Os Indianos vão acabar voltando atrás e comprando o Gripen NG

Alemães testam o sistema IDAS com sucesso
Submarinos U-212 deverão utilizar equipamento a partir de 2014
Fonte: Area Militar

A marinha alemã acaba de anunciar um teste com sucesso do seu sistema conhecido como IDAS (Interactive Defence and Attack System for Submarines).
O IDAS é um novo passo no caminho da implementação de novas tecnologias nos submarinos convencionais.

O IDAS permite pela primeira vez a um submarino, disparar mísseis anti aéreos contra helicópteros de luta anti submarina ou contra navios de pequenas dimensões. Ao contrário de outros mísseis lançados de submarinos o IDAS mantém permanentemente a ligação com o submarino de onde foi lançado.
Como a ligação com o submarino é permanentemente, o míssil pode ser guiado a partir do navio submerso, até uma distância de 20km.

O IDAS é um míssil que é inicialmente lançado a partir de um contentor idêntico a um torpedo que é lançado de forma convencional, mas mantendo ligação por fibra óptica com o submarino.
A uma distância segura, que garante que a posição do submarino não será conhecida pelos sensores inimigos, o míssil descarta o «contentor» que sai então da água para detectar o seu alvo.

Na cabeça do míssil está uma câmara de infravermelhos capaz de captar ondas de calor. Os dados captados, são transmitidos através da fibra óptica para o submarino, a partir do qual um operador literalmente vê o alvo pelos olhos do míssil.

Os sensores do míssil são suficientemente precisos para identificar o alvo, e calcular o melhor ponto de impacto, como qualquer míssil do tipo «fire and forget», mas o operador que recebe os sinais dos sensores em tempo real, tem capacidade para accionar o comando manual do míssil.
Isto reduz dramaticamente a possibilidade de erro e torna quase inúteis os sistemas electrónicos de diversão, quer os que utilizam calor quer os que utilizam interferência de rádio, pois nenhum destes sistemas consegue condicionar a ligação de fibra óptica.

Objectivo: Helicópteros anti submarinos
O míssil IDAS pode ser disparado contra navios de pequenas dimensões e pode mesmo ser utilizado contra alvos em regiões costeiras, como baterias anti-navio, dentro do seu alcance de 20km, mas o alvo principal deste tipo de arma são os helicópteros de luta anti-submarina.

À medida que os sistemas submarinos foram evoluindo, tornou-se necessário aumentar o alcance anti-submarino e das fragatas e contra torpedeiros. Para isso utilizam-se helicópteros, que «caçam» submarinos mergulhando sonares dentro de água para detectar submarinos.

Os submarinos não têm defesa contra este tipo de ameaça, pois sendo detectados pelos sonares dos helicópteros, a única possibilidade é fugir, ou tentar chegar ao fundo, onde o submarino mais facilmente se confunde com o fundo do mar.

1 - Lançamento
2 - Separação do míssil do contentor
3 - Alvo
O IDAS, altera completamente esta equação, pois no caso de ser detectada uma ameaça aérea, o míssil pode com alguma facilidade destruir o helicóptero, garantindo a segurança do submarino. Embora o lançamento do míssil possa ser detectado por um navio inimigo como ele é lançado de um «contentor» longe do submarino, a posição deste não pode ser determinada.

O primeiro teste de lançamento real ocorreu a partir de um dos quatro submarinos do tipo U-212A presentemente ao serviço, no entanto o IDAS deverá entrar ao serviço apenas nos novos submarinos do tipo U-212 (U-212B [1] ) modernizados que se deverão juntar futuramente à frota a partir de 2014.

Os submarinos com sistemas de propulsão independente do ar, têm vindo a marcar pontos e embora com custos de operação mais caros e custos de aquisição igualmente altos, têm aparecido como a solução para as marinhas que colocaram encomendas para submersíveis nos últimos anos.

De entre os países mais avançados na construção deste tipo de submarinos, destacam-se os estaleiros alemães, que lançaram já dois tipos de submarinos com propulsão independente do ar, o U-212, mais adequado para águas costeiras e o U-214, pensado para águas profundas.

Os submarinos presentemente ao serviço, já têm capacidade para lançar torpedos, com os quais podem atingir outros submarinos e podem lançar mísseis anti-navio com os quais podem atacar alvos de superfície.
O submarino espanhol S-80A, presentemente em construção foi concebido para o lançamento de mísseis de cruzeiro que lhe dão capacidade para atacar alvos em terra e uma das outras possibilidades presentemente em estudo, são os sistemas anti-aéreos lançados a partir de submarinos.


