"Alguns estão olhando para Benghazi, outros, para Trípoli. A Rússia considera que é sua tarefa lançar uma ponte entre essas duas margens sobre as quais a sociedade líbia se encontra posicionada", disse Mikhail Margelov, enviado especial do presidente Dmitry Medvedev à África.
Em uma cúpula do G8 no mês passado, Medvedev somou sua voz a de parceiros ocidentais para exortar o líder líbio Muammar Gaddafi a abandonar o poder, ofereceu os serviços da Rússia como mediadora e disse que enviaria Margelov à Líbia, inicialmente a Benghazi.
Analistas dizem que a Rússia quer preservar sua influência em um país onde tem bilhões de dólares em armas, energia e contratos ferroviários.
"A Rússia ocupa uma posição singular na Líbia hoje: não rompemos relações com Trípoli e estabelecemos relações com Benghazi", disse Margelov à televisão estatal russa Rossiya-24, ao chegar a Benghazi.
"Estamos prontos, se possível, a atuar como intermediários na criação de um diálogo político interno líbio. A Rússia está disposta a ajudar politicamente, economicamente e de qualquer maneira possível", disse Margelov em coletiva de imprensa em Benghazi.
"Acreditamos que Gaddafi perdeu a legitimidade depois da primeira bala disparada contra o povo líbio", disse ele, acrescentando que a democracia será alcançada na Líbia por meio de eleições que acontecerão depois de a guerra civil terminar.
Medvedev tinha dito que esperava que Margelov tivesse a oportunidade de conversar com os dois lados, mas que ele não irá a Trípoli nesta visita. Depois de suas discussões, Margelov embarcou para o Cairo, informou a mídia russa.
Margelov se reuniu com Mustafa Abdel Jalil, chefe do conselho nacional rebelde, segundo a imprensa russa. Ele também teria tido um encontro com Ali Tarhouni, o ministro rebelde do Petróleo e das Finanças, para discutir a situação financeira e ajuda mais efetiva.
A Rússia apoiou a resolução inicial do Conselho de Segurança da ONU que impôs sanções ao governo de Gaddafi, mas se absteve em março na votação da segunda resolução, que autorizou a intervenção militar. Ela vem acusando a coalizão ocidental que está lançando ataques aéreos de extrapolar seu mandato de proteger civis.
Os rebeldes que lutam para pôr fim às quatro décadas de governo de Gaddafi controlam o leste da Líbia a partir de seu reduto em Benghazi, a cidade de Misrata, no oeste do país, e as montanhas perto da fronteira com a Tunísia. Eles não têm conseguido avançar sobre Trípoli, enfrentando as forças mais bem equipadas de Gaddafi.

A capital líbia e a área que a cerca têm sido alvos de bombardeios crescentes da Otan nos últimos dias.
Em Oslo, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que Moscou não procura um papel de liderança na mediação líbia e destacou a importância dos esforços da União Africana.
(Reportagem de Sherine El Madany em Benghazi, Steve Gutterman em Moscou e Walter Gibbs em Oslo)
Fonte: REUTERS/UOL

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