inteligência da ONU recebia informações de que um novo regimento de aviação chinês havia chegado à base de Ta-ku-shan, elevando o número de Mig-15 nessa base para 290. As demais bases da região operavam com a mesma quantidade de aeronaves. Durante o mês de novembro, os F-86 começaram a encontra novos modelos de Mig-15, conhecidos por Mig-15bis, que possuíam um motor mais potente, com 6 000 lb de empuxo. Durante o mês de novembro os Mig realizaram cerca de 2 400 missões e em dezembro esse número subiria para 4 000. Entre os dias 3 e 8 de dezembro, a audácia dos Migs foi tanta, que alguns chegaram a ser observados voando sobre Seul.
A primeira missão de combate do 51º Grupo de Caça, agora equipado com F-86E, ocorreu no dia 1 de dezembro, quando os dois esquadrões (o 16º e 25º) se encontraram com 40 Migs, que atacavam um grupo de Gloster Meteor F-8 da Royal Australian Air Force. Nesse combate, o Flying Officer Bruce Gogerly, do Esquadrão Nº 77, abateu um dos quatro Mig-15 creditados a um Gloster na guerra, embora este fosse infinitamente inferior ao Mig-15. Nesse combate, os Migs abateram 3 Glosters. Nos primeiros 13 dias de dezembro, os comunistas perderam 27 aeronaves em combate, o que fez com que mais uma vez recuassem em sua ousadia, evitando os Sabres, ao permanecerem sempre voando acima dos 50 000 pés, onde os F-86 não apareciam.

Um Gloster Meteor do Esquadrão Australiano Nº 77
em Kimpo.
O 51º Grupo de Caça (Checkertails), operou durante boa parte da guerra, da base aérea de Suwon (K-13), localizada a 40 km ao sul de Seul, e produziu o líder dos ases, o Capitão Joseph McConnell, que abateu 16 aeronaves inimigas. Sua identificação visual inicial era uma faixa amarela transversal na fuselagem, que mais tarde se tornaria padrão para todos os Sabres. A deriva foi pintada de quadrados pretos sobre o metal prateado, como forma de homenagem aos P-51 utilizados pelo esquadrão durante a 2ª Guerra Mundial. O 51º Grupo produziu 12 ases, dos 40 que a USAF teve na Guerra da Coréia.
Mas não eram apenas os F-86 que alcançavam sucesso nesse período de guerra. Os B-29, agora realizando missões de bombardeamento noturna de alta precisão, conseguiam destruir com eficiência os alvos designados, utilizando bombas de 500 lb. Os chineses rapidamente responderam a isso, instalando inúmeras unidades de artilharia anti-aérea controladas por radar, bem como holofotes poderosíssimos, tudo lembrando as missões da 2ª Guerra Mundial. As unidades de caça chinesa, foram relocadas mais ao sul, para permitir melhores opções da ataque, mas continuando a voar em grandes formações. O ano de 1952 seria muito trabalhoso para os F-86 e para os bombardeiros. Na terra, a linha de frente estava estagnada, e a guerra seria travada nos céus.
A GUERRA AÉREA NA CORÉIA
PARTE II
Nos primeiros seis meses da Guerra da Coréia, a balança pendeu desde a quase fatal crise do Perímetro de Pusan ao salvador desembarque de Inchon, chegando a total derrota das forças norte-coreanas. Os pilotos americanos e britânicos literalmente destruíram tudo o que voava contra eles. O que restou da Força Aérea Norte Coreana era quase nada, deixando apenas os dois melhores caças a jato daquela época, a luta pela conquista dos céus.
Essa segunda fase da guerra, apresentava um novo aspecto, com as tropas da ONU na defesa, numa lenta e desgastante retirada, tudo isso tendo um rigoroso inverno como pano de fundo. A chegada dos F-86A ao teatro de operações, aumentava a possibilidade de se reconquistar a superioridade aérea, embora a localização muito ao sul de suas bases, prejudicasse um pouco sua atuação operacional. Os Mig-15 chineses operavam a partir de santuários, onde os F-86 chegavam no limite de seu raio de ação de combate. As dificuldades para se obter uma vantagem eram enormes, mesmo considerando-se que a maioria de seus pilotos fosse composta de veteranos da 2ª Guerra Mundial, com muita experiência em combate.
Durante aqueles dias de Dezembro de 1950, enquanto o 8º Exército recuava em direção ao oeste e o X Corpo em direção a leste, tudo levava a crer que a intervenção chinesa resultaria em uma guerra global envolvendo também a União Soviética. Esse receio influenciava a política dos Estados Unidos e de seus aliados. Um cessar fogo, em vez de uma vitória militar, passou a ser considerado como o verdadeiro objetivo das operações aliadas, opinião essa apoiada principalmente Grã-Bretanha a qualquer preço. Os americanos já não eram tão favoráveis a essa opinião, principalmente se as tropas de MacArthur fossem ficar em desvantagem.
O 4º Grupo de Caças, em apenas duas semanas de combate, durante o mês de dezembro de 1950, provou que os F-86 e seus pilotos estavam preparados para combater e vencer os Mig-15. Realizaram nessas semanas, 234 saídas, 76 Sabres engajaram combate, destruindo 8, provavelmente mais 2 e danificando 7 aeronaves Mig-15. Nos céus, a balança começava a pender para as forças da ONU, mas em terra, mais de um milhão de soldados chineses atropelavam tudo o que viam pela frente, e as tropas da ONU simplesmente não tinham número suficiente de soldados para combater.

Um B-26 Invader do 3º Grupo de Bombardeiros.
Durante as três primeiras semanas de janeiro de 1951, alguns encontros ocorreram entre os Sabres e os Migs, mas ninguém abateu ninguém. A Guerra Aérea estava acontecendo à baixa altitude, com os Mustangs e F-80 apoiando as tropas e atacando as linhas de suprimento chinesas. Nessa época chegaram à Coréia os primeiros F-84 Thunderjet, pertencentes ao 27º Grupo de Caça, para serem utilizados como caça-bombardeiros, enquanto que os B-26 dos Marines continuavam a realizar suas missões de interdição noturna e os B-29 a lançar toneladas de explosivos em alvos estratégicos na Coréia do Norte. Evidentemente que os chineses rapidamente perceberam que a balança começava a pender para o lado da ONU, e cada vez mais, os Migs foram se engajando nos combates, procurando destruir toda e qualquer aeronave que carregasse bombas. De modo estranho, visto que sua missão básica era o apoio às tropas terrestres, as cinco primeiras vitórias ocorridas no ano de 1951, são devidas aos F-84, sendo que também nesse período é devido a um piloto de F-84, o 1º tenente Jacob Kratt, o primeiro derrube duplo de Mig-15. O F-84, era uma aeronave produzida pela North American, sendo um lógico sucessor do P-47 Thunderbolt, por ser também muito robusto e resistente. Tinha necessidade de decolar nos dias quentes de verão com auxílio do JATO (jet-assisted take-off), mas no ar sua velocidade de cruzeiro era de 510 mph (820 km/h), podendo carregar 8 000 lb de bombas ou foguetes, além de seis metralhadoras .50. A um F-84 é também devido o primeiro reabastecimento em vôo, durante uma missão de combate, quando em maio de 1951, o Tenente Coronel Donald T. Mageean, reabasteceu seu Thunderjet do 116º Esquadrão de Caça-Bombardeio, a partir de um KB-29 do 43º Esquadrão de Reabastecimento Aéreo, estando sua aeronave carregada com duas bombas de 1 000 lb cada além de oito foguetes.