[1] - Designação não oficial

Hoje na História
31/05/1996
Benjamin “Bibi” Netanyahu é eleito primeiro-ministro de Israel.

31/05/1990
O seriado de televisão “Seinfeld” estréia no canal de televisão norte-americano NBC.

31/05/1962
Adolf Eichmann, um dos líderes nazistas responsáveis pelo Holocausto, é enforcado em Jerusalém.

31/05/1961
A África do Sul se proclama uma república.

31/05/1945
Na China, o general Chiang Kai-Shek renuncia como primeiro-ministro, mas continua como presidente do país. O seu sucessor é Dr. T.V. Soong.

31/05/1911
Em Belfast, o navio White Star Titanic é apresentado como uma das maiores embarcações flutuantes. O navio afunda em sua viagem inaugural em abril de 1912.

31/05/1910
O Ato da África do Sul unifica e garante o autogoverno às colônias britânicas na região. A nova constituição concentra o poder nas mãos de todo o parlamento branco, e nega a participação de representantes negros.

31/05/1907
Os táxis chegam à Cidade de Nova Iorque de Paris. Estes novos táxis são os primeiros nos Estados Unidos.

31/05/1790
A Lei de Direitos Autorais é assinada pelo presidente George Washington, protegendo os direitos autorais sobre livros, mapas e outros materiais escritos.

Eventos históricos


Nascimentos


Falecimentos


Feriados e eventos cíclicos



LITURGIA DIÁRIA

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Evangelho (Lucas 1,39-56)

Sábado, 31 de Maio de 2008
Visitação de Nossa Senhora

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!" 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45"Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu".
46Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem.
51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre". 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

Visitação de Nossa Senhora

Visitação de Nossa Senhora A Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel é uma festa da Igreja em que nos alegramos com a presença de Maria na vida dos cristãos católicos como a Mãe de Jesus Nosso Senhor e nossa Mãe:

"Como me é dado que venha a mim a mãe do meu Senhor?" (Lc 1, 43).

Nós sabemos que Maria nunca foi causa de afastamento da Pessoa de Jesus com relação aos filhos da Igreja, pois dizem os santos marianos, que assim como o Cristo só sabe levar os homens para o Pai, também Maria somente sabe levá-los para Jesus. Por isso proclamamos:

"Tu és bendita mais do que todas as mulheres; bendito é o fruto do teu ventre!" (Lc 1, 42).

"Assim como o ar é sinal de vida no corpo, também ter Maria na alma é sinal de vida espiritual", ensina-nos São Luís Maria. Isto nós reconhecemos como verdade, porque a própria festa de hoje leva-nos a contemplar a ação do Espírito Santo na vida da prima Isabel, e de São João Batista, que ficaram cheios do Espírito Santo diante de Nossa Senhora. Santa Maria se monstrou sempre peregrina, tanto assim que para ir de Belém até a casa da prima percorreu, com Jesus ainda no ventre, cerca de 100 Km. Resultado visível da visitação foi o conhecido Magnificat, rezado por Maria, em que demonstrou quem é o Autor da devoção das multidões para com Ela:

“Minha alma exulta o Senhor e meu espírito se encheu de júbilo por causa de Deus, meu Salvador, porque Ele pôs os olhos sobre a sua humilde serva. Sim, doravante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada."

Lula lança programa para construção de 169 navios

Postado por Vinna sexta-feira, maio 30, 2008 0 comentários


JB Online

RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira, em Niterói (RJ), do lançamento do Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras e da segunda etapa do Programa de Modernização da Frota de Petroleiros (Promef), da Transpetro.

No total são 146 embarcações de apoio da Petrobras com valor estimado em R$ 5 bilhões, e 23 petroleiros da Transpetro, cujo valor não foi divulgado. Os navios terão de ser construídos no Brasil, com um mínimo de 70% de conteúdo nacional.

Segundo a Petrobras, cada navio vai gerar cerca de 500 postos de trabalho, em um total aproximado de 73 mil novos empregos, somados a 22 mil estimados pela Transpetro, pelos próximos seis anos. Durante esse período, serão realizadas sete licitações.

Entre as embarcações programadas pela Petrobras, 64 serão destinadas às atividades de suprimento, 54 ao manuseio de âncoras de grande porte, 18 para operações de recolhimento de óleo (exigência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e dez rebocadores.

Também fazem parte do pacote a possível contratação de dois superpetroleiros com capacidade de 300 mil toneladas, considerados os maiores do mundo, a um custo de US$ 180 milhões, cada.

