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terça-feira, abril 09, 2013

O plano para esconder a Virgem Maria

By on 9.4.13


A sua figura provocou uma das guerras mais violentas de sempre nos corredores da Igreja Católica. Houve agressões físicas, subornos e excomunhões. Quem queria apagar da História a mulher mais adorada de todo o mundo? E porquê?


Por Susana Lúcio


Os bispos nunca tinham estado tão divididos. Na véspera da votação, os seminários, conventos e restaurantes à volta do Vaticano fervilhavam em acesas discussões.

A 29 de Outubro de 1963, em pleno Concílio Vaticano II, a Basílica de São Pedro ia encher-se para decidir se a Virgem Maria merecia constar de um texto só para si ou se faria parte simplesmente de um texto geral.
Se vencesse a primeira posição, Maria poderia ser consagrada co-redentora e isso significaria que Jesus teria tido a ajuda da mãe na salvação da Humanidade. Algo impensável para a Igreja mais conservadora.


Na manhã da votação, à entrada da basílica, os bispos orientais distribuíram panfletos a apelar a favor de um texto particular sobre Maria. No momento da votação fez-se silêncio absoluto. Entre os 2193 presentes, 1114 votaram contra, 1074 a favor e cinco não quiseram pronunciar-se.

A consternação foi geral. Mas 15 anos depois, num outro tipo de votação, foram os apoiantes de Maria que venceram.
Em 1978 foi eleito João Paulo II, aquele que se tornaria no sumo pontífice mais dedicado à Virgem Maria. O Papa polaco ofereceu-lhe o seu pontificado, adoptando como lema Totus Tuus (Todo Teu) e mandando colocar no seu brasão, contra as regras heráldicas, o “M” de Maria.


Durante o seu pontificado, João Paulo II visitou vários templos marianos (incluindo, por três vezes, o Santuário de Fátima) e até atribuiu à intervenção da mãe de Jesus a sua sobrevivência à tentativa de assassinato que sofreu no dia 13 de Maio de 1981, em Roma.


E ainda concretizou o maior desejo dos bispos do Oriente – referiu-se a Maria, mais do que uma vez, como co-redentora.

Foi a vitória absoluta dos defensores de Maria numa guerra violenta que se arrastou durante séculos nos corredores da Igreja e que envolveu subornos, excomunhões, acusações de falsas aparições e cismas. Era o fim da incrível história da mulher mais venerada no mundo.


Foi o Papa João Paulo II que dedicou a Maria o seu pontificado e colocou o seu nome no brasão



Desde o início que se tentou ocultar o papel de Maria. Os evangelhos canônicos (os textos aceites pela Igreja Católica) quase não falam dela. O 'Evangelho Segundo S. Mateus', no qual é mais referida, consagra-lhe apenas 17 versículos, entre 1068.

Em todo o Novo Testamento o seu nome é designado uma dezena de vezes – mesmo assim, menos do que, por exemplo, Maria Madalena.

E até no Alcorão, o texto sagrado do Islão, Maria surge mais vezes do que nos evangelhos. Parece que, para os seus autores, a mãe de Jesus não era muito importante. Ou será que a Igreja tentou escondê-la por razões misteriosas?


Vários especialistas defendem esta teoria. Nos primeiros anos do cristianismo, a história de Maria era demasiado parecida com as lendas das deusas que o mundo então venerava.

Também elas tinham sido fecundadas por deuses e pelo menos uma, Ísis, tinha concebido sem ter tido qualquer relação sexual.
O risco de Maria ser tratada como mais uma deusa era evidente – e isso colocava em risco a promoção do cristianismo como uma religião de um só deus.
“Os apóstolos tiveram então de ocultar Maria dos seus ensinamentos”, explica Rui Alberto Silva, especialista em Ciência das Religiões pela Universidade de Oxford. Havia mais razões para isso.


Alguns apóstolos consideravam que a mulher era impura e que Maria seria uma mancha na divindade de Cristo. Tinha de ser omitida.

Paulo, o apóstolo mais importante no desenvolvimento do cristianismo e autor de 14 dos 27 textos que constituem o 'Novo Testamento', nunca se refere a Maria. Na Epístola aos Gálatas, diz apenas que o filho de Deus nasceu de uma mulher.


O Papa Pio IX decretou em 1854 o dogma da Imaculada Conceição



Mas, contra os planos dos apóstolos, a veneração de Maria cresceu entre as populações, sobretudo no Oriente. “Havia uma grande apetência por cultos de divindades femininas. O culto de Ísis, figura de mãe extremosa, estava na altura disseminado por todo o Mediterrâneo.