Um F-84E do 27º Grupo em Kimpo.
O Mig-15 fora originalmente projetado para defender o espaço aéreo da União Soviética contra ataques de bombardeiros. Ele era rápido, bem armado e as altas altitudes não eram problema, ou seja, ele estava em seu habitat natural quando interceptava as B-29. Descer a menos de 5 000 pés para atacar os caça-bombardeiros não era interessante para os Migs. Essa desvantagem era compensada com a enorme capacidade que possuíam de subir, retornando à altas altitudes, neutralizando qualquer erro quando da tentativa de atacar as aeronaves que voavam mais baixo, além é claro de estarem combatendo próximo de suas bases, praticamente eliminando o problema combustível. Durante o mês de janeiro, os Migs se mostraram pouco agressivos nos combates contra os F-86, visto que se preocuparam mais com os caças-bombardeiros, esses sim, interferindo nas ações terrestres do Exército Chinês, por outro lado, o número de F-86 aumentava, fato esse que num futuro próximo prejudicaria as ações dos Migs.
O primeiro grupo de Mig-15 soviéticos, ficou baseado na Manchúria desde 1950 (antes mesmo do início da guerra) até janeiro de 1951, quando foi substituído. Fora um período duro, mesmo para os veteranos da 2ª Guerra Mundial, uma vez que os combates agora eram travados a velocidades quase que supersônicas, o que desgastava demais os pilotos. As táticas e teorias de guerra aérea da década de 40 tinham que ser revistas, e talvez o maior erro cometido pelos soviéticos, tenha sido o de substituir todo o grupo de uma vez só, com a experiência não sendo transmitida para os que chegavam. Isso não acontecia com os americanos, pois a transmissão da experiência era uma meta, a assim sempre havia uma mescla de veteranos e novatos nas unidades. Essa política salvou muitas vidas como contribuiu sobremaneira para a elevada relação de aeronaves abatidas em relação as perdidas.
As duas aeronaves mais vulneráveis durante a Guerra da Coréia foram os B-26 e os B-29, basicamente devido a sua pouca velocidade. Os B-26 não tiveram muitas oportunidades de se encontrar com os Migs, visto que nessa fase da guerra, suas missões a baixa altura eram realizadas à noite. Entretanto os B-29 não tiveram tanta sorte, embora apenas 16 tenham sido abatidas pelos Migs, mas quase todas sofreram danos severos quando encontravam aquele pequeno caça. Por outro lado, 27 vitórias aéreas são creditadas aos artilheiros das B-29, mesmo considerando-se os critérios para confirmação das mesmas, que eram muito rígidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, muito raramente era atribuído a um artilheiro a derrubada de uma aeronave inimiga, visto que por voarem em formações numerosas, a possibilidade de vários artilheiros solicitarem a derrubada de uma mesma aeronave, era muito grande, mas na Coréia, as B-29 voavam em formações muito pequenas (normalmente quatro aeronaves), e assim era muito menos provável acontecer coisas desse tipo. Se dois pilotos atirassem e destruíssem uma aeronave, cada um recebia um crédito de ½ avião abatido. Na US Navy e nos Marines, os pedidos de crédito eram avaliados pelo comandante imediato, mas só concedidos pelo comandante geral da unidade.

Uma formação de B-29 do 28º Esquadrão
de Bombardeios sobre a Coréia do Norte.
Entre os dias 22 de dezembro de 1950 e 3 de abril de 1951, nenhum F-86 abateu avião algum, devido principalmente ao domínio dos céus por sobre a área chamada de Mig Alley, uma vez que, por mais bem treinados e experimentados que fossem, os pilotos americanos lutavam na razão de 1 contra 25 !!! Isso não queria dizer que os Migs realmente eram melhores que os Sabres, apenas que aqueles não se aventuravam muito além do Rio Yalu, ou seja, só combatiam em condições favoráveis.
Em terra, a guerra movia-se em direção ao paralelo 38, e com exceção daquele pedaço de céu, as aeronaves da ONU dominavam os ares, infringindo enormes baixas nas tropas e nas linhas de suprimento chinesas. No dia 4 de janeiro, o 4º Grupo de Caça teve que retornar à sua base no Japão, bem como os F-80 do 51º Grupo de Caça, sendo que esses quase foram pegos de surpresa no solo, quando tropas chinesas se aproximaram perigosamente do perímetro defensivo da base, obrigando-os a decolar a atacar as mesmas. Mesmo sem possuir o domínio do ar, os chineses tomaram Seul, Osan e Taegu, mas com muitas baixas devido principalmente aos intensos ataques aéreos por parte da aviação da ONU. Em março, uma contra-ofensiva aliada era desencadeada, e no dia 14 Seul foi retomada. Três semanas depois, os chineses tentaram retomar Seul, mas as tropas da ONU, já reforçadas com unidades britânicas do Regimento de Gloucester, resistiram, e o ataque falhou. O comando da ONU verificando que a base aéreas de Taegu estava segura, fez com que os F-86 retornassem do Japão no dia 22 de fevereiro. A missão principal do 4º Grupo de Caça passou a ser escolta aos B-29, que atacavam alvos localizados bem ao norte da Coréia do Norte.
Durante os cinco primeiros meses de 1951, as unidades aéreas da US Navy e da Royal Navy, compondo a Força Tarefa 77, estiveram dedicadas exclusivamente a missões de apoio aéreo aproximado, com quatro porta-aviões envolvidos (dois em operação, um sendo reabastecido / reserva e outro no Japão). O porta-aviões que ficava na reserva, poderia ser colocado em operações em 12 horas, e cada um deles podia lançar 100 missões por dia e carregavam 81 aeronaves cada (Um esquadrão de F9F, dois de Corsairs, um de A4D Skyrider e o restante eram aeronaves especiais como Corsairs para caça noturna ou para foto reconhecimento etc...). Durante esse período foram voadas 33 361 missões de combate, sendo que somente no mês de maio foram realizadas 8 400 , mas ao mesmo tempo que o número de missões aumentava, as perdas acompanhavam. Foram perdidos nesse período quatro F9F, dois F7F, oito A4D e 69 F4U Corsairs. As aeronaves mais populares entre as tropas terrestres eram os Corsairs e os Mustangs, que embora fossem ainda aeronaves da 2a Guerra Mundial, realizaram um magnífico trabalho. As perdas também eram maiores, visto serem mais lentas que os jatos, e realizarem ataques quase que dentro das trincheiras, expondo-os muito ao fogo das metralhadoras antiaéreas e pessoais.
Uma das maiores, talvez a maior batalha aérea da Guerra da Coréia, ocorreu no dia 12 de abril de 1951, quando Mig-15 atacaram três grupos de B-29, quando essas atacavam a ponte ferroviária de Simuiju, escoltadas não pelos F-86, mas por F-84 do 27° Grupo de Caça. Decolaram neste dia 49 B-29, mas devido a problemas mecânicos, apenas 39 continuaram a missão, prejudicando a formatura e obrigando os F-84 a cobrirem os buracos deixados pelos bombardeiros faltantes. Mais de 10 Migs foram abatidos, alguns inclusive pelos artilheiros das B-29. Neste mesmo mês, os F-86 começaram a operar a partir da base de Suwon, localizada mais ao norte e em melhores condições operacionais do que Taegu, fato esse que permitia aos caças americanos uma maior autonomia de vôo no Mig Alley. Rapidamente os resultados começaram a aparecer, pois foram derrubados 15 aeronaves inimigas, com uma provável e 22 danificadas.

