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quinta-feira, junho 14, 2018

O acidente aéreo que matou o Marechal Castello Branco

Nos últimos tempos, muitas "teorias de conspiração" ganharam fama pelo mundo, envolvendo, por exemplo, o atentado contra o World Trade Center e o Pentágono, o atentado de Lockerbie, a morte da Princesa Diana, e muitos outros mais. Mas é interessante conhecer uma dessas teorias que envolve o ex-Presidente do Brasil e Marechal Humberto de Alencar Castello Branco (foto abaixo).
Segundo a versão oficial dos fatos, o Marechal Castello Branco faleceu em um acidente aeronáutico, em uma aeronave do Governo do Estado do Ceará, um Piper Aztec (foto abaixo) matriculado PP-ETT, no dia 18 de julho de 1967. A aeronave que conduzia o ex-Presidente foi atingida na cauda pela ponta da asa de um caça da Força Aérea Brasileira, um Lockheed TF-33, perdendo a deriva. Depois de entrar em parafuso chato, o avião chocou-se com o solo e todas as pessoas a bordo morreram, com exceção do co-piloto.
Na manhã de 18 de julho, Castello Branco saiu do sítio da escritora Rachel de Queiroz, sua amiga, e decolou de Quixadá para Fortaleza a bordo do Aztec cedido pelo Governo do Ceará. Estavam a bordo do bimotor a escritora Alba Frota, o major Manuel Nepomuceno, o irmão do Marechal, Cândido Castello Branco, o comandante Celso Tinoco Chagas e o co-piloto Emílio Celso Chagas, filho do comandante. 

Desenho do TF-33 que abalroou o avião de Castello Branco
O tempo estava bom, visibilidade praticamente ilimitada e nebulosidade insignificante. O Aztec decolou do sítio de Rachel de Queiroz às 9 horas da manhã e voou em cruzeiro no nível de voo visual 055 (cinco mil e quinhentos pés). Trinta minutos depois, já durante a descida para Fortaleza, um jato de caça da FAB, um TF-33 - FAB 4325, atingiu a deriva do Aztec, decepando-a. O jato perdeu o tanque da ponta da asa, que curiosamente estava vazio, mas conseguiu retornar em segurança para sua base. O Aztec, entretanto, perdeu o controle direcional e entrou em parafuso chato, chocando-se com o solo de barriga, matando 5 das 6 pessoas a bordo, salvando-se o co-piloto Emílio Celso Chagas, que ficou, entretanto, bastante ferido.
O Aztec acidentado: houve apenas um sobrevivente
Na ocasião do acidente, houve uma investigação, que concluiu que o choque foi acidental, que ambas as aeronaves estavam em um mesmo "corredor" em direção à Fortaleza, e que teria havido, possivelmente, falha do controle de tráfego aéreo. E ficou por isso mesmo, já que o Governo Federal, naquela época, controlava tudo com "mão de ferro", censurando a imprensa e calando a oposição.

Embora a presença de caças nos céus do Ceará fossem comuns entre 1947 e 2002, o tráfego civil era respeitado e os jatos mantinham separação visual dos mesmos, como acontece até hoje. Mas o bimotor que levava Castello Branco foi atingido na deriva com uma precisão "cirúrgica", com poucos danos ao caça. As condições de visibilidade eram excelentes, dando condições ao piloto do caça, o Tenente Alfredo Malan d'Dangrogne, de avistar perfeitamente o tráfego à sua frente. Mesmo assim, ocorreu a colisão, o que despertou a suspeita, anos depois, de que não se tratava de um acidente, e sim de um atentado.

Se se tratava realmente de um atentado, qual teria sido o motivo e a quem interessaria a morte do ex-Presidente? Sobre isso não restam dúvidas, pois motivos não faltam. Castello Branco tinha deixado a presidência apenas 3 meses antes, passando o poder para o Marechal Arthur da Costa e Silva, representante da "linha dura" do Exército.