A Petrobras pretende ainda contratar 40 navios-sonda e plataformas de perfuração semi-submergíveis para operarem em águas profundas e ultraprofundas, com expectativa de entrar em operação até 2017.

Com informações da Agência Brasil

Hoje na História

30/05/1992

As Nações Unidas impõem sanções contra a Iugoslávia com o objetivo de conter a guerra na Bósnia.

30/05/1982
A Espanha torna-se o 16º membro da OTAN, o primeiro país a entrar na aliança desde a entrada da Alemanha Ocidental, em 1955.

30/05/1967
Após anos de repressão sob domínio do governo militar da Nigéria, o estado de Biafra proclama sua independência.

30/05/1961
Rafael Trujillo, o ditador da República Dominicana, é assassinado.

30/05/1848
É ratificado o tratado entre México e Estados Unidos. Os Estados Unidos recebem o Novo México e a Califórnia, como partes de Nevada, Utah, Arizona e Colorado, pagando ao México $15 milhões.

30/05/1843
Pedro II se casa, aos 16 anos, com Teresa Cristina de Bourbon por procuração. O casal vem a se conhecer 3 meses depois.

30/05/1536
Na Inglaterra, o rei Henry VIII se casa com Jane Seymour.

30/05/1498
Cristóvão Colombo deixa a Espanha em sua terceira viagem de exploração às Américas.

30/05/1431
Joana d´Arc, condenada como herege, morre queimada em Rouen, na França.

Eventos históricos


Nascimentos

Falecimentos


Feriados e eventos cíclicos

  • Aniversário da cidade de São Joaquim da Barra, Estado de São Paulo
  • Dia do Geólogo (Brasil)
  • Dia de Santa Joana D'Arc
  • Portugal - Dia Nacional de Prevenção do Cancro Cutâneo



Chávez anuncia que Venezuela lançará "primeiro míssil de guiamento autônomo"

Fonte: UOL

Caracas, 29 mai (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou hoje que nos "próximos dias" seu país lançará seu "primeiro míssil de guiamento autônomo", como parte do plano de modernização das Forças Armadas, que até agora formalizou a compra de aviões, helicópteros e fuzis de fabricação russa.
"Estamos nos preparando (...) para lançar o primeiro míssil.

Isso ocorrerá nos próximos dias, logo informaremos", anunciou Chávez, em um ato de sua legenda, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), na cidade de Porta La Cruz (leste).
O governante explicou que o míssil, batizado com o nome de "dispare e esqueça", tem "vôo autônomo de 115 quilômetros", e que "pode ser comandado a mais de 100 quilômetros (de distância)". Será disparado "lá por cima, por nosso mar territorial", acrescentou Chávez, que deu a entender que o teste ficará sob responsabilidade de jovens militares venezuelanos "totalmente capacitados", com a assessoria de instrutores russos. "Eu vou disparar esse míssil", acrescentou o líder, cujo Governo concretizou nos últimos dois anos a compra junto à Rússia de 24 aviões de caça Sukhoi-30 e de cerca de 50 helicópteros de artilharia por US$ 2 bilhões, segundo dados oficiais de Moscou. Caracas ordenou a aquisição também de 100 mil fuzis AK-103.

Chávez rejeitou as críticas de que teria iniciado uma corrida armamentista na região, com o argumento de que se trata de um plano de modernização de suas Forças Armadas, que até dois anos atrás contavam com fuzis adquiridos na década de 1950.

LITURGIA DIÁRIA

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Evangelho (Mateus 11,25-30)

Sexta-Feira, 30 de Maio de 2008
Sagrado Coração de Jesus

25Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".

Santa Joana D'Arc

 Santa Joana D'Arc Com alegria, recordamos a vida da heroína francesa que, com apenas 19 anos, tornou-se guerreira e mártir. A conhecida Santa Joana D'Arc, nasceu em Lorena, na França, no ano de 1412.

Simples, trabalhadora e analfabeta, era uma menina muito rica na vida com Deus, sendo ajudada pelo Arcanjo Miguel e pelas santas de sua devoção, de modo que se deixou trabalhar pela Providência Divina, que a formava para uma especial missão: liderar a libertação dos povos franceses das mãos dos ingleses opressores. Depois de se apresentar ao rei e ser comprovada sua inspirada intenção, Santa Joana D'Arc recebeu a permissão para liderar o exército francês, o qual na batalha de Orléans conquistou, sob o comando dela, a vitória e a coroa do rei Carlos VII.

