1989 - Massacre da Praça de Tiananmen


Era 4 de Junho, milhares de estudantes manifestavam-se em Pequin contra o regime comunista quando militares cercaram a Praça Tianamen e massacraram dois mil estudantes com tanques e baionetas.

Este horror, transmitido em directo pela CNN, e com a presença de dezenas de jornalistas ocidentais, correu mundo, pôs em causa o regime comunista, mas a verdade é que passados todos estes anos o que mudou na China foi o regime económico e não o político.
Um país, dois sistemas, assim tem conseguido a China crescer e desafiar o Mundo.

Hoje em Hong Kong, no Parque Victoria, milhares de pessoas reuniram-se para lembrar a triste data, com flores, velas acesas e cânticos à democracia. Ao contrário da “outra China” Hong Kong e Macau, devido aos seus estatutos de autonomia puderam manifestar-se lembrando a matança de Tianamen.

Há 17 anos da janela do quarto de Hotel, o fotojornalista Stuart Franklin da agência Magnum conseguia fotografar um manifestante resistente ao avanço dos tanques do poder comunista. Ganhou com esta fotografia o World Press Photo.

O cameraman português Mário de Carvalho, então ao serviço da cadeia ABC no mesmo local, diz num livro seu que o homem que desafiava o tanque estava a caír de bêbado, daí a sua aparente coragem.
Assim se fazem alguns mitos da História.

O massacre na Praça Celestial

Fonte: JB
Jornal do Brasil: 6 de junho de 1989


O exército decidiu investir contra os milhares de estudantes que estavam acampados na Praça Celestial. Eles exigiam mais democracia, a reforma do regime e a queda do primeiro-ministro Li Peng.

A cena-símbolo do massacre foi a de um jovem chinês que tentou impedir sozinho a passagem de uma coluna de 18 tanques. Depois de colocar-se exatamente na linha de avanço dos blindados, ele foi caminhando, calmo e ritmado, na direção da coluna. Houve um ligeiro desvio da parte dos militares para sair da rota colisão com o intruso, mas ele não desistiu. Vestia uma camiseta branca quando se lançou mais de uma vez na frente dos blindados para impedir que eles chegassem novamente à praça. Como numa corrida de touros, voltou a encarar a coluna de frente.

Jornal do Brasil: 5 de junho de 1989
O solitário toureador de blindados acabou dobrando os inimigos, e os tanques pararam. Ele subiu então no primeiro deles e, batendo com os punhos na carcaça, gritou: "Fascistas, fascistas". Afinal desceu e, cercado por colegas manifestantes, desapareceu na multidão. A cena não durou mais que um minuto mas foi registrada pela TV e mostrada ao redor do mundo.

A identidade do heroi nunca foi descoberta.

Depois de sete horas de batalha, a paisagem era de destruição. Pelo menos 1400 mortos e 10 mil feridos na violenta repressão do Exército Chinês contra os manifestantes que haviam ido às solidarizar-se com os estudantes que estavam acampados na Praça da Paz Celestial, onde fica a sede do governo do Partido Comunista Chinês e o Parlamento.

Sob o regime da lei marcial, a TV e o rádio não divulgaram para a população chinesa as verdadeiras dimensões dos confrontos e das perdas humanas.


O dilema dos soldados chineses


Jornal do Brasil: 5 de junho de 1989


A decisão tomada pelo Partido Comunista em responder aos manifestantes com a força indignou os estudantes. A tropa que matava era o Exército de Libertação Popular, cujas origens vinham das mudanças introduzidas nas Forças Armadas por Mao Tsé Tung, quando este chegou ao poder em 1949.

Os soldados, muitos deles extremamente jovens e inexperientes, passavam por um dilema: ou atiravam nos seus compatriotas ou sofreriam as penalidades aplicadas pelo Chefe do Estado Maior. Houve soldados que ameaçaram se suicidar caso fossem obrigados a atirar contra a população.

Tiananmen em video:













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