A imagem que conhecemos de Nossa Senhora com o menino ao colo tem origem nas imagens de Ísis com o filho Hórus”, explica Paulo Mendes Pinto, professor de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona.


Havia até comunidades que adoravam Maria como uma deusa. As coliridianas, na Arábia, ofereciam-lhe pequenos bolos chamados coliridas. E, em algumas, eram as mulheres que presidiam ao culto, baptizavam e consagravam.

Os teólogos da Igreja condenavam estas práticas e escreviam cartas às comunidades, tentando corrigir os erros. Sem êxito.
Os cristãos dividiam-se em facções e uma delas, a dos arianos, defendia mesmo que Jesus era filho natural de Maria e José e só depois se tornara o Messias. Perante uma situação que ameaçava tornar-se incontrolável, era urgente definir o culto a Jesus e reduzir o papel de Maria.


Foi com este objetivo que, no ano de 325, se convocou o primeiro concílio fundador da Igreja – que só podia acabar da pior maneira, com uma demonstração radical de força.

Os bispos reuniram-se em Niceia (Turquia) e, por maioria, afirmaram Jesus como filho de Deus. Os arianos, que perderam a votação, foram excomungados de imediato.


Atanásio, bispo de Alexandria, aproveitou o momento e determinou os textos que fariam parte do cânone da Igreja.

Para o 'Novo Testamento' foram escolhidos 27 textos: os quatro Evangelhos, de Mateus, Marcos, Lucas e João, os Atos dos Apóstolos, as 14 Cartas (Epístolas) de Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse.
Sem surpresa, ficou de fora o texto que mais se refere a Maria, o Proto-Evangelho de Tiago. Podia ter sido o fim da batalha pela mãe de Jesus – mas era só o começo.

O Concílio Vaticano II reuniu cerca de 2860 bispos de todo o mundo 



Maria nasceu entre o ano 23 e 20 a. C. e a sua vida foi objecto de conflito na hierarquia da Igreja quase desde o início.

O Proto-Evangelho de Tiago conta que era filha de um homem rico, chamado Joaquim, casado há muitos anos com Ana. O casal vivia infeliz por não ter filhos – para os judeus, isso era um castigo de Deus.
Joaquim decidiu então jejuar no deserto durante 40 dias e 40 noites e pediu a intervenção divina. Pouco depois, um anjo apareceu a Ana e anunciou-lhe: “Conceberás e darás à luz e de tua prole se falará em todo o mundo.”
Ana dedicou a menina a Deus. Construiu um santuário no quarto de Maria e, quando esta completou 3 anos de idade, entregou-a ao Templo de Jerusalém. Os sacerdotes sentaram Maria no terceiro degrau do altar e a menina dançou.


A Igreja Ortodoxa Copta, fundada no Egipto pelo apóstolo Marcos no século I, acredita que Maria foi entregue ao templo para ser educada. Lá terá lido as escrituras e feito um voto de castidade. Mas esta versão da história é simplesmente impossível.


“O Templo de Jerusalém estava dividido em várias partes e havia um pátio onde as mulheres podiam entrar, mas para lá das duas colunas da entrada do templo só podiam entrar os homens da tribo de Levi, os levitas”, garante o especialista em Ciência das Religiões Rui Alberto Silva.



O Papa Paulo VI encerrou as sessões a 8 de Dezembro de 1965 


O mais provável é que Maria tenha crescido junto dos pais. Aos 6 anos frequentou a escola da sinagoga da aldeia, onde aprendeu Geografia, História, Cálculo e a Tora, o texto sagrado dos judeus.


A mãe ter-lhe-á ensinado a fiar, tecer, moer milho e cozer pão – tudo o que uma boa mulher judia devia fazer.

Aos 14 anos, após a primeira menstruação, Maria estava apta para casar e os pais prometeram-na a José, um artesão de Nazaré.


Mas no Proto-Evangelho de Tiago a história é muito diferente. Maria vive no templo e é Deus quem lhe escolhe o noivo.

Um anjo visita o sumo sacerdote Zacarias e pede-lhe que reúna os viúvos e os seus bastões: Deus indicará o noivo de Maria.
E o sinal é uma pomba que surge do bastão de José. O viúvo ainda tenta escapar ao noivado: “Tenho filhos e sou velho, enquanto ela é uma menina. Não quero ser sujeito a zombaria por parte dos filhos de Israel.”


Mas o sacerdote ameaça-o com o castigo divino e José leva Maria para sua casa. É nesta fase da vida que Maria é pela primeira vez referida nos evangelhos canônicos.