Um F-86F do 335º Esquadrão de Caça
Durante a Guerra da Coréia, em várias ocasiões, os pilotos da ONU reportaram em seus relatórios de combate a presença de F-80 ou mesmo de F-86, que faziam-se passar por aeronaves americanas, para atraírem e emboscarem outras aeronaves. O que se sabe de verdade é que os russos conseguiram, não se sabe como, adquirir um F-86, remonta-lo e voarem a aeronave na região de Moscou, mas nunca na Coréia. Existe ainda a possibilidade de que alguma aeronave tenha feito uma aterrisagem forçada, não tenha se danificado muito, e tenha sido levado para estudos pelos chineses.
As notícias da impressa internacional só relatavam as operações diurnas dos F-86 e dos caça-bombardeiros, esquecendo da dura missão e importante missão dos caças-bombardeiros noturnos, uma vez que era nesse horário que os chineses movimentavam suas tropas e suprimento. O mundo da escuridão era dominado pelos mais talentosos pilotos, e incluía dos Corsairs F4U-5N e os Tigercat F7F-3N dos Marines e os B-26 Invaders da USAF. O trabalho dessa aeronaves era de atacar as rotas de suprimento dos chineses na fronteira das Coréias, logo ao sul do paralelo 38, complementando os ataques realizados de dia pelos B-29. Nos primeiros 12 meses de guerra, essas aeronaves voaram mais de 3 000 missões noturnas. Esses ataques eram realizados com foguetes ou pequenas bombas, além das metralhadoras normais.

Tigercats do Esquadrão VMF(N)-542 em Pusan
Durante os primeiros dias de junho de 1951, ficou óbvio para os analistas americanos que o número de Migs presentes nos aeródromos chineses havia aumentado consideravelmente (de 200 para aproximadamente 450), indicando quão frágil era a supremacia do 4º Grupo de Caça, que contava com apenas 90 F-86, dos quais apenas 44 localizados nos aeródromos mais avançados, ao mesmo tempo que o nível de experiência dos pilotos chineses estava aumentando, e eles estavam se arriscando mais ao sul, ultrapassando os limites do Mig Alley e se aventurando além da capital Pyongyang. Se essa tendência continuasse, era fato consumado para o comando da 5ª Força Aérea que os F-86 ficariam em situação muito desfavorável, independentemente do nível de proficiência e experiência de seus pilotos. Destaca-se nesses dias que um B-26, do 8º Esquadrão do 3º Grupo de Bombardeiros, quando realizando uma missão noturna, conseguiu uma vitória aérea contra uma aeronave Po-2
A 5ª Força Aérea continuava a obter informações sobre tudo o que estava acontecendo nas bases vermelhas da Manchúria. No meio do verão daquele ano, chegou a informação de que os chineses possuíam consultores russos e que esses consultores voavam em combate. Na realidade, só em 1990, é que ficou-se sabendo que desde o início da guerra, todos os pilotos de Migs ou eram soviéticos ou eram de países do Pacto de Varsóvia. O Serviço de Inteligência descobriu também que toda a atividade aérea nos céus da Coréia do Norte, eram controladas a partir de instalações existentes na base de Antung, que as unidades aéreas chinesas e coreanas operavam basicamente da base de Mukden, e que os chineses possuíam mais de mil aeronaves de combate prontas a serem utilizadas na guerra.
Desde quando o Exército Popular da China entro na guerra, até o início do verão de 1951, houve um maciço esforço dos engenheiros chineses e norte coreanos, em recolocar algumas bases aéreas em operação. Missões diárias de reconhecimento aéreo realizadas pelos P-51 do 45º Esquadrão de Reconhecimento Tático e pelos RF-80 do 15º Esquadrão, revelaram essa situação, com bombardeios sendo realizados de modo a impedir ou prejudicar os serviços. Ficou claro também que, enquanto as aeronaves americanas dominassem os céus, não haveria base comunista que pudesse ser operada. À essa conclusão também chegaram os chineses, e por isso seus esforços passaram a se concentrar na construção de bases aéreas na região ao norte do Rio Yalu, no complexo de Antung. As primeiras duas bases ficavam em Ta-tung-kou e Ta-ku-shan, e as instalações existentes em Antung, indicavam a capacidade de operação de diversos esquadrões de Migs, tudo indicando que a União Soviética iria fornecer um número significativo dessas aeronaves para os chineses.

