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quarta-feira, março 19, 2014

Banco central dos EUA diz que vai manter juro baixo mesmo depois que economia retomar fôlego

By on 19.3.14
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, vai provavelmente encerrar o seu programa de compra de ativos entre setembro e dezembro deste ano, e pode iniciar a elevação das taxas de juros cerca de seis meses depois, afirmou a chair do Fed, Janet Yellen, nesta quarta-feira.
O comentário mostra uma direção mais agressiva na direção da elevação das taxas de juros do que alguns investidores previam, o que fez as ações e os bônus nos EUA caírem. No mercado futuro de juros, operadores estão precificando uma alta já em abril de 2015.
"Ela certamente antecipou o cronograma um pouco e eu não acho que o mercado estava esperando isso de maneira alguma, pois ela tem o perfil mais 'dovish'(expansionista) do que hawkish (contracionista)", afirmou o presidente-executivo do Clearpool Group, Peter Kenny.
Ao anunciar a sua visão sobre os juros no futuro após dois dias de reunião, o Fed retirou diversas diretrizes que vinham sendo usadas para ajudar o público a antecipar quando irá finalmente elevar a taxa de juros overnight que está em zero.
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Yellen aproveitou a sua primeira entrevista coletiva para enfatizar que as taxas de juros vão se manter baixas por um período, serão elevadas de maneira gradual e podem ficar abaixo do normal "por algum tempo" mesmo depois de a economia recuperar a saúde, dado as duradouras cicatrizes da crise financeira.
Yellen encontrou dificuldades para explicar que o abandono da taxa de desemprego de 6,5 por cento como diretriz definitiva para a elevação dos juros não significa mudança na política monetária. O Fed afirmou que, ao invés da taxa de desemprego, vai passar a avaliar uma série de indicadores econômicos para decidir seus próximos passos.
A chair do Fed também disse que as autoridades vão olhar não apenas o quão próximas as taxas de inflação e de desemprego estão das metas, mas também o quão rápido estão se aproximando desses objetivos.
O BC dos EUA informou no comunicado que a manutenção de política expansionista ocorrerá mesmo depois de o Fed atingir o objetivo de pleno emprego e 2 por cento de inflação.
Na entrevista, Yellen disse que as autoridades do Fed citaram "impactos residuais da crise financeira" para manter a política expansionista, com alguns indicando que a taxa potencial de crescimento da economia pode ser menor por algum tempo.
Mesmo assim a maioria das autoridades do Fed espera que a taxa de juros suba em 2015, de acordo com as previsões divulgadas pelo BC.
O banco central também deu continuidade às reduções do imenso programa de compra de títulos, anunciando que vai reduzir as aquisições mensais de Treasuries e títulos lastreados em hipotecas para 55 bilhões de dólares, ante 65 bilhões de dólares.
O presidente do Fed de Minneapolis, Narayana Kocherlakota, foi dissidente, afirmando que desistir da referência à taxa de desemprego pode afetar a credibilidade do compromisso do Fed com inflação de 2 por cento.
RETIRADA
A decisão de continuar a reduzir o estímulo mantém o Fed no caminho apresentado por Ben Bernanke, antecessor de Yellen. O Fed repetiu que planeja continuar reduzindo as compras de ativos em "passos graduais" desde que as condições do mercado de trabalho continuem melhorando e a inflação mostre sinais de voltar à meta.
Das 16 autoridades do Fed, apenas uma acredita que será apropriado elevar a taxa de juros neste ano; 13 esperam uma elevação no ano que vem e 2 veem a primeira alta dos juros em 2016, de acordo com as novas projeções publicadas na quarta-feira.
E uma vez iniciado o processo de alta dos juros, as autoridades do Fed veem agora elevações mais acentuadas do que viam em dezembro, com juros a 1 por cento no fim de 2015 e em 2,25 por cento no fim de 2016, de acordo com a mediana das previsões.
Em dezembro, as autoridades do Fed esperavam que a taxa de juros de curto prazo chegaria a 1,75 por cento apenas no fim de 2016.
As novas previsões também mostram que as autoridades do Fed veem o desemprego caindo de maneira mais rápida, para entre 5,6 por cento e 5,9 por cento ao fim de 2015. Em dezembro, as previsões eram de desemprego caindo para entre 5,8 a 6,1 por cento no quarto trimestre de 2015.
 


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