Santa Joana quis voltar à sua vida de campo, mas diante da insistência do rei foi liderar o combate em Paris, mas, desta vez, foi ferida, presa, entregue às autoridades inglesas, que através de sacerdotes renegados, manipularam a Igreja e o Governo para conseguirem a condenação na fogueira para Joana. Nos lábios dos mentirosos estava a acusação de blasfema, herege e bruxa, enquanto na boca de Joana, que morria queimada, estava os Santíssimos nomes de Jesus e Maria, morreu em 1431 e, 20 anos mais tarde, foi inocentada pela Igreja que a venera como mártir.

Postado por Vinna quinta-feira, maio 29, 2008 0 comentários




A história da conquista do Everest - 1865

Tema:Montanhismo
Autor: Airton Ortiz
Fonte: Terra

O Pico XV, embora ostentando o título de mais alta montanha da Terra, ficou sem nome ocidental até 1865. O critério utilizado na época para a nomeação das montanhas era manter seus nomes nativos.

Os primeiros mapas conhecidos da região, feitos por volta do ano 1700, davam ao tal Pico XV a denominação de Tschoumoulancma. Mas Andrew Waugh, resolveu quebrar esta regra e chamar o Pico XV de monte Everest (foto 2), em homenagem ao seu predecessor no cargo, George Everest, responsável por grande parte do trabalho de medição feito no Himalaia.

A proposta encontrou muita resistência nos meios acadêmicos londrinos. O próprio George Everest tinha como regra batizar as montanhas com seus nomes locais. Mas todos concordavam que Pico XV era pouco significativo para identificar o ponto mais alto da Terra.

E como o Nepal não tinha um nome para sua montanha, a Sociedade Geográfica Real acabou oficializando a sugestão do topógrafo-geral. E o mais alto obelisco do planeta passou a chamar-se monte Everest. A sugestão foi logo adotada em todo o Ocidente, embora os tibetanos e sherpas continuassem chamando sua grande montanha pelos nomes que vinham usando desde o século XVIII.

Os tibetanos a chamavam Chha-mo-lung-ma, como era conhecida pelos chineses, mas traduzido como Qomolangma ou Chomolungma, também usado pelos sherpas.

Sendo difícil de se fazer uma tradução mais acurada, passou-se a aceitar como significando “Deusa mãe do universo”, embora os sherpas às vezes o traduzam como “Lar da deusa do vento”. Ou “Lar do deus – ou deusa – que protege as mães”.

O nome nepalês, por sua vez, foi uma criação ainda mais recente do que o Everest dos britânicos. Eles o chamam de Sagarmatha, com diversas traduções: “Parte que toca o céu”, “Cabeça no céu”, “Cabeça acima de todas as outras” ou mesmo “Oceano de existência”.

As poderosas lentes dos teodolitos gigantes dos agrimensores britânicos haviam identificado o Everest, mas nada mais se sabia a seu respeito. Além de uma certa latitude, para os ocidentais havia apenas um vácuo geográfico. Os mapas topográficos continham grandes espaços em branco. Ou estavam rabiscados com linhas fantasiosas.

Na verdade, a grande montanha ainda pertencia ao mundo da imaginação. O Himalaia continuava um mistério a fascinar os grandes aventureiros. Os homens intrépidos do planeta sonhavam com a possibilidade de voltarem aos tempos em que a humanidade partira em busca de novas terras e mundos imaginários. (foto 17)

Durante vinte anos os ingleses tentaram de todas as maneiras possíveis cruzar as fronteiras políticas e naturais que os separavam do Everest. Planos mirabolantes e estratégias secretas foram postas em prática para chegarem aos territórios proibidos.

Alguns indianos, vindos de diferentes partes do país e que tinham semelhanças físicas com os nativos de ambos os lados da montanha, foram submetidos a um longo treinamento pelos oficiais J.T. Walker e T.G. Montgomerie. A idéia era criar um pequeno grupo de agentes secretos, capazes de cruzarem as fronteiras sem serem detectados.

Os agentes secretos do Instituto Topográfico da Índia se disfarçavam de peregrinos ou mercadores. Treinados para usarem sextantes e habilitados a medirem a altitude a partir do ponto de ebulição da água, eles penetravam no território vazio medindo a distância pelo número de passos que davam, marcados em um rosário budista. E as anotações iam sendo guardadas dentro dos cilindros de orações, dos cajados e dos amuletos religiosos ocos.

Alguns voltaram anos mais tarde sem uma única informação. Outros foram roubados ou feitos prisioneiros. E muitos simplesmente desapareceram no ar rarefeito. Mas teve quem obtivesse sucesso. O espião conhecido como Nain Singh chegou até Lhasa, e o lendário Hari Ram saiu de Darjeeling, cruzou o Nepal e chegou a Shigatse, no Tibete, explorando muitas montanhas ao redor do Everest.