Um RF-80 do 15º Esquadrão de Reconhecimento Tático
A guerra se encontrava em seu 16º mês, e não havia sinais de seu término. Os chineses colocavam no ar, mais e mais aeronaves, e os pilotos de F-86, conseguiam observar à distância a quantidade de aeronaves disponíveis em Antung e imaginavam o que poderia acontecer se os comunistas resolvessem colocar todas no ar de uma só vez. O 4º Grupo de Caça teve então de modificar sua tática, de modo a poder combater de igual para igual o crescente número de Migs, ao mesmo tempo que 75 novos F-86E eram embarcados para a Coréia, e equipariam o 51º Grupo de Caça, que voavam F-80 desde o início da guerra, que seriam transferidos para o 8º Grupo de Caça Bombardeiros. O Cel Francis Gabreski, ás da 2ª Guerra Mundial, foi nomeado comandante do 51º Grupo. Quando os novos F-86E chegaram ao Japão, a bordo dos porta-aviões USS Esperance e USS Siko Bay, o número de F-86 alocados à 5ª Força Aérea passou a ser de 165, dos quais 127 estariam estacionados na Coréia do Sul.
No final do verão de 1951, os esquadrões de Mig-15 começaram a empregar novas táticas, a maioria das quais bastante efetivas. A missão dos Migs, era inicialmente, a de destruir as aeronaves mais lentas que atacavam as rodovias e ferrovias, e como as aeronaves da ONU tiveram que operar bem ao norte da Coréia, próximo ao santuário dos Migs, esses não corriam muitos riscos. A que obteve maior sucesso, era denominada "pinçar e envolver", e consistia no envio de uns 50 a 60 Migs voando ao longo da costa oeste enquanto que grupo similar voava na região central. Essa aeronaves voavam em uma longa formação, chamada pelos americanos de "trens", a pelo menos 35 000 pés de altura. A aproximarem-se da capital Pyongyang, desciam até 20 000 pés, e tomavam a direção norte, ao longo da rota principal de suprimento rodoviário. Suas pressas seriam os caça-bombardeiros retornando das missões, com pouco combustível, podendo inclusive encontrarem algum F-86 nessas mesmas condições. Nesse período um F-80 e dois F-84 foram derrubados, mas inúmeras missões foram abortadas, com as aeronaves tendo que largar suas cargas em qualquer lugar. A qualidade dos pilotos chineses continuava baixa, e não podiam combater os experientes pilotos americanas à baixa altitude.
No outono de 1951, a situação do 4º Grupo de Caça era quase que desesperadora, mas nada era publicado, visto que isso poderia significar um sinal verde para os Migs operarem mais ao sul. A falta de peças de manutenção fez com que a disponibilidade operacional caísse para menos de 50%. Todas as tentativas do Coronel Harrison Thyng, comandante da unidades eram prejudicadas pela burocracia, não só causando problemas com os Migs, mas também colocando a vida dos pilotos americanos em risco, por problemas mecânicos. Sua saída foi o envio de uma carta pessoal ao General Vandenberg, onde começo com a seguinte frase: "De hoje em diante, não sou mais responsável pela supremacia aérea no noroeste da Coréia ...." Quatro dias depois, os suprimentos começaram a chegar. Com a crise superada, o 4º Grupo de Caças juntamente com o 51º, continuaram a dominar os céus sobre a Coréia, aumentando cada vez mais a "kill ratio".
No início do inverno de 1951, a Inteligência da ONU recebia informações de que um novo regimento de aviação chinês havia chegado à base de Ta-ku-shan, elevando o número de Mig-15 nessa base para 290. As demais bases da região operavam com a mesma quantidade de aeronaves. Durante o mês de novembro, os F-86 começaram a encontra novos modelos de Mig-15, conhecidos por Mig-15bis, que possuíam um motor mais potente, com 6 000 lb de empuxo. Durante o mês de novembro os Mig realizaram cerca de 2 400 missões e em dezembro esse número subiria para 4 000. Entre os dias 3 e 8 de dezembro, a audácia dos Migs foi tanta, que alguns chegaram a ser observados voando sobre Seul.
A primeira missão de combate do 51º Grupo de Caça, agora equipado com F-86E, ocorreu no dia 1 de dezembro, quando os dois esquadrões (o 16º e 25º) se encontraram com 40 Migs, que atacavam um grupo de Gloster Meteor F-8 da Royal Australian Air Force. Nesse combate, o Flying Officer Bruce Gogerly, do Esquadrão Nº 77, abateu um dos quatro Mig-15 creditados a um Gloster na guerra, embora este fosse infinitamente inferior ao Mig-15. Nesse combate, os Migs abateram 3 Glosters. Nos primeiros 13 dias de dezembro, os comunistas perderam 27 aeronaves em combate, o que fez com que mais uma vez recuassem em sua ousadia, evitando os Sabres, ao permanecerem sempre voando acima dos 50 000 pés, onde os F-86 não apareciam.

Um Gloster Meteor do Esquadrão Australiano Nº 77
em Kimpo.
O 51º Grupo de Caça (Checkertails), operou durante boa parte da guerra, da base aérea de Suwon (K-13), localizada a 40 km ao sul de Seul, e produziu o líder dos ases, o Capitão Joseph McConnell, que abateu 16 aeronaves inimigas. Sua identificação visual inicial era uma faixa amarela transversal na fuselagem, que mais tarde se tornaria padrão para todos os Sabres. A deriva foi pintada de quadrados pretos sobre o metal prateado, como forma de homenagem aos P-51 utilizados pelo esquadrão durante a 2ª Guerra Mundial. O 51º Grupo produziu 12 ases, dos 40 que a USAF teve na Guerra da Coréia.
Mas não eram apenas os F-86 que alcançavam sucesso nesse período de guerra. Os B-29, agora realizando missões de bombardeamento noturna de alta precisão, conseguiam destruir com eficiência os alvos designados, utilizando bombas de 500 lb. Os chineses rapidamente responderam a isso, instalando inúmeras unidades de artilharia anti-aérea controladas por radar, bem como holofotes poderosíssimos, tudo lembrando as missões da 2ª Guerra Mundial. As unidades de caça chinesa, foram relocadas mais ao sul, para permitir melhores opções da ataque, mas continuando a voar em grandes formações. O ano de 1952 seria muito trabalhoso para os F-86 e para os bombardeiros. Na terra, a linha de frente estava estagnada, e a guerra seria travada nos céus.
Enquanto que as tropas Nações Unidas entravam no 31º mês de combates, as negociações de paz não progrediam e o fim da guerra parecia estar ainda muito longe, para uma guerra limitada, que deveria ter terminado em 1950, e que tornara-se um pesadelo para os comandantes militares e políticos do ocidente.

