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terça-feira, novembro 06, 2012

Implicações do teste de voo do segundo caça stealth chinês

By on 6.11.12
Os esforços da China no desenvolvimento de caças stealth parece que deu mais um salto a frente após a mídia local ter informado que Shenyang Aircraft Corporation (SAC) havia testado com sucesso seu protótipo do jato J-31 na semana passada. Após o teste de voo do protótipo do avião J-20 desenvolvido pela Chengdu Corporation (CAC) menos de dois anos atrás, o teste do J-31 sugere que a China poderá, eventualmente, tornar-se o único país depois dos EUA a desenvolver dois programas de caças furtivos – uma importante desenvolvimento e com graves implicações potenciais para o mercado de exportação de aeronaves assim como para a tática militar dos EUA.

Vídeo e fotos divulgadas na quinta-feira mostram o protótipo do J-31 realizando uma corrida de táxi inicial de alta velocidade e 10 minutos de vôo de teste acompanhado por um par de caças SAC J-11BS. O voo inaugural do J-31 representa a “revelação” siginificativa do segundo avião de caça da SAC em menos de um ano, sendo o outro, o J-16, um caça biposto do multimissão J-11B, semelhante ao F-15E e ao russo Su-30MKK.

A indústria de defesa da China agora pode sustentar múltiplos programas avançados sobrepostos. A SAC está atualmente trabalhando sozinha em quatro aviões de caça – o J-31 e o J-16, assim como o pai do J-16, o monoposto J-11B e o caça embarcado J-15, também baseado no J-11B.

Assim como nos aviões de combate mais modernos, o J-31 provavelmente será uma aeronave de combate multi-função capaz de empregar modernas munições de precisão, tanto ar-ar como ar-superfície. Apesar de um rápido avanço aparente, no entanto deverá levar tempo para o caça alcançar o status operacional pleno. Como Xu Guangyu da Associação de Controle de Desarmamento da China explica, “ainda há um enorme abismo entre as tecnologias da China e dos EUA em aviões de caça porque ainda estamos testando tanto o J-20 e J-31. Pode levar mais alguns anos antes que possamos colocá-los na linha de produção.”

A observação de Xu levanta uma questão interessante, porque não está ainda claro se o J-20 e o J-31 são destinados a complementar-se ou ser concorrentes. Alguns analistas chineses, como o ex-vice-editor do site World Aviation Bai Wei, compartilha a visão de colegas ocidentais que eles podem ser complementares, como parte de uma mistura “high-low”, com o maior J-20 parecido com o F-22 e o menor J-31 semelhante ao F-35 Joint Strike Fighter dos EUA.
Um fator que sugere que o J-20 e o J-31 podem se complementar é que o J-31 pode ser modificado para ser utilizado em porta-aviões, mas o J-20 é improvável que seja. O analista militar Capitão Li Jie da Marinha do Exército de Libertação Popular da China (PLAN) cita meios de comunicações ocidentais, que afirmam que o protótipo do J-31 “pode tornar-se um caça embarcado”, porque ele é menor e mais leve que o J-20.

Impactos Regionais

A perspectiva de tornar o J-20 e o J-31 os principais caças de ataque tático da China durante a próxima década está influenciando o planejamento regional de defesa e os mercados de exportação de aeronaves táticas. A revelação do J-31 afirma que, sem contar os motores a jato, o setor aeroespacial da China está agora em muitos aspectos tão avançado como a Rússia e sugere que os fabricantes russos em breve serão incapazes de competir com os fabricantes de caça da própria China. Pequim já é a sexta maior nação exportadora de armas do mundo, e o crescimento das exportações de aeronaves chinesas viria em grande parte à custa de Moscou.

Isso significa que a Rússia terá que mudar suas exportações de armas da China para vizinhos chineses, como Vietnã e Índia. No entanto, dado aos cortes de gastos de defesa nos EUA e na Europa Ocidental, as empresas russas terão de competir com os gostos da Boeing, Lockheed Martin e BAE de uma forma que nunca teve com a China (já que empresas de defesa ocidentais são amplamente proibidas de vender para vários países por embargos), que era essencialmente um mercado cativo para os exportadores de armas russos. E portanto, o cada vez maior desenvolvimento paralelo chinês do J-20 e J-31, dará um impulso adicional para a indústria de aviação da China para dominar a produção em massa de modernos motores de alto desempenho a jato – o seu último grande obstáculo para ser capaz de exportar aeronaves táticas.

O J-31 também está afetando significativamente as decisões sobre gastos de defesa dos EUA, especialmente se ele acabar sendo produzido em conjunto com o J-20 e eles acabarem sendo complementares um ao outro. Se o J-31 e J-20 entrarem em produção em massa, a China poderia finalmente atingir a paridade, ou talvez mesmo a superioridade numérica na região da Ásia-Pacífico, em termos de geração moderna de caças implantados. Há uma probabilidade crescente de que o rápido avanço da China no projeto de aeronaves táticas irá estimular um novo debate nos EUA sobre o reinício da produção de altamente avançadas, mas também muito caras aeronaves F-22 Raptor.

Indústria militar aeroespacial da China próxima da massa crítica

É extremamente significativo que a China poderá em breve juntar-se aos EUA como a única nação a desenvolver dois caças furtivas simultaneamente. O setor aeroespacial de defesa da China pode estar se movendo em direção a um modelo de arquitetura global em que vários pólos distintos de especialização se desenvolvem em Shenyang, Xian, Chengdu e em seguida, competem uns com os outros sobre os principais projetos para um grande pedido. As múltiplas bases da indústria da aviação com o significativo desenvolvimento e a capacidade de produção, incluindo a SAC, permitem a concorrência interna por programas de aeronaves chaves. Isso pode minimizar as chances de um único ponto de falhas que comprometem as metas de desenvolvimento, aumentam a eficiência e maximizam as chances de descobertas úteis.
Assim, não é muito cedo para considerar a possibilidade de que a indústria de aviação da China, apesar das limitações duradouras, já pode desfrutar de algumas vantagens sobre contrapartes ocidentais. Como um retardatário, a China pode aproveitar os conhecimentos provenientes de espionagem industrial, engenharia reversa, e estudo de sistemas estrangeiros, padrões e especificações, permitindo reduzir os custos de desenvolvimento ao invés vez de desenvolver cada componente em si. Enquanto isso, ela pode se beneficiar com a falta de obstáculos legais para subvenções e divulgação técnica através da falta de integração civil-militar que os empreiteiros ocidentais sem dúvida se beneficiaram durante seu auge da Guerra Fria, antes de regulamentações mais rígidas surgirem na década de 1980 e 1990.
A indústria aeroespacial militar da China está se aproximando rapidamente da massa crítica. Continuar adicionando investimento para esta base de crescimento permitirá que a indústria de aviação da China possa aproveitar plenamente os flashes de proezas técnicas mostradas quando novas aeronaves como o J-31 decola pela primeira vez.

Fonte: Andrew Erickson e Gabe Collins / China Realtime Report (The Wall Street Journal) – Tradução: Cavok

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