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sábado, maio 24, 2014

Arqueólogos acreditam ter achado embarcação usada por Colombo perto do Haiti. Especialistas questionam.

By on 24.5.14
Fotografia da replica da caravela Santa Maria da flotilha usada por Cristovão Colombo na sua viagem





Especialistas dos EUA acreditam ter encontrado a embarcação "Santa Maria" de Cristóvão Colombo nas profundezas do Caribe perto do Haiti, o que poderia ser uma das descobertas submarinas mais importantes, revela nesta terça-feira o jornal "The Independent".


Segundo o jornal, uma equipe liderada pelo arqueólogo submarino Barry Clifford acredita que os restos da caravela estão no fundo do mar ao norte do litoral do Haiti, após analisar fotografias tiradas durante uma pesquisa prévia há mais de dez anos, junto com outras de uma recente missão de reconhecimento.


"As provas geográficas, de topografia submarina e arqueológicas sugerem com força que este naufrágio corresponde à famosa embarcação de Colombo, a Santa Maria", dise Clifford, cuja equipe realizou neste mês uma expedição de reconhecimento.


"O governo haitiano foi extremamente útil e agora precisamos seguir trabalhando com eles para fazer uma escavação arqueológica detalhada", acrescentou.


Até o momento, segundo acrescenta o jornal, a equipe de Clifford realizou medições e tirou fotografias no local.


A tentativa de identificação da Santa Maria foi possível a partir de várias pesquisas realizadas por arqueólogos em 2003, que sugeriam o lugar provável do naufrágio.


Com esta nova informação, Clifford pôde utilizar dados das notas de Colombo para deduzir onde os restos deveriam estar, acrescenta a informação publicada na página digital do jornal.


Uma expedição realizada por sua equipe há dez anos já tinha tirado várias fotografias dos restos, mas nesse momento não conseguiram estabelecer a identidade.


Mas uma nova análise das fotografias submarinas tomadas na primeira expedição de 2003, junto com dados obtidos por uma expedição de reconhecimento submarina no começo deste mês, permitiu a Clifford identificar que os restos provavelmente correspondem a Santa Maria.


As provas, acrescenta o "The Independent", são importantes, levando em conta que a localização coincide com as notas de Colombo.


Nos últimos anos, a equipe de Clifford utilizou magnetômetros e outros instrumentos para tentar encontrar o Santa Maria perto do litoral do Haiti.


"Informamos ao governo haitiano sobre nossa descoberta, e esperamos trabalhar com eles e outros colegas haitianos para assegurar que o lugar é protegido e preservado. Será uma oportunidade maravilhosa trabalhar com as autoridades haitianas para preservar a evidência e os artefatos do navio que mudou o mundo", afirmou Clifford em declarações que publica o diário.


O arqueólogo submarino expressou sua confiança de que uma vez realizadas as escavações e dependendo do estado das madeiras, será possível finalmente retirar os restos da embarcação, para que depois sejam expostos em um museu do Haiti.


Clifford é um dos exploradores submarinos mais experientes do mundo já que realizou estudos de vários restos históricos em distintas partes do mundo durante anos.


"Uma escavação será necessária a fim de encontrar mais provas e confirmar" que se trata do navio, afirmou o professor Charles Beeker, da Universidade de Indiana (EUA), que acompanhou Clifford na recente expedição de reconhecimento em águas do Haiti.


Várias semanas após chegar ao Caribe em 1492, a "Santa Maria", com Colombo a bordo, ficou à deriva ao norte do Haiti e a embarcação teve que ser abandonada.
 
 
 
 


Historiadores especialistas nas viagens de Colombo a América questionaram a suposta caravela Santa Maria encontrada porque a descoberta entra em conflito com o próprio relato do almirante de que foi desmontada em 1492 e suas tábuas utilizadas para construir a Fortaleza de La Navidad, no Haiti.


O achado feito em águas haitianas surpreendeu alguns dos principais especialistas espanhóis em Colombo reunidos na Grã Canária, onde na quarta-feira começou um seminário dedicado às verdades e mitos que circulam sobre o navegante.


O acadêmico do Real Academia da História da Espanha, Carlos Martínez Shaw, autor de uma reconhecida biografia do almirante, e a professora de História Moderna da UNED Marina Alfonso Mola, que dedicou parte de sua pesquisa ao marinheiro genovês, concordam: "Pode ser que seja uma Santa Maria. Pode ser que seja a de Colombo, mas não é a embarcação do descobrimento".


"Há muitas Santa Marias. De fato, Colombo levou outra Santa Maria na quarta viagem. Santa Marias houve centenas, mas justamente a da primeira viagem há documentos que relatam que ela encalhou, foi desmontada e os restos usados para a construção do forte", disse à Agência Efe Marina Alfonso Mola.


A professora defende, sem ver as provas encontradas, que "segundo a documentação confiável da época, sem manipulação alguma, não pode ser a Santa Maria", a caravela propriedade do navegante espanhol Juan de la Cosa em que Cristóvão Colombo dirigiu sua primeira expedição.


"O próprio Cristóvão Colombo narra no relato da primeira viagem: sofreu um naufrágio no qual a caravela Santa Maria de Juan de la Cosa ficou tão ruim que não se pôde ser arrumada. Portanto, foi desmontada para fazer tábuas e, com elas, se construiu um forte de madeira, o La Navidad, suficientemente grande que abrigava 39 pessoas", diz Martínez Shaw, que foi assessor histórico do filme "1492 - A Conquista do Paraíso" rodado por Ridley Scott.


A fortaleza estava localizada no norte da ilha onde hoje há o Haiti e a República Dominicana, mas dela nada se conservou.


Consultado pela Efe, José Luis Casado Soto, ex-diretor do Museu Marítimo do Cantábrico, autor do livro "Barcos utilizados por Colón para descubrir y volver" (2006) (sem tradução para o Português), afirma que essa notícia do achado da embarcação do descobrimento, "tal como está, deve ser colocada entre parêntese, entre aspas e em papel celofane até que vejamos evidências".


Casado Soto adverte que a suposta descoberta foi realizada por pesquisadores privados americanos que podem ter interesses e não se sabe quais seriam eles. Ele afirma que não confiará totalmente até que o apresentem "documentos fósseis inequívocos"; ou seja, cerâmicas, armas, itens de vestuário ou outros objetos do barco.


Ele também acredita que possa ser um Santa Maria, mas questiona outros dados: a Santa Maria de Juan de la Cosa encalhou em águas superficiais, onde era fácil recuperar seus restos e em uma região que, com o passar dos séculos, sofreu múltiplas modificações. "Hoje certamente é terra". 




 
 

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