Um Curtiss C-46 em Pusan
No começo de 1953, o front estava mais ou menos na mesma posição que do início do conflito, o quantitativo de tropas chinesas ainda era impressionante, fazendo com que o total de tropas terrestres de ambos os lados, juntamente com as aeronaves, apresentasse um valor nunca antes alcançado. Para um observador externo, tudo parecia estagnado, mas isso não era bem a realidade, pois um "jogo de xadrez" era jogado pelas tropas da ONU e pelos chineses, sendo que a ONU possuía um trunfo, qual seja, as operações dos caças bombardeios. Eles continuavam a dificultar cada vez mais o movimento logístico dos chineses em direção ao sul, impedindo-os de executar uma ofensiva forte e de deslocar o front para o sul. Para ambos os lados, a hora do dia mais favorável eram aquelas da escuridão, fazendo com que os B-26 e os caças-bombardeios dos Marines fossem enormemente exigidos, ao mesmo tempo que os F-80, F-84, F4U, F9F, logo ao raiar do sol, saiam à caça dos alvos atacados à noite, ao mesmo tempo que atacavam seus próprios alvos como pontes, ferrovias etc.., tudo para dificultar a movimentação comunista para o sul.
Quanto mais os chineses conseguiam obter suprimento, mais era difícil a negociação. Quando em outubro de 1952, as negociações de paz foram interrompidas, o Estado Maior da USAF e o comandante da 5ª Força Aérea, General Glenn Barcus, realizaram uma reunião para decidirem o que poderia ser feito, para que os chineses retornassem às negociações, bem como para avaliar uma possível ofensiva aérea chinesa, que impediria qualquer atividade relacionada com as missões de interdição.
Relatórios da Inteligência indicavam que no início de janeiro de 1953, os chineses haviam recebido cerca de 100 aeronaves Il-28 "Beagle", um bombardeio bimotor à jato, de fabricação soviética, recém produzido. Essas aeronaves eram a única grande ameaça que a USAF teria, pois de um total de 1 485 aeronaves chinesas localizadas nas bases da Manchúria, 950 eram Mig-15, que de certo modo eram gerenciados pelos F-86, mas esses novos Il-28, passariam a ser um problema sério para as tropas terrestres da ONU.

Um elemento de Il-28 Beagle
O Il-28 era capaz de carregar uma carga de bombas de 4 000 libras (1 815 kg), a uma velocidade de 400 nós (740 km/h) a uma distância de 690 milhas (1 110 km). Não seriam muito eficientes se operassem durante o dia, pois os F-86 tratariam de rechaça-los bem como sua escolta de Migs, mas se operando à noite, seu potencial bélico seria maximizado. No dia 17 de dezembro de 1952, os comunistas realizaram a primeira incursão com os Il-28, sendo que os F-86 que patrulhavam ao longo do Rio Yalu, não conseguiram alcançar os bombardeios, com os chineses mostrando-se audaciosos.
Os Il-28 foram incorporados à lista das preocupações da 5ª Força Aérea, embora essa já estivesse relativamente grande. Tudo parecia levar a uma longa e desgastante guerra, e os aliados tinham que descobrir alguma forma de fazer com que os comunistas retomassem as negociações de paz, de modo a por um ponto final no conflito. O General Barcus sugeriu que a interdição das rotas de transporte dos comunistas passasse a ter prioridade máxima, e que se alterasse a tática de apenas "atrasar" ou "atrapalhar", que havia tido algum resultado no passado. Quando as aeronaves da ONU atacavam as vias chinesas, esses substituíam os caminhões militares por carroças de camponeses ou qualquer outro meio de transporte camuflado, dificultando a identificação dos alvos. A idéia do General Barcus era de que os caça-bombardeios deveriam simplesmente destruir tudo que se movesse, sem qualquer restrição, e a arma a ser utilizada seria o Republic F-84 Thunderjets, que era em número a mais importante aeronave da USAF, sendo operada pelos mais experientes pilotos. Esses homens receberam pouca publicidade por suas missões, mas alcançaram resultados tão excepcionais em suas incursões diurnas, que o General Barcus estava impressionado o suficiente, que mandou estudar a possibilidade de utiliza-lo para operações noturnas.
O entroncamento crucial do sistema ferroviário norte-coreano ficava localizado no estuário de Chongshon à noroeste de Sinanju, e este seria o local lógico para se iniciar a campanha de ataque, mas por outro lado, os chineses tornaram-se especialistas em posicionar enormes quantidades de peças de artilharia anti-aérea ao largo dos objetivos principais. A primeira leva de ataque, contavam com o elemento surpresa, mas as seguintes eram normalmente recebidas por um intenso fogo anti-aéreo, e era muito difícil que uma aeronave não fosse danificada.
A 5ª Força Aérea, estudou e aprovou a idéia do General Barcus, e para tal, selecionou um grupo de pilotos de F-84, para que esses passassem a atacar as rodovias e ferrovias à noite. Esta era aúnica solução, visto que os B-26 estavam sobrecarregados com os ataques noturnos, visto que os aviões de ataque dos Marines estavam engajados agora em outras missões. No passado, os B-26 compartilhavam as missões de ataque noturno com os F7F-3N do esquadrão VMF(N)-513, mas esses agora haviam recebido as aeronaves F3D, e sua missão passou a ser a escolta dos B-29 nos ataques noturnos, na tentativa de manter os Mig-15 do lado norte do Rio Yalu. Os velhos Corsairs e Tigercats haviam sido retirados de combate.
Inicialmente, foram escolhidos oito pilotos de F-84, do 8º Grupo de Caça Bombardeios, para que pudessem ser avaliadas as operações de interdição noturnas. Essa avaliação consistia no desenvolvimento de táticas, de modo a torna-las efetivas e seguras, e para tal uma programação de treinamento foi agendada, com a preparação de alvos no stand de tiro. Após duas semanas, no início de janeiro de 1953, tiveram início as missões reais, e essas missões tinham que ser muito bem coordenadas, de modo a não interferir com as dos B-26, que operariam na mesma área. Os F-84 decolavam individualmente, com espaçamento de uma hora, de modo a se ter pelo menos uma aeronave sobrevoando a rodovia ou ferrovia por toda a noite. A eficiência das missões não eram medidas apenas pelo número de caminhões ou de vagões destruídos, mas também pelo número de horas que aquela rota de transporte ficou interrompida. Os pilotos dos F-84, em especial aquele que decolava primeiro, relatavam que logo que chegavam por sobre as áreas a serem vigiadas, observavam as luzes dos caminhões sendo desligadas por quilômetros, bem como a paralisação total do tráfego, sem que você disparasse um só tiro ou largasse uma só bomba. Durante o dia era difícil se ter uma noção exata da movimentação que ocorria 30 mil pés abaixo, mas à noite, a Coréia do Norte parecia uma árvore de natal, totalmente iluminada.
Os F-84 carregavam normalmente duas bombas de 1 000 libras, com sensores que as faziam explodir entre 100 e 50 pés de altura. A anti-aérea não era tão problemática à noite, visto que os F-84 eram relativamente velozes, o perigo estava em ser pego pelos holofotes, que momentaneamente faziam com que o piloto perdesse completamente a visão, e o terreno sobrevoado era bastante montanhoso, e sem a visão externa era morte certa.
Enquanto que os esforços para interdição das rotas logísticas chinesas aumentavam, os Sabres continuavam a dominar a área denominada "Mig Alley", com os Migs não se aventurando além da capital Pyongyang. Nos três primeiros meses de 1953, os F-86 realizaram 9 702 saídas, perderam 9 aeronaves, mas abateram 96 aviões chineses, dos quais apenas um não era Mig-15. Por alguma razão, a atividade aérea dos Migs nesses três primeiros meses havia ficado abaixo do esperado, e isso não era devido à piora das condições meteorológicas, nem a redução numérica de Migs, muito pelo contrário, visto que desde os primeiros meses de 1951, a vantagem esteve sempre do lado dos comunistas. Eles continuavam a voar em grandes formações, sempre acima do teto operacional dos Sabres, mas só atacavam as aeronaves americanas, quando tinham certeza que estavam com vantagem muito clara. Os pilotos dos F-86 apelidaram esses Migs de "honchos", devido a sua agressividade quando entravam em combate.
Em março de 1953, com a morte de Joseph Stalin, o novo Premier Soviético Georgi Malenkov, começa a dar sinais de que ações de paz poderiam começar a acontecer, e esses sinais realmente acontecem, quando o Presidente Norte Coreano Kim Il Sung concorda na troca de prisioneiros de guerra. As negociações de paz são retomadas em Panmunjom, na Índia. Em maio, todos os prisioneiro de guerra são expatriados, mas cerca de 27 mil prisioneiros norte-coreanos se recusam a voltar para aeu país, e novamente acontece um impasse nas negociações.

