A Força Aérea dos Estados Unidos (Usaf) deve anunciar em março o
resultado da concorrência para a compra de 20 aviões de treinamento
avançado e ataque leve, que serão usados em missões no Afeganistão,
segundo previsão feita para as empresas que participam da disputa.
Conhecido pela sigla LAS (Light Air Support), o programa de aquisição
dessas aeronaves pode alcançar a cifra de US$ 1 bilhão com a encomenda
de 50 aviões.
A Embraer, que havia sido declarada vencedora da licitação no começo
do ano passado, participa novamente do processo com a aeronave
turboélice Super Tucano. Sua rival, a americana Hawker Beechcraft (HB),
também está no páreo com a aeronave AT-6, ainda em fase de
desenvolvimento. No dia 19 deste mês, a HB anunciou a sua saída do
'Chapter Eleven' (pedido de proteção contra falência), feito em maio do
ano passado.
Segundo comunicado enviado para a imprensa nesta semana, a HB informa
que saiu do processo de recuperação judicial bem posicionada para
competir de forma vigorosa nos mercados de aviação executiva, missões
especiais, treinamento e ataque leve. O plano de reorganização da
empresa foi aprovado pelo Tribunal de Falências dos Estados Unidos no
dia 1° de fevereiro e entrou em vigor no dia 15.
A retração da demanda por aeronaves executivas e uma dívida de US$
2,5 bilhões levaram a HB a entrar com o pedido de proteção contra
falência no ano passado. A empresa também fez uma tentativa fracassada
de venda da sua área de aviação executiva para o grupo aeroespacial
chinês Superior Aviation Beijing.
Em entrevista anterior, o presidente da Embraer Defesa e Segurança,
Luiz Carlos Aguiar, disse que o Super Tucano é o avião que oferece menor
risco para o programa LAS e que o modelo atende perfeitamente a missão
requerida pela Usaf para a concorrência.
'A nossa expectativa é realmente positiva. Desde que a concorrência
seja justa e baseada em critérios competitivos, a Embraer tem muita
esperança de ganhar novamente', afirmou.
Pelas regras da segunda concorrência, aberta pela Usaf depois que a
HB entrou na Justiça americana para impedir que o contrato fosse fechado
com a Embraer, a empresa brasileira poderá ser favorecida, entre outras
coisas, pelo maior peso que está sendo dado para a experiência
comprovada do avião em operações de contrainsurgência.
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O avião da concorrente americana só pôde demonstrar sua experiência
como treinador, já que a nova versão de ataque leve At-6 ainda não está
operacional. O Super Tucano, por sua vez, tem mais de 180 mil horas de
voo, das quais 28 mil horas em voo de combate.
Em operação em nove forças aéreas da América Latina, África e Ásia,
possui um total de 160 unidades entregues. Mesmo sendo um produto
projetado e produzido no Brasil, o Super Tucano é um programa com
impacto econômico forte para as empresas americanas.
Segundo a Embraer, cerca de 86% do valor em dólar do Super Tucano vem
de componentes fornecidos por companhias ou países qualificados sob a
lei 'Buy American Act', que exige um conteúdo americano superior a 50%
para os produtos comprados fora dos EUA.
O parque industrial envolvido com o projeto reúne mais de 100
fornecedores de serviços e de componentes em 21 Estados americanos, o
que corresponde a uma cadeia de fornecedores de 1.400 funcionários nos
EUA.
'Na verdade, a Embraer adquire mais de US$ 2 bilhões em componentes
fabricados por fornecedores americanos, suportando cerca de sete mil
empregos nos EUA', comenta a Embraer em seu site 'BuiltForTheMission',
com informações dedicadas ao Super Tucano e à concorrência LAS.
Caso seja a vencedora da concorrência, a Embraer pretende ainda
construir uma fábrica na cidade americana de Jacksonville, na Flórida.
No site sobre o Super Tucano, a empresa informa também que não serão
criados novos empregos no Brasil como resultado de um eventual contrato
com a Usaf para o programa LAS.
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