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quinta-feira, março 14, 2013

Força aérea norte-coreana realiza número “sem precedentes” de surtidas

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http://4.bp.blogspot.com/-gxik9c3X0ek/UT00zlxvKlI/AAAAAAAAJSk/ikZce5iVi4U/s1600/MIG-21northkorea.jpgOs aviões de caça da Coreia do Norte têm vindo a realizar um número de surtidas “sem precedentes” nos últimos dias, relata a imprensa sul-coreana, citando fontes militares de Seul. A informação surge num momento em que as tensões na Península estão ao rubro, depois de o Conselho de Segurança da ONU ter decretado novas sanções contra Pyongyang por causa dos testes nucleares e de mísseis. A juntar-se a isso, o regime norte-coreano anunciou a decisão de responder com exercícios militares às manobras conjuntas que os EUA e a Coreia do Sul estão a levar a cabo, o que, segundo os observadores, aumenta as possibilidades de um incidente violento.

http://3.bp.blogspot.com/-eJEpyTL-yUc/UT00zrpKhqI/AAAAAAAAJSs/-wk0OPlmZug/s1600/MIG-21northkorea1.jpg“O número de missões de voo é a uma escala sem precedentes“, disse uma fonte militar sul-coreana à agencia de notícias Yonhap. Os voos efetuados pela Coreia do Norte totalizaram 700 na segunda-feira, a coincidir com o primeiro dia das manobras conjuntas entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul.
O Ministério sul-coreano da Defesa recusou-se a comentar estas afirmações, mas confirmou que Pyongyang está a realizar exercícios inter-armas antes de lançar manobras militares em todo o território norte-coreano.

As manobras que Washington e Seul estão a levar a cabo do lado sul-coreano são em parte virtuais mas, mesmo assim, mobilizam dez mil efetivos sul-coreanos e 3500 americanos. Os EUA mantêm 28 mil soldados permanentemente estacionados no sul da Península.  
http://1.bp.blogspot.com/-5vwAHA33Qfs/UT00zRjBA4I/AAAAAAAAJS0/eF9nXnTVbU8/s1600/MiG-21-NK-runway-1.jpg
Resposta às sanções da ONU
A decisão norte-coreana de avançar com manobras militares faz parte de um endurecimento de posições que se segue a um novo pacote de sanções decretado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Na sequência da votação na ONU, o Norte denunciou o acordo de armistício que em 1953 tinha posto fim à Guerra da Coreia e ameaçou efetuar ataques nucleares preventivos contra os EUA e a Coreia do Sul.

Num longo comunicado publicado pela agência oficial norte-coreana KCNA, um porta-voz do Ministério das Forças Armadas sublinhou que “o acordo de armistício já não é válido” e que a Coreia do Norte já "não se compromete" a respeitar a declaração de não-agressão entre o Norte e o Sul.
"Represálias sem piedade"
“O que resta fazer atualmente é uma ação de justiça e de represálias sem piedade por parte do exército e da população”, acrescentou o porta-voz.

O Ministério norte-coreano da Defesa lançou também um ataque verbal contra a nova líder da Coreia do Sul, relacionando o que classifica de “propaganda belicista de Seul” com “o farfalhar envenenado das saias“ da presidente Park Geun-Hye.

Esta segunda-feira o próprio líder supremo da Coreia do Norte associou-se à escalada verbal ao visitar um posto militar junto à fronteira.

“Quando for dada uma ordem, devem quebrar a cintura aos inimigos loucos e cortar-lhes totalmente as traqueias, de forma a mostrar-lhes como é uma verdadeira guerra”, terá dito Kim Jong-Un, ao mesmo tempo que observava através de binóculos a ilha sul-coreana de Baengnyeong.
 
http://4.bp.blogspot.com/-jZszyXuu0CI/UQYevmtn29I/AAAAAAAAACs/MbMgTRLJYh8/s1600/north+korea+missle.jpgAmeaças de "guerra termonuclear"
 
Há alguns dias, Pyongyang cortou a "linha vermelha" que permitia comunicações telefónicas diretas com o governo de Seul e deixou de atender chamadas numa outra linha de emergência que tinha sido estabelecida em 2004 entre os militares dos dois países.

Na semana passada, antes mesmo da aprovação das sanções no Conselho de Segurança, a Coreia do Norte brandiu a ameaça de “uma guerra termonuclear” e avisou que os Estados Unidos se expõem a “um ataque nuclear preventivo”. Durante um comício na capital, um general norte-coreano ameaçou mesmo que Washington será envolvida “num mar de fogo”.
Retórica atinge níveis invulgares
Apesar de o regime de Pyongyang ser conhecido por usar frequentemente de hipérbole na sua retórica, a intensidade belicista das últimas declarações é invulgar e está a surpreender os observadores.

Em Washington e entre os sul-coreanos, existe uma apreensão crescente com a possibilidade de Kim Kong-Un passar das palavras aos atos. Alguns apontam o facto de as declarações inflamadas de Pyongyang, sobretudo a nível interno, tornarem difícil ao regime ficar de braços cruzados.

Ninguém acredita que o Norte seja suicida ao ponto de provocar intencionalmente um conflito em larga escala, mas são muitos os que temem um incidente ou provocação mal calculada que possa fugir ao controle e levar a uma escalada que reabra as hostilidades entre os dois vizinhos.
Coreia do sul adota linha mais dura
Os observadores afirmam que Kim Jong-Un necessita de reforçar a sua autoridade junto dos militares, mas também é relativamente inexperiente em termos internacionais, pelo que poderá cometer erros de cálculo.

A somar-se a isso está o facto de o atual governo do Sul estar menos disposto do que os seus antecessores a usar de gestos apaziguadores. Seul já fez saber que não recuará diante de intimidações e responderá com firmeza a qualquer agressão do Norte.

Um porta-voz do Ministério sul-coreano da Defesa afirmou terça-feira que qualquer provocação do Norte será seguida de uma resposta que garantirá que Pyongyang sofra “bem mais”.

O anterior presidente da Coreia do Sul Lee Myung-Bak tinha sido criticado por “fraqueza”, ao não ter ordenado uma retaliação forte contra o Norte em 2010, quando este bombardeou a ilha sul-coreana de Yeonpyeong .
Efeitos na política de defesa regional
O estado de tensão já provocou efeitos nas políticas de defesa da região. Os Estados Unidos fizeram saber que vão manter navios equipados com armas nucleares nas águas da Coreia do Sul para responder imediatamente a qualquer provocação do Norte.

No parlamento de Seul, figuras importantes do partido do governo afirmam que a Coreia do Sul também deve adquirir armas nucleares para não ficar em desvantagem. As mesmas vozes apelam a que seja abandonado a transferência do comando operacional dos EUA para as forças sul-coreanas que devia ocorrer em 2015.

Fonte: RTP

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