Lucas apresenta-a como uma virgem prometida a José a quem o anjo Gabriel chama de bendita entre as mulheres e lhe diz: “Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.”

Para alguns, Maria foi elevada aos céus de corpo e alma



E é precisamente por causa disto que Maria é apontada como sendo a mulher escolhida por Deus – e que, apesar das restrições impostas pela Igreja, o povo a passou a venerar.

De tal forma que, no século V, a Igreja foi obrigada a reconhecê-lo. Segundo Jacques Duquesne, autor de 'Maria: A Verdadeira História da Mãe de Deus', tudo começou num domingo em Constantinopla.
Proclo, um sacerdote célebre pelos sermões, fora convidado pelo patriarca da cidade, Nestório, a discursar. Proclo falou de Maria como a mãe de Deus.


O patriarca não se conteve. Levantou-se do trono episcopal e, enfurecido, esmurrou o sacerdote, enquanto explicava aos fiéis assustados que Proclo falara de Maria como um pagão falava de deusas.


Nestório defendia que Maria fosse designada como mãe de Jesus, porque fora apenas um veículo para a encarnação de Cristo.
Pelo contrário, Proclo e o seu mentor, Cirilo, bispo de Alexandria, defendiam que Maria tinha sido fundamental para a encarnação porque a tinha permitido – era, por isso, a ponte entre Deus e a humanidade.

Para outros, morreu e foi enterrada 


Durante meses, Nestório e Cirilo trocaram cartas azedas, acusando-se mutuamente de heresia. Em toda a parte do império romano, bispos e monges tomaram partido.

Cansado da situação, o Imperador Teodósio II convocou um concílio para resolver a questão. E, em 10 dias, Maria passaria de segredo envergonhado a rainha da Igreja.


O concílio decorreu em Julho de 431 na cidade de Éfeso (Turquia) e foi no mínimo escandaloso. Cirilo, que partia em desvantagem, uma vez que o imperador apoiava Nestório, enviou agentes a Constantinopla e distribuiu prendas e subornos entre os bispos.

Depois, aproveitou a sorte. Foi o primeiro a chegar a Éfeso e nem esperou pelos bispos partidários de Nestório.


Sem autorização imperial, abriu o concílio e, recorrendo-se de todos os textos antigos, mesmo dos não reconhecidos pela Igreja, contou a história de Maria e acrescentou novidades.

Apresentou-a como virgem perpétua e garantiu que, depois de morrer, fora elevada ao céu ali mesmo, em Éfeso. Duas ideias que se tornariam mais tarde dogmas da Igreja.


A imagem com Jesus ao colo foi copiada das representações da deusa Ísis





Nestório protestou e boicotou o concílio – mas perdeu a votação. Maria foi louvada como “mãe de Deus e coroa da virgindade”, Nestório foi excomungado e Proclo, o sacerdote esmurrado, tomou o seu lugar como patriarca de Constantinopla.


O concílio de Éfeso deu novo impulso ao culto de Maria. Multiplicaram-se as festas em sua honra: a Concepção, a 8 de Dezembro; o Nascimento, a 8 de Setembro; e a Assunção aos céus, a 15 de Agosto. Surgiram novas ordens religiosas dedicadas a ela e propagaram-se as imagens da mãe de Deus.


“Tendo em conta que o culto de figuras femininas era uma tradição religiosa no Mediterrâneo, Maria tinha as características necessárias para ser uma figura divina: era mulher e mãe.

É a ela que se deve a cristianização do Ocidente”, explica o professor de Ciência das Religiões Paulo Mendes Pinto.


Os evangelhos canônicos contam que o anjo Gabriel visitou Maria e lhe anunciou que iria dar à luz o filho de Deus



A ideia de Cirilo de que Maria terá permitido a encarnação é justificada com a passagem do Evangelho Segundo S. Lucas em que a menina de 14 anos pergunta ao anjo como irá engravidar.

Maria sabia que, se aparecesse grávida sem ter consumado o casamento com José, seria alvo dos mexericos da aldeia.
Pior: arriscar-se-ia a ser condenada por adultério, crime que a lei judaica punia na altura com a morte por apedrejamento.


O 'Evangelho Segundo S. Mateus' conta que, quando José descobriu o estado da sua noiva, quis recusá-la em segredo.

