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quarta-feira, setembro 04, 2013

Líbia avança rumo à desintegração

By on 4.9.13

As autoridades da Líbia prometeram começar em setembro a processar Seif al-Islam, filho de Muammar Kadhafi, que será julgado por um tribunal de primeira instância em Trípoli em 19 de setembro, comunicou a Procuradoria-Geral do país. Mas continua a ser duvidoso, se tal acontecerá na realidade.

O filho de Kadhafi foi capturado por rebeldes em novembro de 2011 e desde então se encontra numa prisão na cidade de Zintan. As autoridades locais ignoram exigências do Governo de transferir Seif al-Islam para a capital. Hoje, as regiões da Líbia vivem de fato independentemente e não se subordinam ao poder central.
Zintan não é a única cidade que não se subordina às autoridades oficiais líbias. Atualmente, um poder único real falta de fato na Líbia, considera o copresidente do Comité Russo de Solidariedade com Povos da Líbia e da Síria, Oleg Fomin:
“A Líbia é cindida em várias regiões que não se subordinam ao poder central. O país está sendo fragmentado a um nível ainda mais baixo. Na realidade, é governado por formações criminosas e agrupamentos armados que ditam suas leis nas localidades em que se encontram, implantando ali as suas próprias regras. Um poder central não existe e o poder local pertence a estes agrupamentos armados que brigam constantemente entre si”.
A província de Cirenaica é uma das regiões mais problemáticas do país, em que se extrai aproximadamente 80% do petróleo líbio. Mas as receitas de sua venda não entram no orçamento federal, porque a maior parte do petróleo se espolia por formações tribais e agrupamentos islamistas locais. O ministro do Interior da Líbia, Mohammed Khalifa al-Sheikh, tentava lutar contra eles, mas, dando-se conta da inutilidade destas tentativas, apresentou recentemente um pedido de demissão. Na opinião de peritos, a situação ainda piorará mais no futuro. Segundo o diretor do Centro de Parceria de Civilizações do Instituto de Relações Internacionais de Moscou, Veniamin Popov, o poder central enfraquece, sobretudo no que diz respeito a relações entre a Tripolitânia e Cirenaica:
“Em 1950, quando a Líbia anunciou a independência, o Estado formou-se de três regiões: Cirenaica, Tripolitânia e Fezzan. A última é uma grande, mas deserta região no sul. Por outro lado, a Tripolitânia, onde se encontra a capital Trípoli, e a Cirenaica, com o centro em Bengasi, sempre competiram entre si”.
Muammar Kadhafi nasceu em Sirta, uma cidade na Tripolitânia. No período de Jamahiriya, os habitantes da Cirenaica consideravam que o governante era mais benevolente em relação a seus conterrâneos, sentindo-se prejudicados. Não é surpreendente que primeiras manifestações contra Kadhafi começaram nomeadamente em Bengasi. Mas após a derrubada de Kadhafi tornou-se claro que sua figura foi o elemento que consolidava a Líbia como Estado unido. O sistema começou a desintegrar-se depois de ter desaparecido este elemento, aponta Veniamin Popov:
“O país está a desintegrar-se aos olhos vistos. O comunicado de que Zintan não está disposto a entregar Seif al-Islam é muito caraterístico. As tribos da Cirenaica já declararam três vezes que têm grande vontade de Barca (nome da região em árabe) se tornar semiautônoma ou totalmente autônoma. Mas o principal, na sua opinião, é o fato de a região ter suas próprias leis e depender menos de Trípoli.
Destaque-se que a operação das forças da OTAN, que terminou com a destituição de Kadhafi, colocou não apenas a Líbia na beira de desintegração. O problema consiste em que nas tropas do líder de Jamahiriya prestavam serviço tuaregues, povo que habita a região na junção da Líbia, Níger, Burkina Faso, Marrocos, Argélia e Mali. Após a derrubada de Kadhafi, estes combatentes bem treinados regressaram à pátria, no norte do Mali, e anunciaram a constituição de seu próprio Estado – Azawad.
Em breve, o controle de tuaregues sobre algumas cidades no território de Azawad, inclusive sua capital Tombuctu, foi interceptado por islamistas. Foi possível suprimir os separatistas só após militares franceses terem chegado a ajudar o exército do Mali.

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