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terça-feira, abril 10, 2012

Malvinas: Reino Unido espera que a Argentina pague uma dívida

O Reino Unido espera que a Argentina pague uma dívida de mais de US$ 71 milhões referente a um empréstimo concedido em 1979 à Junta Militar argentina, que, por sua vez, teria usado o dinheiro para financiar parte do armamento empregado na invasão das Ilhas Malvinas, informou nesta segunda-feira o jornal Financial Times.
De acordo com o jornal, o dinheiro teria sido usado pelo governo da Argentina para formar equipes militares e comprar armamento, os mesmos que foram usados mais tarde na invasão das Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, cuja soberania ainda é motivo de disputa entre ambos os países.

A dívida foi herdada pela UK Export Finance, uma agência britânica de crédito à exportação. No entanto, um porta-voz do Ministério britânico assegurou ao jornal citado que o governo de David Cameron "não tem planos de perdoar essa dívida".

Segundo o Financial Times, os bens que a Argentina comprou com o dinheiro desse empréstimo incluem dois helicópteros Lynx e dois navios de guerra do modelo Type 42.

Contrária ao pagamento desta dívida, a organização "Jubilee Debt Campaign" quer que essa cobrança seja cancelada "pelo fato do empréstimo ter sido concedido imprudentemente para ditadores com pleno conhecimento de que os mesmos não investiriam o dinheiro em desenvolvimento".

"Emprestar dinheiro à Junta Militar para comprar armamento britânico foi ilegítimo", indicou Nick Dearden, diretor do grupo de ativistas "Jubilee Debt Campaign", ao jornal citado.

A Guerra das Malvinas entre Argentina e Reino Unido, que completou seu 30º aniversário no último dia 2 de abril, terminou no dia 14 de junho de 1982 com a rendição argentina. O confronto resultou na morte de 649 argentinos, 255 britânicos e três ilhéus.

Segundo os documentos citados pelo Financial Times, o empréstimo foi autorizado em 1979, pelo então ministro das Relações Exteriores David Owen, que, por sinal, já tinha manifestado algumas dúvidas.

Owen indicou que as dúvidas eram relacionadas ao "potencial dos armamentos comprados por um regime cujo histórico de direitos humanos era pior que o do Chile" e que também poderia "gerar um confronto contra os britânicos pelas Malvinas".

Fonte: Terra



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