Mas um anjo apareceu-lhe em sonhos e confirmou a história que ela contava. Alguns historiadores acreditam que Mateus tentou, desta forma, reagir a boatos que corriam entre os judeus e que garantiam que Jesus era filho ilegítimo.
Mais: afirmam que José renunciou à noiva em segredo porque não a culpava, uma vez que Maria teria sido violada por um soldado romano.

Paulo Mendes Pinto é especialista em Ciência das Religiões





Os primeiros indícios desta teoria surgiram por volta do ano 178 d. C. No texto 'Da Verdadeira Doutrina', o filósofo grego Celso escreveu que Maria “engravidara de um soldado romano chamado Panthera”.

Segundo James D. Tabor, chefe do departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte e autor do livro 'A Dinastia de Jesus', esta afirmação aparece antes ainda.
Um rabi do século I chamado Eliezer ben Hircano relatou ensinamentos transmitidos por um seguidor de Jesus chamado Jacob de Sikhnin de Séforis e que se referia a Jesus como “filho de Panteri.” A história foi contada noutros textos escritos por rabis.


Os teólogos da Igreja acusaram os judeus de caluniar Maria e Jesus e esforçaram-se por encontrar soluções.

No século IV, o bispo de Constância, Epifânio, admitiu essa designação, mas explicou-a dizendo que o pai de José se chamava Jacob Panthera.
Mais tarde, no século VIII, foi o teólogo João Damasceno que garantiu que Panthera era o bisavô de Maria.


Mas em 1859 foi descoberta na Alemanha uma nova peça do puzzle. Num cemitério romano foi encontrada uma lápide de um soldado romano chamado Tiberius Julius Abdes Pantera.

No epitáfio lia-se que Pantera era de Sídon, uma vila a norte da Galileia, e prestara serviço na primeira coorte de arqueiros, a mesma que segundo registos romanos esteve presente na Rebelião da Galileia, no ano 4 a. C. – o que coloca Panthera perto de Nazaré na altura em que Maria terá engravidado.



"Permanecer virgem era impensável", diz Rui Alberto Silva



A Igreja ensina que, mesmo depois de dar à luz Jesus, Maria permaneceu virgem até morrer. Uma ideia estranha, se pensarmos que no tempo de Jesus o conceito do voto de virgindade não existia na cultura judaica.

“Permanecer virgem era impensável, todas as mulheres judias sonhavam em conceber o Messias”, explica Rui Alberto Silva. Para mais, são muitos os textos do 'Novo Testamento' que falam dos irmãos de Jesus.


No 'Evangelho Segundo S. Marcos' estão escritos os seus nomes e há referência a irmãs. “Não é Ele o Carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?

E as suas irmãs não estão aqui entre nós?” Até Paulo, na Epístola aos Gálatas, fala de “Tiago, irmão do Senhor”.
Maria terá sido, portanto, mãe de uma família numerosa. E, muito provavelmente, viúva, já que o marido, José, deixa de ser mencionado depois da peregrinação ao templo, quando Jesus teria 12 anos.

Para conciliar a virgindade de Maria e os irmãos de Jesus, os teólogos cristãos recorreram ao Proto-Evangelho de Tiago, que apresenta José como viúvo e transformam os irmãos de Jesus em meios-irmãos.

Outros responsabilizam o autor do evangelho por ter traduzido mal a palavra grega adelfos, que significará primos.
A ideia pegou e no Concílio de Constantinopla, em 553 d.C., Maria foi designada aeiparthenos, sempre virgem. O dogma da Virgindade Perpétua foi declarado no século XIII, no quarto Concílio de Latrão.


Para James D. Tabor, os irmãos de Jesus foram quase apagados do 'Novo Testamento' por apenas um motivo: luta pelo poder.

Tiago seria o verdadeiro sucessor de Jesus e não Pedro, como acabou por acontecer. Uma das provas reside no Evangelho de Tomé, descoberto no Egipto em 1945, e onde está escrito que Jesus designou Tiago como o seu sucessor.



Há um terceiro túmulo, que terá sido ocultado pelo Vaticano



Os evangelhos descrevem uma relação tensa entre Maria e os seus filhos com Jesus. Para Maria, o filho de Deus prometido pelo anjo Gabriel tornara-se num rabino revolucionário.

Tomava refeições com pecadores, tocava em leprosos (condenável pela lei judaica) e perdoava pecados, privilégio restrito aos clérigos. Nas Bodas de Canaã, Jesus troca palavras ásperas com a mãe.
“Que queres de mim, mulher? A minha hora ainda não chegou?”, diz-lhe, quando Maria o avisa de que se acabou o vinho.


De acordo com o 'Evangelho Segundo S. Marcos', Maria chegou mesmo a tentar travar o filho, porque este estaria fora de si.

