Trinta e três anos depois da explosão em pleno no ar do DC-9 da Itavia,
que caiu próximo à ilha de Ustica, na Sicília, a Justiça
responsabilizou o Estado italiano pela queda do avião comercial, com 81
pessoas a bordo, em 27 de junho de 1980.
A aeronave envolvida no acidente, fotografada em 1972
McDonnell Douglas DC-9-15
Prefixo I-TIGI
A Suprema Corte de Cassação julgou recurso, em última instância, do
processo cível movido pelas famílias de quatro vítimas. "O Estado
italiano foi responsabilizado por ter a obrigação de proteger seu espaço
aéreo e garantir a segurança do voo", afirma a advogada Vanessa
Fallica, que representa os familiares.
A condenação reforça a tese de que o DC-9 foi abatido por um míssil,
numa tentativa de interceptação do avião que supostamente transportava o
ditador líbio Muammar Gaddafi, morto em 2011. Caças americanos,
franceses e líbios faziam manobras militares na área do acidente.
As investigações do processo penal até hoje não chegaram a uma conclusão quanto às causas da explosão.
A outra hipótese era de que a queda teria sido causada por uma bomba em
um dos banheiros. Versão descartada após uma das perícias revelar que a
maçaneta do lavatório estava intacta.
"Depois de ler milhares de páginas do processo, a minha convicção é de
que o avião foi derrubado por um míssil lançado para abater o caça que
pensavam transportar Gaddafi", diz Vicenzo Fallica, também advogado dos
familiares das vítimas.
Autoridades dos três países diretamente envolvidos foram intimadas, via
carta rogatória, a responder sobre os fatos. As averiguações não foram
adiante sob alegação de "segurança nacional".
Pressionada pelo governo italiano, a Otan (Organização do Tratado do
Atlântico Norte) entregou aos magistrados italianos a lista dos aviões
militares em voo na noite da explosão do DC9. Foram identificados 15, à
exceção de caças que partiram de uma base francesa na Córsega.
Fatos que fazem aumentar os mistérios em torno da explosão.
Testemunhas-chaves tiveram mortes suspeitas, como suicídios e acidentes.
Entre os militares que morreram no curso das investigações está o
oficial que fazia o controle do espaço aéreo italiano na noite do
acidente.
O governo terá de pagar uma indenização de 1,2 milhão de euros (R$ 3,17
milhões) aos parentes das quatro vítimas. O processo de cível se
arrastava há décadas. O primeiro julgamento a favor dos familiares foi
proferida em 2007, 17 após o fato. O governo recorreu, mas a decisão foi
mantida em 2010, sendo confirmada agora em última instância.
O processo criminal até hoje não foi concluído.
Fonte: Eliane Trindade (jornal Folha de S.Paulo) / Site Desastres Aéreos - Imagens: Reprodução - Via Aviation News
Nenhum comentário:
Postar um comentário