Um Panther do Esquadrão VF-381
Os B-29 que operavam a partir de bases no Japão e Okinawa, iniciaram o ano de 1953 realizando as suas mais eficientes missões, desde quando a guerra começara, já que contavam com mais de 100 aeronaves e com uma disponibilidade acima de 70%, embora fossem aeronaves veteranas da 2ª Guerra. Tudo isso era devido a uma mudança radical realizada no sistema de manutenção, eliminado a figura do "mecânico chefe da aeronave", por um esquadrão de manutenção dedicado. As B-29 passaram a possuir uma alta taxa de disponibilidade, sendo possível realizar missões com mais de 20 aviões por dia, e o esquadrão voando cerca de 1 800 horas por mês. Os resultados obtidos pelos B-29 nas missões noturnas eram excelentes, devido principalmente a ausência dos Migs, que eram impedidos de atacar os bombardeios pelos F3D dos Marines. O número de Migs, que eram vetorados pelos radares terrestres aumentou consideravelmente no final do ano de 1952, bem como a qualidade dos pilotos. Os soviéticos estavam aproveitando essa oportunidade para escrevem uma doutrina de caça integrada com os radares de terra e as aeronaves agindo em conjunto. Essa tática seria empregada pelos soviéticos e por seus aliados até o desmantelamento do sistema comunista no início dos anos 90. Os Migs, quando em combates noturnos, tentava, atrair e ludibriar os caças americanos, voando ao largo das formações de bombardeios, e rapidamente retornando para o norte do Rio Yalu, logo em seguida, voltavam a se aproximar dos bombardeios, sempre na esperança de que a escolta se afastasse dos mesmos. Em combate cotra os F3D, os Migs conseguiam segui-los de modo bastante preciso, e os analistas americanos chegaram a conclusão de que a única possibilidade para tal procedimento era que os Migs estivessem equipados com radar, o que mais tarde veio a se confirmar.
Quando da chegada da primavera de 1953, as atividades aéro-navais ao largo da costa coreana estavam intensas. Se os porta-aviões da ONU se posicionassem bem ao norte, não haveria alvo terrestre norte-coreano que ficasse à salvo, e a utilização de um grande número de AD Skyriders, simplesmente acabava com qualquer possibilidade de sobrevivência para as tropas e alvos norte-coreanos. Em certa ocasião, uma esquadrilha de AD, abriu 55 crateras na pista de pouso do aeródromo de Hamhung, que praticamente teve que ser recosntruída. As atividades diurnas ficavam a cargo da US Navy, visto não ser seguro a operação noturna em porta-aviões, e as diurnas à cargo da USAF e dos Marines. Ao final da guerra a US Navy perdeu 312 Corsairs F4U e 124 Skyriders, que foram a espinha dorsal das atividades de ataque. Essas duas aeronaves realizaram um brilhante trabalho, e como ficavam expostas ao fogo anti-aéreo inimigo por longos períodos, foram as que mais sofreram. Os F9F Panther também realizaram um excelente trabalho de apoio às tropas terrestres, tendo sido perdidos na guerra um total de 64 aeronaves. Os Marines perderam apenas um F3D, numa rara e única missão de interdição realizada pelo esquadrão, assim que essa aeronave entro em operação.

