As autoridades do Brasil e da Turquia definiram a criação de cinco grupos de trabalho para negociar parcerias nas áreas naval, aeronáutica, espacial e defesa cibernética. O acordo foi firmado entre os ministros da Defesa, Celso Amorim, e da Turquia, Ismet Yilmaz, em Ancara, capital turca. Nos três dias em que passou no país, Amorim conversou com políticos e empresários.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiz6na55S3bgeZX5BVpxtzUyfsY9Aq25BiJViH1PBhrdPz88Ega-2CsmsY5fTbJjyT54cj8tBMSQ7YjFjD_CJR4G7GDrlAtsW4nJGBO3osnbxugKI75__6q5FH-D1KLVl0AG-wyyDtHqfE/s400/Turquia-Brasil.jpg Amorim se reuniu também com o presidente da Turquia, Abdullah Gül, e o ministro das Relações Exteriores do país, Ahmet Davutoglu. Eles conversaram, segundo assessores, sobre a crise que atinge o Oriente Médio, principalmente o Egito e a Síria, países que sempre mantiveram estreita relação com a Turquia. No encontro, Amorim entregou uma carta da presidenta Dilma Rousseff, reiterando a disposição do país em incrementar a cooperação na área de defesa.
O Ministério da Defesa informou que os cinco grupos são formados por representantes do governo, civis e militares, além de integrantes de empresas da área de defesa dos dois países. Nos próximos dias, deverão ser definidas as datas de reuniões técnicas setoriais, que ocorrerão no Brasil e na Turquia até dezembro.
Nas reuniões em Ancara, o ministro turco destacou o elevado nível de parceria estratégica existente com o Brasil. Na área naval será estudada a possibilidade de troca de informações e o desenvolvimento conjunto de projetos de construção de navios-escolta: corvetas e fragatas.
O governo da Turquia construiu, a partir de projeto próprio, uma corveta com requisitos e características que podem interessar ao governo brasileiro. O Brasil também tem um projeto nativo de corveta, que serviu de base para a construção de um navio da nova classe de corvetas da Marinha, a Barroso.
No grupo aeronáutico, o Ministério da Defesa informou que as discussões incluem os veículos aéreos não tripulados (os Vants). A Turquia desenvolveu projetos de helicópteros militares de ataque e de Vants, além de ter experiência na integração e produção de peças. O Brasil desenvolve vants e tem experiência na fabricação de aviões civis e militares – projetos desenvolvidos pela Embraer.
O grupo espacial deve analisar as possibilidades de cooperação em sistemas de lançamento e de satélite (de sensoriamento e comunicações). O de comando e controle terá como objetivo
central a área de comunicações militares (com possibilidade de aplicação civil) por meio da tecnologia denominada Rádio Definido por Software (RDS).
O quinto grupo será responsável pela área de defesa cibernética, com base na experiência acumulada até o momento pelas forças militares das duas nações. O Brasil enviará representante à feira que a Turquia organizará sobre o tema, em novembro, em Ancara. Também foi discutida a possibilidade de abertura de novas vagas em cursos de operações de paz e de combate ao terrorismo, área em que as forças turcas têm ampla experiência.
Amorim participou das reuniões acompanhado do embaixador do Brasil na Turquia, Antonio Salgado, e os chefes da Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) e da Marinha do Brasil, Aderico Mattioli, Nilson Carminati e Antônio Carlos Frade Carneiro.