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domingo, outubro 28, 2012

Opinião: Quem realmente traiu Israel?

By on 28.10.12
Segunda-feira (22), durante o último debate presidencial, Mitt Romney atacou o presidente Obama por gerar "tensão" e "conflito" com Israel e o censurou por ter "pulado Israel" durante suas viagens ao Oriente Médio. Durante toda a campanha Romney acusou Obama de ter "traído aliados como Israel".
Mas a história nos mostra uma realidade diferente. De fato, sempre que os Estados Unidos pressionaram os líderes de Israel de maneira séria e contínua — a partir dos anos 1950 — a medida partiu de presidentes republicanos, não democratas. Isso é especialmente verdadeiro em relação ao predecessor de Obama, George W. Bush.
http://2.bp.blogspot.com/-uFpOCDiCSa4/Tku5oNFu5kI/AAAAAAAAGgA/rC2wzLA6z6o/s1600/israel-nuclear1.jpg Apenas uma semana antes do início da guerra do Iraque, em março de 2003, Bush ainda tinha dificuldades para formar uma coalizão internacional para derrubar Saddam Hussein. Diferentemente da guerra do Golfo Pérsico, em 1991, a Rússia — membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas — optou pelo veto, impedindo as Nações Unidas de fornecerem legitimidade oficial à guerra contra Hussein. A Grã-Bretanha era a única a se alinhar com os Estados Unidos e o apoio do primeiro ministro Tony Blair era considerado fundamental para Washington.
No momento em que o Parlamento Britânico estava pronto para aprovar a empreitada, um grupo do Partido Trabalhista de Blair ameaçou se revoltar, exigindo concessões israelenses aos palestinos em troca do apoio à invasão de Israel. Essa exigência teria impedido a guerra e só havia uma forma de garantir o apoio britânico: Bush teria de declarar que o "mapa" para a paz no Oriente Médio — uma proposta que havia sido esboçada no início do governo — seria a política formal dos Estados Unidos.
O primeiro ministro de Israel na época, Ariel Sharon, havia feito uma oposição veemente ao "mapa", que continha diversas "linhas vermelhas" que ele se recusava a aceitar, incluindo a determinação de que o futuro status de Jerusalém seria determinado por uma "resolução negociada", levando em conta "as preocupações políticas e religiosas de ambos os lados". O texto implicava o possível fim da soberania sobre Jerusalém, que está sob controle israelense desde 1967.
No dia 13 de março de 2003, autoridades israelenses foram sumariamente informadas de que os Estados Unidos iria adotar publicamente o rascunho do "mapa" como sua política oficial. Washington deixou claro para nós que às vésperas da guerra, Israel não poderia criticar a política americana, além de garantir que os simpatizantes recebessem a mensagem.
Os Estados Unidos insistiam que o "mapa" deveria ser aprovado sem quaisquer modificações, afirmando que os interesses israelenses seriam abordados em outro momento. Durante um debate longo e tenso do qual participei em 2003, Sharon pedia relutantemente para que seus ministros aceitassem a exigência de Washington. Benjamin Netanyahu, que era ministro da fazenda na época, discordou e se absteve durante a votação da resolução do gabinete de cúpula, que acabou sendo aprovado.
A partir daquele momento, o "mapa" — incluindo os parágrafos sobre Jerusalém, tornou-se a bíblia política para Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas. Israel não foi apenas dominada por um presidente republicano, mas também foi obrigada a aceitar em silêncio e engolir o amargo remédio.
Três anos mais tarde, o governo Bush pressionou Israel novamente para apoiar uma política que iria contra seus interesses soberanos. No início de 2006, o grupo terrorista Hamas apresentou candidatos para as eleições legislativas da Palestina. Israel afirmou que nenhum líder poderia fazer campanha com uma arma na cintura; o partido palestino Fatah também se opôs à participação do Hamas. Mas a Casa Branca não aceitou nada disso, forçando o Fatah a permitir que os candidatos do Hamas concorressem e pressionando Israel a permitir os votos no Hamas, até mesmo em Jerusalém Oriental.
Depois que o Hamas venceu por clara maioria de votos, Washington resolveu treinar as forças do Fatah para esmagá-lo militarmente na Faixa de Gaza. Entretanto, o Hamas previu o estratagema e tomou controle da Faixa em 2007, deixando palestinos divididos político e territorialmente.
A despeito da retórica de campanha do partido republicano a respeito de Israel, até hoje nenhum presidente democrata forçou o governo israelense a tomar decisões sobre questões de segurança nacional. Na crise do Canal de Suez, em 1956, foi o republicano Dwight D. Eisenhower que se juntou à União Soviética para forçar o fundador na nação israelense, David Ben-Gurion, a se retirar da Península de Sinai após o ataque franco-israelense-britânico ao Egito.
Em 1991, quando mísseis Scud iraquianos caíram sobre Tel Aviv, o governo do primeiro presidente Bush exigiu que Israel respondesse ao ataque, com o objetivo de preservar a coalizão de Estados árabes que lutavam contra o Iraque. O primeiro ministro Yitzhak Shamir resistiu à recomendação dos chefes de segurança para retaliar e se curvou às exigências americanas, enquanto os cidadãos israelenses caminhavam nas ruas com máscaras de gás.
Após a guerra, Shamir concordou em ir a Madri para uma conferência de paz do Oriente Médio organizada pelo Secretário de Estado James A. Baker III. Temendo que Shamir pudesse ser intransigente na mesa de negociação, a Casa Branca pressionou Israel ao segurar um empréstimo de 10 bilhões de dólares, causando-nos sérios problemas econômicos. O eventual resultado foi a queda política de Shamir. O homem que salvou a grande coalizão americana contra Saddam Hussein em 1991 foi traído pelos Estados Unidos.
Em todos esses casos, governos republicanos agiram de forma fria e calculista, sem importar-se com o orgulho nacional israelense, ou com os interesses estratégicos e as sensibilidades do país. É bom pensar nisso em outubro de 2012.
(Efraim Halevy foi diretor do Mossad de 1998 a 2002 e assessor de segurança nacional do primeiro ministro israelense, Ariel Sharon, de outubro de 2002 a junho de 2003.)

Fonte: R7

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