Um Skyrider fortemente armado
A utilização do F-84 em missões noturnas foi intensificada no início de abril de 1953. Passaram a operar em área diferente dos B-26, realizando missões de reconhecimento e ataque nos setores mais ao norte da Coréia. Essas missões eram realizadas a altas altitudes, tornando-os facilmente detectados pelos radares das bases comunistas da Manchúria, e não era raro encontros com caças noturnos chineses. A tática empregada pelos pilotos de F-84, era interessante. Ao detectarem um comboio, com suas luzes acessas, reduziam a potência do motor para "idle", e vinham planando até que se posicionavam à 3 000 pés por sobre o comboio, que não os havia percebido, visto o motor estar praticamente desligado. Alinhavam-se ao logo da rodovia e largavam as bombas, quando então davam potência máxima nos motores. Só nessa hora é que as tropas terrestres percebiam o ataque, mas aí já era tarde para dispararem suas armas.
Provavelmente nunca se saberá ao certo quantos erros foram cometidos pelo Comando Soviético, quando controlando as operações aéreas na Guerra da Coréia, mas um ficou muito claro, quando se descobriu que a política soviética era a de se substituir unidades inteiras por outras, sem qualquer experiência no teatro de operações. Isso não acontecia do lado dos americanos, pois sempre um calouro estaria acompanhado de um veterano, fosse uma missão de caça, uma missão de interdição ou de reconhecimento. Para tornar-se líder de elemento, eram necessárias pelo menos 50 missões e para líder de esquadrilha 75 missões. Foi essa filosofia que contribuiu para a alta razão entre o número de Migs destruídos pelo número de Sabres perdidos, bem como para o número de pilotos que completaram 100 missões, retornaram aos Estados Unidos para tornarem-se instrutores de vôo na Base Aérea de Nellis. A maioria dos pilotos que combateram na Coréia, lembram-se bem de suas primeiras missões, e admitem que tinham medo, mesmo quando voando como ala de pilotos experientes. Por outro lado, qual seria o sentimento de um piloto de Mig-15, sem qualquer experiência, tendo que combater um Sabre, com um piloto de 80 missões ? No final do ano de 1952, já existiam 23 pilotos com o status de ases (tinham abatido cinco ou mais aeronaves inimigas), dos quais 16 ainda em atividade na Coréia.

F-86C do 12º Esquadrão de Caça
Nas primeiras semanas de 1953, duas unidades de caça-bombardeios que tinham sofrido muito com os Migs, o 18º e o 8º Grupo de Caça -Bombardeio, quando utilizando aeronaves P-51 e F-80C, começaram a ter seus equipamentos substituídos pelos novos F-86F. Isso queria dizer que, se por acaso algum Mig conseguisse passar pela escolta de F-86C, encontrariam outros F-86, e além disso, após terem lançado suas bombas, os caça-bombardeios tomavam altura e tornavam-se simplesmente caças a combater os Migs, atitude muito deferente dos antigos caças-bombardeios, que após realizarem seus ataques queriam simplesmente retornar o mais rápido possível para casa. A última missão de combate dos F-80C aconteceu no dia 24 de abril, quando 20 aeronaves e 29 pilotos voaram 120 missões efetivas, despejando uma carga de 228 mil libras de bombas. Quatro pilotos realizaram quatro missões naquele dia, 10 voaram cinco missões e dois voaram seis missões. A última saída de um F-80 foi realizada no dia 30 de abril.
O mês de junho de 1953 mostrou-se ser "o mês" para os Sabres. Eles derrubaram 77 aeronaves, com a perda de 14, e cinco novos pilotos tornaram-se ases. Com a recente queda do regime comunista soviético, alguns detalhes sobre a participação russa na Guerra da Coréia tornaram-se transparentes, entre eles a informação que mais de 800 Migs-15 retornaram às suas bases quase que completamente destruídos pelas balas .50 dos Sabres, e após alguns reparos, retornavam a voar sem problema algum, indicando a robustez da aeronave russa. Se isso tivesse acontecido ao contrário, praticamente o Sabre teria se desintegrado. Por isso é que os pilotos americanos não entendiam como é que os Migs, após sofrerem severos castigos, continuassem a voar e até mesmo combater sem aparentarem qualquer dano.
Ainda em junho de 1953, ao mesmo tempo que negociações de paz são realizadas, as forças comunistas lançam um maciço ataque às tropas sul-corenas, visando ganhar algum terreno, que seria utilizado como objeto de barganha nas mesas de negociação.
Os americanos, desde o início da guerra, descobriram que seus armamentos eram leves, mesmo quando tentavam derrubar os Yaks, quanto mais com os Migs. Por isso, desenvolveram um projeto denominado "Gun Val", que seria a colocação de quatro canhões de 20 mm nos F-86. Os testes começaram no início de 1953, e duraram 16 semanas, incluindo combates nos quais participaram os mais experientes pilotos da 5ª Força Aérea, em especial do 335º Esquadrão de Caça do4º Grupo, baseado em Kimpo. O resultado mostrou que dos 41 Migs que foram alvejados, seis foram destruídos, três foram provavelmente destruídos e 13 danificados. O teste foi considerado bem sucedido, e as novas versões do F-86H e os futuros F-100 passaram e receber a instalação desses canhões. Num desses testes, quase acontece uma tragédia, quando em um combate, o Tenente Bruno Giordano, no ardor da batalha, viu um jato atirando e apresentando uma característica padrão dos Migs, qual seja, a baixa cadência de tiros representada pela fumaça espaçada dos canhões. O Tenente Bruno imediatamente consegui enquadrar a aeronave no seu visor de tiro, mas quando já estava quase apertando o gatilho, vislumbrou a faixa amarela que identificava a aeronave como sendo um F-86, e imediatamente suspendeu o ataque. Era um dos F-86 que estava equipado com os novos canhões de 20 mm, e o piloto era o Capitão Lonnie Moore, um ás com 15 Migs abatidos !!!
Poucas vezes os pilotos dos F-86 estiveram na Guerra da Coréia, em um situação onde tinha vantagem numérica. O normal era a presença de 10 Migs para cada F-86, ou seja, uma esquadrilha de quatro Sabres combatendo um bando de 40 ou 50 Migs, e a única solução era simplesmente atacar com tudo.
A guerra já durara longos 37 meses, muito mais do que se pensava que duraria. Na noite de 26 de julho de 1953, o 8º Grupo de Bombardeios voaria a última missão de guerra antes do cessar fogo, logo ele, que havia sido a unidade a realizar a primeira missão de bombardeio da guerra, quando da invasão do exército norte-coreano. O piloto seria o Primeiro Tenente Billy Ralston e o artilherio seria o Soldado de 2ª Classe D,J, Judd. Eles voariam em um B-26C, denominado Bye Bye Bluebird, e seu sinal de código seria TYPHOON 73. O objetivo da missão um depósito logístico e os chineses estavam fazendo de tudo para para reabastecer suas tropas ao máximo, visto que o cessar fogo começaria às 22:00 horas daquele dia, e os observadores da ONU, a partir do dia seguinte iriam fazer um levantamento geral de tudo que que havia e mais nada poderia ser trazido da China para dentro da Coréia. A atividade logística chinesa estava intensa. A única ordem que recebeu foi que não deveria cruzar o paralelo 38 após às 21:30 horas. A missão decolou às 20:15 de Kunsan, e junto com a tripulação havia um jornalista internacional, que realizar uma reportagem especial sobre o último ataque às tropas chinesas. O bombardeio seria realizado de uma altura de 8 mil pés, e o curso seria vetorado pelo radar tático de terra. As bombas foram lançadas às 21:33 horas e às 22:00 horas a guerra termina. A última aeronave chinesa derrubada foi um Il-12, que a foi pelo Capitão Ralph Parr no dia 27 de julho de 1953.

