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quarta-feira, maio 22, 2013

Israel 'faz barba, cabelo e bigode' no setor bélico brasileiro

By on 22.5.13
Há dias, o governador gaúcho Tarso Genro esteve no Oriente Médio. Com os palestinos, assinou moderados convênios para compra de tecnologia no cultivo de oliveiras e agricultura familiar. Mas com Israel foi mais longe: no dia 29 de abril, firmou protocolo com a israelense Elbit para parceria no polo aeroespacial do estado, envolvendo base de foguetes. A visão de Tarso Genro é altamente pragmática e, na verdade, comprova o fortalecimento de empresas israelenses na indústria militar brasileira.
A Elbit Systems Ltd já é sócia da Embraer, com 75% das ações da AEL Sistemas, empresa de capital misto que vem fornecendo a tecnologia dos aviões usados pelas Forças Armadas (Bandeirante, caça F5, caça A4 da Marinha, KC 390, AMX). A AEL era uma empresa 100% nacional, chamada de Aeroeletrônica Ltda., que, desde os anos 1980, fornecia equipamentos para aviões da Embraer. Agora, é um braço desnacionalizado. A Elbit, através da subsidiária brasileira AEL, recebeu contrato para fornecimento de sistemas eletro-ópticos à Savis Tecnologia (subsidiária da Embraer Defesa e Segurança) para aplicação na primeira fase do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron).
A Elbit, que forneceu veículos não tripulados (Vants) para a Força Aérea Brasileira, igualmente está ligada à Harpia Sistemas S/A, que tem como foco a exploração do mercado desses veículos e pertence à Embraer (51%), à AEL (40%) e à Avibras (9%). A Avibras, uma das baluartes da área de defesa no Brasil, passou à Harpia o seu projeto de desenvolvimento de um Vant genuinamente nacional, que corre o risco de ser colocado de lado diante da existência dos similares israelenses. O projeto da Avibras, chamado de Falcão, contou com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e de instituições militares.
Também é a Elbit proprietária (100%) da ex-brasileira Ares Aeroespacial e Defesa S/A, que produz, entre outros itens, lançadores de torpedos e bases para alças ópticas para navios; foguetes de bombardeio lançados por aeronaves; e foguetes Chaff para despistamento de mísseis. A Ares foi contratada para fornecer as bases (torretas) com metralhadoras para os veículos blindados Guarani, do Exército, que estão sendo fabricados no Brasil pela multinacional italiana Iveco. A Ares também está presente no desenvolvimento do sistema de míssil antinavio da Marinha. Para as alças ópticas da Ares, destinadas aos navios de patrulha, poderão ser adotadas câmeras de TV e infravermelho fornecidas pela Elop, que vem a ser a Elbit Systems Electro-Optics.
http://1.bp.blogspot.com/-XbdVQ6czQHo/Tt9sZb4vW-I/AAAAAAAABpk/mk_vBuhnntI/s1600/AEL-Sistemas.jpgJá outra gigante israelense, a IAI (Israel Aerospace Industries - 100% estatal) forneceu os Vants da Polícia Federal que foram objeto da campanha eleitoral da Dilma quando ela prometeu que seriam compradas até 14 unidades para reforçar a vigilância nas fronteiras. Essa operação esta sendo alvo de investigação pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2012 a catarinense Dígitro assinou uma parceria com a IAI, especializada em tecnologia para segurança pública. A IAI recentemente foi vencedora da seleção da FAB para substituir os atuais aviões de reabastecimento em vôo. O primeiro avião será produzido em Israel e o segundo no Brasil, pela TAP Manutenção e Engenharia Brasil, em Porto Alegre (RS).
Os aviões, comprados pela FAB, são do modelo Boeing 767-300, usados. A IAI comprou 40% da brasileira Iacit, que atua nas áreas de controle de tráfego aéreo e marítimo, comunicação, radar meteorológico e tecnologias da informação. O acordo se dá através da Elta Systems -que pertence à IAI- e da Lardosa, subsidiária da IAI que cuidará da parte financeira. O foco da parceria serão projetos na área de defesa e segurança pública, principalmente para o mercado nacional. Em 2012 a Iacit foi vencedora do Prêmio Finep de Inovação, na categoria Média Empresa Nacional.
Por fim, a também israelense Rafael Advanced Defense Systems comprou 40% da Gespi Aeronáutica, empresa capacitada a fazer revisões e manutenções gerais em equipamentos aeronáuticos, tornando-os aptos ao retorno às operações, segundo as exigências dos fabricantes. Se tudo continuar como está, o ousado projeto de criação das Empresas Estratégicas de Defesa, que visava a dar independência tecnológica ao país, não terá atingido seu objetivo básico, que era o de estimular grupos brasileiros. O que se vê em defesa é o crescimento dos estrangeiros no mercado nacional, ao contrário do que ocorre, por exemplo, na França, onde companhias do setor podem comprar tecnologia fora, mas seu capital tem de ser 100% nacional. 

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