Mas quando Jesus toma conhecimento de que a família o procura, diz apenas: “Quem é a minha mãe?” Uma frase que terá por certo magoado Maria. Mas não tanto quanto a morte do filho na cruz.
A arte cristã pintou muitas vezes Maria junto da cruz onde o filho foi pregado por volta do ano 30 d. C., em Jerusalém. Os historiadores duvidam, porém, da sua presença.

Três dos evangelhos canônicos não mencionam o nome da mãe de Jesus na crucificação. Marcos escreve que as mulheres assistiram ao longe. Lucas e Mateus ignoram por completo a sua presença.
Apenas o 'Evangelho Segundo S. João' escreve que Maria estava junto da cruz, o que torna, segundo o especialista em estudos bíblicos alemão Gerd Lüdermann, muito improvável que assim tenha acontecido.
Maria terá evitado testemunhar a morte do filho primogênito, mas rezou por ele com os discípulos em Jerusalém, diz o 'Acto dos Apóstolos'. É a última menção a Maria nos textos canônicos.


João acrescentou um último pormenor: na cruz, Jesus terá entregue a mãe ao discípulo por ele “mais amado.”

O teólogo Ireneu escreveu no século II que esse discípulo seria o próprio João e que ele terá viajado para Éfeso, na Ásia Menor, correspondente à parte asiática da Turquia, para pregar. Segundo a tradição oriental foi aí que Maria morreu aos 58 anos de idade.
Mas até na sua morte há polêmicas. Certas correntes garantem que o último suspiro de Maria terá ocorrido em Jerusalém, perto do Monte das Oliveiras.
Nos séculos II e III, uma sepultura escavada na rocha foi identificada como o seu túmulo. Lá se ergueu uma igreja no ano 455 d. C., que foi destruída pelos persas, reconstruída pelos cruzados em 1130 e parcialmente demolida pelos muçulmanos. Hoje é local de peregrinação para todos os credos.

Graham Phillips, autor de ' A Conspiração Mariana', acredita que Maria foi enterrada numa ilha britânica, para onde fugiu 





Há um terceiro túmulo que terá sido ocultado pelo Vaticano. Segundo Graham Phillips, autor do livro 'A Conspiração Mariana', a Virgem Maria foi enterrada na ilha galesa de Anglesey, no Reino Unido.

A descoberta do túmulo foi feita pelo arqueólogo Giovanni Benedetti, a quem após a segunda Guerra Mundial o Vaticano pediu que investigasse a veracidade dos dois túmulos de Maria.
O arqueólogo não encontrou provas conclusivas, mas informou o Vaticano de que descobrira indícios de um terceiro túmulo.
Segundo Graham Phillips, Benedetti ia revelar tudo em livro quando, em 1950, o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Maria. Para a Igreja Católica, Maria foi elevada aos céus, corpo e alma.
Ou seja: não poderia existir qualquer túmulo. O arqueólogo foi instigado a calar-se pela poderosa Congregação para a Doutrina da Fé. E assim fez.


Mas Graham Phillips investigou as pistas de Benedetti e descobriu no Vaticano um manuscrito do século IV. Nele está escrito que, após a morte do filho, Maria foi enviada para as ilhas britânicas para fugir às perseguições aos cristãos.

Um pouco mais tarde, em 597 d. C., o primeiro bispo da Cantuária, Agostinho, encontrou o túmulo de Maria perto de uma nascente, em Llanerchymedd, na ilha de Anglesey. Enviou uma carta ao Papa Gregório, mas este, crente da assunção de Maria, pediu-lhe segredo.


O dogma da Assunção está relacionado com outro, também ausente de qualquer evangelho, o da Imaculada Conceição.

Segundo os teólogos cristãos, Maria nasceu sem mancha do pecado original. A ideia espalhou-se pelas comunidades cristãs nos primeiros séculos da Igreja, mas só foi oficializada pelo Vaticano em 1854, pelo Papa Pio IX.
Quatro anos depois, a pastora Bernardette Suborious confirmou o dogma, afirmando ter visto a Virgem Maria em Lourdes, França, e que esta se apresentou como Imaculada Conceição. Coincidência? Talvez não.
Se Maria nasceu sem pecado original – como, ninguém explica –, não poderia sofrer a morte, vista como o castigo desse pecado.
Assim, terá adormecido e, antes que a pudessem enterrar, terá sido elevada aos céus para junto do filho. Uma vida tão misteriosa só podia acabar com um mistério ainda maior.




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