O governo provisório líbio nomeou nesta terça-feira o general da reserva Yousef al-Manqoush para comandar as Forças Armadas do país, num significativo primeiro passo para a construção de uma nova força militar no país.

Manqoush é oriundo de Misrata, cidade que foi um importante reduto dos rebeldes que em 2011 derrubaram o regime de Muammar Gaddafi.

A nomeação dele foi anunciada num dia em que quatro combatentes de milícias rivais foram mortos em um confronto na capital, num fato que ilustra as dificuldades do novo governo para controlar grupos díspares que estiveram unidos contra Gaddafi.

Para apressar a restauração da ordem, o governo provisório pretende incorporar milhares de ex-rebeldes às Forças Armadas, à polícia e a ocupações civis. Alguns chefes de milícia dizem, no entanto, que só cederão o comando sobre o seus combatentes quando um aparato militar e de segurança organizado estiver funcionando.

Manqoush estará encarregado de formar essa estrutura, mas não está claro ainda se ele será aceito pelos chefes de milícias como comandante das Forças Armadas.

O fato de ele ser originário de Misrata, cidade de origem de várias milícias anti-Gaddafi, pode contribuir com essa aceitação, e talvez tenha sido crucial para a sua nomeação.

O novo ministro da Defesa, Osama al-Juwali, é oriundo de Zintan, outro importante reduto de milícias envolvidas na guerra civil de 2011.

O general Manqoush já estava na reserva quando aderiu à insurgência que encerrou em agosto os 42 anos no regime de Gaddafi. Atualmente, ele era vice-ministro da Defesa, segundo uma fonte do Conselho Nacional de Transição, o governo provisório.

"Ele é um oficial militar que optou por se aposentar. Ele aderiu às linhas de frente no começo da revolução, foi preso pelas forças de Gaddafi e então foi libertado pelos revolucionários", contou a fonte.

Na prática, o poder na Líbia continua nas mãos das milícias, mais de dois meses depois de Gaddafi ser capturado e morto, num fato que marcou o fim da guerra civil. Essas milícias agora dividiram a capital e o interior em feudos concorrentes, e cada uma delas se apega à parcela de poder que julga merecer.

Fonte: Reuters/BOL