Um B-26B do 8º Grupo de Bombardeios
No dia 31 de julho de 1953, quatro dias após o término das hostilidades, a 5ª Força Aérea possuía na Coréia um total de 126 B-26, 218 F-84 , 165 F-86 de caça e 132 F-86F caça-bombardeio. Isso havia sido suficiente par manter o Exército Chinês sob pressão permanente, evitando uma ofensiva, interrompendo o suprimento bélico, dominando os céus e evitando que a Força Aérea Chinesa atacasse as tropas terrestras da ONU. Sem sombra de dúvidas, foi o Poder Aéreo que ganhou a Guerra da Coréia. O grande ás da Guerra da Coréia foi o Capitão Joseph C. McConnell, que após 106 missões, havia abatido 16 Migs. Outro nome a ser lembrado é do Capitão James Jabara, por ter sido o primeiro ás da história em aviões à jato.
As forças armadas americanas tiveram um total de 157 530 feridos e 33 629 mortos; os sul coreanos tiveram 1 312 836 militares feridos e 415 004 mortos. Os demais aliados (Grã-Bretanha, Austrália e Turquia) tiveram entre mortos e feridos um total de 16 532. Estima-se que os norte-coreanos perderam cerca de 2 milhões de homens.
A "Guerra Esquecida", como foi denominada, trouxe tremenda influência na comunidade militar. Ela moldou uma nova doutrina de emprego das forças terrestres e aéreas, que estavam ainda muito presas aos conceito da 2ª Guerra Mundial. As táticas que foram testadas e aprovadas nos céus da Coréia, provaram-se válidas até depois da Guerra do Vietnã, vinte anos mais tarde. Foi também o palco de despedida das aeronaves à hélice que deram lugar aos jatos, mas que juntos realizaram um trabalho que nunca mais será visto.

Estatística da Guerra Aérea na Coréia
Fontes:
US Air Force Statistical Digest, Fiscal Year 1953: Summary of USAF Combat Operations in Korea June 1950 – July 1953
The United States Air Force in Korea 1950-1953
Baixas da USAF
Ano (Jul a Jun)
Mortos
Feridos
Desaparecidos ou Capturados
Total
1950 – 51
423
224
27
674
1951 – 52
218
102
10
330
1952 - 53
90
42
23
155
1953 – 54
449
---
233
682
Total
1.180
368
293
1.841

Aeronaves perdidas pela USAF em operações
Causa
1950
1951
1952
1953
Total
Combate Aéreo
9
56
60
14
139
Anti-Aérea
103
229
154
64
550
Causa Desconhecida em Combate
6
20
31
11
68
Acidentes
104
186
112
70
472
Causa Desconhecida
47
102
60
28
237
Total
269
593
417
187
1.466



Aeronaves inimigas destruídas ou danificadas
Tipo
1950
1951
1952
1953
Total
Destruídos (Confirmados)
97
180
383
293
953
No ar
49
175
383
293
900
No solo
48
5
0
0
53
Destruídos (Prováveis)
43
39
60
51
193
No ar
20
37
60
51
168
No solo
23
2
0
0
25
Danificados
48
313
400
248
1.009
No ar
22
303
400
248
973
No solo
26
10
0
0
36
Total
188
532
843
592
2.155


Quem destruiu o que ?
Tipos de Alvos
Destruídos pela Força Aérea
Destruídos pelas Forças Terrestres
Tropas
47 %
53 %
Blindados
75 %
25 %
Caminhões
81 %
19 %
Peças de Artilharia
72 %
28 %

Aeronaves de combate utilizados pela USAF
Tipo
Jul 1950
Jul 1951
Jul 1952
Jul 1953
B-26
79
157
190
194
B-29
87
104
118
117
P-51
190
227
150
65
F-80
528
254
224
152
F-82
37
24
0
0
F-84
0
175
353
410
F-86
0
93
177
439
F-94
0
14
100
82
Total
921
1.048
1.312
1.459


Aeronaves de apoio utilizadas pela USAF
Tipo
Jul 1950
Jul 1951
Jul 1952
Jul 1953
R-26
0
24
30
30
R-29
4
38
40
37
RF-51
0
7
22
0
RF-80
35
36
40
57
C-46
41
72
76
73
C-47
84
129
134
133
C-54
31
64
64
21
C-119
0
86
95
104
C-124
0
0
13
25
Outras
273
289
384
375
Total
468
745
898
855


Tripulantes das aeronaves de combate da USAF
Tipo
Jul 1950
Jul 1951
Jul 1952
Jul 1953
B-26
40
105
174
191
B-29
81
86
112
109
P-51
70
122
118
0
F-80
368
349
222
158
F-82
25
29
0
0
F-84
0
217
303
554
F-86
0
121
216
489
F-94
0
16
103
165
Total
584
1.045
1.248
1.666

Pessoal da USAF envolvido diretamente na guerra
Local
Jun 1950
Dez 1950
Jun 1951
Dez 1951
Jun 1952
Dez 1952
Jul 1953
Guan
5.698
4.073
4.186
3.972
4.849
6.585
5.399
Coréia
1
10.063
20.908
34.895
42.376
46.388
43.791
Japão
21.324
34.923
35.059
43.468
46.543
54.418
60.299
Okinawa
9.339
10.389
8.383
8.913
10.550
9.736
10.532
Filipinas
5.293
5.659
5.097
5.635
5.120
7.369
8.036
Total
41.655
65.107
73.633
96.883
109.438
124.496
128.057

Horas voadas pela USAF
Tipo
50 - 51
51 - 52
52 - 53
Total
Bombardeiros
180.581
185.151
195.444
561.176
Caças
293.766
300.185
385.120
979.071
Transportes
290.360
390.897
318.124
999.381
Outros
164.301
185.505
278.678
628.484
Total
929.008
1.061.738
1.177.366
3.168.112
Consumo de combustível da USAF (milhões de galões)
Tipo
50 – 51
51 – 52
52 – 53
Total
Bombardeiros
55,273
48,277
55,757
159,307
Caças
79,357
99,273
148,111
326,741
Transportes
47,805
61,875
41,893
126,775
Outros
27,552
33,198
66,025
126,775

Total

209,987
243,623
311,786
764,396

Guerra da Coréia em Video:




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