Na verdade, Castello Branco era um moderado, que assumiu o governo em um momento muito conturbado da política brasileira. Sua verdadeira intenção era devolver o governo aos civis assim que a crise que o conduziu ao poder tivesse acabado. Isso ia contra os interesses de outros generais, que tencionavam se manter no poder sob a alegação de manter a paz e e ordem pública e manter os comunistas e a esquerda "radical" longe do governo.
O mausoléu do Presidente Castello Branco, em Fortaleza/CE
Mesmo fora do governo, o Marechal Castello Branco tinha uma considerável influência no Exército Brasileiro, por ser um herói de guerra e por ter mantido a ordem pública em uma fase crítica da política brasileira. Em resumo, a presença de Castello Branco incomodava, e muito, os generais da "linha dura" que pretendiam se perpetuar no poder. E não haveria outro meio de meio desses generais se verem livres dele, senão matando-o.
Castello Branco e os generais da "linha dura" que o sucederam, Arthur da Costa e Silva e Emilio Garrastazu Médici (da esquerda para a direita)
Durante muitos anos, o co-piloto do Aztec, Emílio Chagas, acreditou na versão oficial de acidente, inclusive se encontrando com o piloto do caça que atingiu seu avião. Mas depois, passou a questionar o fato, evitando porém comprometer o piloto da FAB, já que o mesmo era ala de outro oficial, o Tenente Areal.
A operação de resgate das vítimas do acidente foi desastrosa: os oficiais e soldados da aeronáutica destroçaram o avião a machadadas e carregaram as vítimas nas costas, sem qualquer técnica. Como estas tinham danos na coluna vertebral pela posição de impacto, isso pode ter colaborado para agravar seus ferimentos.
O Aztec PP-ETT parcialmente restaurado e sem a deriva, preservado em Fortaleza
O avião acidentado foi reconstruído e parcialmente restaurado, e encontra-se hoje no quartel do 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, no Ceará. A deriva arrancada pelo caça jamais foi encontrada. O caça também foi preservado e encontra-se hoje na Base Aérea de Fortaleza, como monumento, ao lado do prédio do Comando da Base.
 
 
O FAB 4325 também foi restaurado e preservado (Foto: Escuta Aérea Fortaleza)






Um comentário:

Galvam disse...

Conspiração um pouco forte na minha opinião! Como aconteceu recentemente com o Ministro Tori Zavascki (assim que escreve?)! Muito complicado este atentado! Se a intenção era esta, o vilão autor da história é um daqueles com planos refinadíssimos! Daqueles que usam bigode e cavanhaque, usam robe de chambre fuma charuto e bebem conhaque francês enquanto expõe seu plano aos colegas conspiradores. Basta considerar as respectivas velocidades de aproximação das aeronaves e só já temos um fator de dúvida a considerar. Outro fator é que as aeronaves que colidiram não estavam necessariamente em paralelo horizontal ou vertical e convergiram colidindo, a aeronave da FAB estava já incluso no tráfego e fazia a aproximação padrão, mas a aeronave civil estava em posição incerta pelas poucas informações liberadas até agora. E tem mais, os pilotos da aeronave civil sabiam e conheciam as atividades da base aérea de Fortaleza, ciente disto é preciso lembrar que o padrão é sempre prioridade para aeronaves a jato na decolagem e aterrissagem! Principalmente naquela época que os motores a jato consumiam muito combustível! Portanto esse tráfego não era tão simples assim. Era complicado. Colocar duas aeronaves num mesmo corredor visual de aproximação para pouso...Duas naves distintas em características...Alguém cometeu um erro gravíssimo! Ou os pilotos do Marechal por acharem que estando transportando um VIP teriam privilégios na aproximação! Ou os pilotos não consideraram o tráfego do esquadrão da FAB, rotina diária, e o que é pior os pilotos da FAB em velocidade de aproximação muito superior ao da aeronave civil foram mal informados do posicionamento da aeronave e a sua evolução de movimentação! Mas conspiração? Seria muito mais fácil explodir o avião em voo longe de Fortaleza, até mesmo usando uma aeronave militar alternativa (Um T-6 por exemplo, configuração anti-guerrilha equipado com metralhadoras e foguetes provavelmente comuns naquelas bases da época). Embora o voo fosse relativamente curto, há entre Fortaleza e a Fazenda da Escritora Rachel de Queiroz e Fortaleza locais desabitados e de difícil acesso onde seria mais fácil protagonizar um atentado com sucesso! Quanto ao Tori Zavascki, o depoimento de uma testemunha, pescador que estava no local e ajudou no resgate, matou a charada! Segundo ele o Beech B-90 com o Ministro aproximava-se rumo à praia na direção da pista (usou uma ilhota como referência de rumo) á baixa altura, sob chuva forte e intensa, quando subitamente próximo aos barcos dos pescadores a asa da aeronave abaixou tocando a superfície da água provocando a queda da aeronave que capotou na superfície e ficou de dorso. Toda vez que um bimotor perde um dos motores em voo por panes diversas, a tendência é a asa "pesar" do mesmo lado do motor pifado e abaixar de repente. O que nos leva a fazer as devidas correções para manter o voo nivelado. Mas quando isto ocorre em condições críticas como aterrissagem e decolagem a situação pode não ser fácil de superar e considerando outras condições pode terminar em tragédia. No youtube há infelizes registros de algumas aeronaves que surpreendidas em baixa velocidade não conseguiram recuperar a estabilidade e caíram. Uma delas recentemente num aeroporto do interior de São Paulo, coincidentemente era uma aeronave com um dos motores em pane que virou de dorso há poucos metros de tocar a pista, era do mesmo modelo do avião que carregava o ministro. em tempo, considerando o relato do pescador ainda, presumi que um estol de compressor ocorreu devido ao excesso de água aspirado pelo motor devido a chuva intensa.

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