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quinta-feira, julho 22, 2010

A nova guerra de Giap - O capitalismo chinês


A nova guerra de Giap -
O capitalismo chinês


Por Laerte Braga (*)


Vo Nguyen Giap tem 98 anos de idade e derrotou franceses e norte-americanos nas guerras pela libertação da antiga Indochina, o Vietnã. Ao lado de Ho Chi Min e do povo vietnamita.



Um dos maiores estrategistas militares do século passado e chamado pelo jornal LA REPPUBLICA de “general de dois séculos”, acusa o governo de seu país de ser tolerante com o capitalismo chinês, com graves prejuízos para o ambiente e povo do Vietnã.



Seu discurso, duro e preciso, com a autoridade moral de quem se entregou à tarefa de viver pela dignidade e independência de seu país, não foi contestado pelas autoridades comunistas – como ele – do Vietnã.



Giap denuncia o capitalismo chinês, conhecido no Vietnã como “sinistro”, pelo absoluto e total desrespeito ao ambiente e aos países onde põe o seu tacão.



É difícil dizer que o regime chinês seja comunista. Num país onde a corrupção gerada pelo capitalismo, é intrínseca, é cada vez maior o número de milionários num clube menor de privilegiados e maior o de escravos num clube de mais de um bilhão de pessoas, não há como escapar de uma conclusão simples. Uma ditadura cruel e perversa de um partido traindo os ideais revolucionários que, por um tempo, libertaram o povo chinês.



Giap denunciou a cessão de direitos sobre minas quase intocadas de bauxita na província de Cao Bang. A linguagem é típica de países capitalistas, países e negócios. A formação de “joint ventures com empresas chinesas. A região, como narra Raimondo Bultrini, que conversou com o general e publicou suas declarações na edição de 19 de julho, “é uma encantadora cascata de montanhas e colinas cultivadas, justamente na fronteira com a China.



Em 1979 os chineses invadiram o Vietnã em represália à condenação do governo de Ho Chi Min ao Khmer Vermelho do Camboja. A invasão teve apoio dos EUA (o Khmer matou milhões de pessoas no Camboja). Terá sido a última grande batalha do velho general. Giap, numa espetacular manobra só possível aos grandes estrategistas militares, cortou as linhas chinesas de suprimento, isolou os chineses e um acordo para aquele tipo de retirada nem tão devagar que parece provocação e nem tão depressa que pareça medo, foi a conseqüência. No duro mesmo foi vem rápida.



Os acordos feitos pelo governo comunista (o pragmatismo em determinados momentos cheira a rendição, submissão, partidos revolucionários viram empresas) do Vietnã com o governo sei lá o que da China, vão “mudar para sempre o rosto ainda não contaminado dos altiplanos centrais e setentrionais”. A região faz parte da História das lutas do Vietnã pela independência, foi local de um dos refúgios de Ho Chi Min.



Breve o tacão capitalista chinês sufocando e destruindo o povo e o ambiente.



Os discursos e as entrevistas de Giap, além do apelo do prêmio Nobel Nguyen Huu Ninh, do manifesto de intelectuais, acadêmicos, veteranos das guerras de libertação, não foram capazes de sensibilizar o governo submetido a Pequim.



“É meu parecer que nós não devemos explorar a bauxita. A sua extração irá causar conseqüência graves ao ambiente, à sociedade e à defesa nacional”.



O acordo do governo do Vietnã foi firmado com a chinesa CHINALCO, uma das gigantes do setor de alumínio e em 2012 todo o aparato capitalista estará montado e destruindo a região.



Para Nguyen Tan Dung, primeiro-ministro do “novo comunismo” vietnamita, subordinado ao imperialismo chinês, todo esse amontoado de acordos e joint ventures é “uma das principais políticas econômicas do partido e do governo”.



Rios como o BA e o SEREPOK em breve estarão contaminados por agentes químicos e tóxicos derivados da “exploração, em uma região habitada pelo maior número de etnias indígenas não vietnamitas”.



Quinze milhões de dólares foi o valor pago a empresa estatal do Vietnã VINACOMIN, pela chinesa CHINALCO.



Comprou um país na chamada visão “social capitalista” do governo atual da antiga Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Min.



O discurso e vários pronunciamentos e entrevistas do general Giap calaram fundo em seu povo. A idade avançada e a doença, no entanto, impedem-no de uma luta maior e essa deve ser a primeira derrota de um dos maiores generais da História. Um raro general revestido de dignidade, numa seara onde a barbárie é quase regra geral.



“O ataque de Giap teve efeitos milagrosos. Deu coragem a outras vozes de dissenso, em uma sociedade que se moderniza velozmente. Quem se colocou como escudo do general de 98 anos, expondo-se, foram 135 acadêmicos, economistas e cientistas”. Eles também assinaram um pedido ao governo, com tons duros para com a China:



A REPÚBLICA POPULAR TEM UMA FAMA SINISTRA PELOS DESASTRES AMBIENTAIS QUE ESTÁ PROVOCANDO”



O comunismo na China é rótulo. Mero capitalismo disfarçado e imposto a chineses, agora se estendendo por vários países da Ásia e alcançando a África.



O que se vê é apenas o embate de dois monstros predadores. EUA e China.



Deve servir de exemplo para o processo de integração latino-americana. Como não deve ser.



Giap e Fidel são os últimos governantes com estatura de estadistas, como Oscar Niemeyer, centenário em sua fidelidade a princípios. Giap não foi propriamente um governante, foi comandante militar de seu povo na luta pela independência, contra colonizadores e invasores.



O que se vê hoje são apenas homens de negócios vestindo essa ou aquela roupa segundo as conveniências, onde nada é pessoal, pois é um mundo em que pessoas são cada vez mais objetos.


CHINALCO, GENERAL MOTORS, CITY BANK, entre nós VALE, ARACRUZ, no mundo inteiro matando pessoas BAYER, MONSANTO, e os gerentes, Obama, Sarkozy, o primeiro-ministro inglês, etc, etc.


Não é um “Admirável Mundo Novo”, não, não é. É o mundo “O Macaco e a Essência”.

*Laerte Braga
é jornalista.
Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”

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