Polónia anuncia aumento nos gastos militares
Sistemas anti-aéreos e novos navios serão principais apostas

ÁREA MILITAR

A Polónia anunciou que iniciará um plano de renovação das suas Forças Armadas durante os próximos 10 anos, que implicará investimentos totais de 17.000 milhões de Euros.

Entre os principais componentes da modernização, estará a instalação de um sistema de defesa anti-aéreo contra mísseis de médio e longo alcance, e que deverão complementar os mísseis norte-americanos que vão ser instalados no país ao abrigo de acordos entre a Polónia e os Estados Unidos.

O sistema de defesa aéreo da Polónia será construído com base nos mísseis Patriot de fabrico norte-americano. Os primeiros mísseis deste tipo serão entregues pelos Estados Unidos já em 2009 e a Polónia ficará responsável pelo desenvolvimento e extensão da rede defensiva antiaérea.

A nível naval o programa destina-se a substituir grande parte dos navios do pais, parte deles ainda ao serviço desde o período em que a Polónia pertencia ao Pacto de Varsóvia.
A mais cara das aquisições serão cinco corvetas da classe Meko-A100, mas serão também construídos navios de patrulha, navios para a guerra de minas e pelo menos um submarino. Os planos polacos prevêem a construção das unidades navais nos estaleiros do próprio país.

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Também o exército polaco tem vindo a ser modernizado, e embora o país ainda mantenha a capacidade para construir carros de combate da família T-72 de origem soviética, foram recebidos carros Leopard-2 A4 que foram cedidos à Polónia pelo exército alemão, esperando-se ainda a entrega de mais unidades. Quando o fornecimento de carros alemães estiver completo, eles deverão atingir o total de 250 unidades, a que se juntam cerca de meia centena de veículos lança-pontes.

O exército também está a receber carros de combate sobre rodas AMV-Patria que são montados localmente e que deverão completar 690 unidades, 317 das quais equipadas com uma torre de fabrico italiano Oto Melara, armada com canhão de 30mm.

O anuncio dos novos investimentos na área da defesa, ocorre num período de alguma tensão entre a Polónia e a Rússia e depois de um general russo ter afirmado que se a Polónia aceitasse a instalação de mísseis dos sistema anti-míssil norte-americano arriscava-se a ser directamente atacada.

As declarações russas foram proferidas durante um crescendo na guerra de palavras da Rússia contra o Ocidente, em que generais russos afirmaram que atacariam onde fosse preciso para defender os cidadãos russos.

Estas declarações foram interpretadas quer na Polónia quer noutros países do antigo Pacto de Varsóvia, como uma ameaça directa por parte da Rússia e uma tentativa de intimidação, ao mais puro estilo da antiga União Soviética, o que levou a Polónia a ficar entre os países da União Europeia que fizeram pressão para que uma posição mais forte fosse tomada contra o governo de Moscou.