Nesta reportagem:


» Saiba tudo sobre a história do Everest: A maior montanha do mundo


» A história da conquista do Everest - 1865


» A história da conquista do Everest - 1904


» A história da conquista do Everest - 1921


» A história da conquista do Everest - 1922


» A história da conquista do Everest - 1924


» A história da conquista do Everest - 1933


» A história da conquista do Everest - 1935


» A história da conquista do Everest - 1947


» A história da conquista do Everest - 1951


» A história da conquista do Everest - 1952


» A história da conquista do Everest - 1953

A Conquista do Everest por Tenzing e Hillary

Tema:Expedições
Autor: Airton Ortiz
Fonte: Terra

Em 1953 já se haviam passado 101 anos desde que o Instituto Topográfico da Índia descobrira ser o Everest a mais alta montanha da Terra.

Catorze expedições tinham falhado e 24 homens jaziam mortos sob as neves da montanha, na vã tentativa de atingirem seu cume. Estava mais do que provado que a tarefa demandava uma estrutura bem maior do que tudo já feito anteriormente.

A tentativa suíça do ano anterior deu aos britânicos o tempo necessário para organizarem uma expedição mais bem preparada. O treinamento incluiu uma experiência no Cho Oyu – a sétima mais alta montanha do mundo, com 8.201 metros de altitude –, em 1952, liderada por Eric Shipton.

Mesmo tendo falhado na tentativa de chegar ao cume do Cho Oyu, a expedição obteve um grande avanço na utilização correta do oxigênio e das roupas.

Embora Eric Shipton já tivesse liderado diversas expedições e contasse com o apoio popular, alguns membros do Clube Alpino Londrino achavam não ser ele a pessoa mais indicada para comandar um empreendimento de tal magnitude, a 10ª Expedição Britânica ao Everest, sobre a qual recaíam tantas esperanças e muita pressão política. Afinal, essa poderia ser a grande oportunidade de alguém ser o primeiro a escalar a mais alta montanha do planeta.

Um acordo diplomático entre os envolvidos dividiu o poder, permitindo a Eric Shipton ficar mais concentrado na escalada, deixando o comando com John Hunt, um oficial do exército, que daria ao evento um padrão militar.

Estranhamente, a maioria dos membros do Clube Alpino nunca havia se encontrado com John Hunt e ele próprio já tinha sido preterido na expedição de 1935 por problemas de saúde.

Ficou decidido que a expedição utilizaria todos os recursos ao alcance para atingir seu objetivo, inclusive o uso de oxigênio, enquanto os alpinistas estivessem dormindo em altitudes mais elevadas.

Para o Império Britânico, chegar ao topo do mundo era uma questão de honra. Para cobrir o evento, o Times enviou o jornalista James Morris, como membro da expedição, juntamente com o cinegrafista Tom Stobart.

Munidos dos mais modernos equipamentos de alpinismo disponíveis na época, a primeira parte da expedição partiu de Katmandu, naquela primavera, em grande estilo.

Composta por 350 carregadores sherpas, causava espanto aos nativos aquela fileira de homens trilhando uma estrada para o Everest. E como a prata era a única forma de pagamento aceita pelos sherpas em 1953, uma grande quantidade de moedas foi cunhada especificamente para este fim.

A caravana passou por Nanche Bazar e, após um pequeno período de descanso em Tengpoche, chegou em Gorak Shep, ao pé do Kala Patar, onde foi montado o Acampamento-base. A seguir estabeleceram um novo acampamento na geleira Khumbu, a meio caminho da Cascata de Gelo. Ao todo, foram criados nove acampamentos de altitude.

Nesta reportagem:


» A Conquista do Everest por Tenzing e Hillary


» Estratégias de Tenzing e Hillary para chegar ao cume


» Tenzing e Hillary no Teto do Mundo

Everest em Video:




O U-549, em ação individual, afunda, a oeste da ilha da Madeira, o porta-aviões de escolta americano "Block Island", que fazia parte de um grupo anti-submarino. Além disso, torpedeia um dos caça-torpedeiros da escolta; logo depois, porém, o U-549 é vítima de outro caça-torpedeiro.

Abaixo as fichas técnicas e fotos das belonaves envolvidas:


O UBOAT:

Comandante do submarino alemão:

Detlev Krankenhagen

Kapitänleutnant (Crew 36)


Successes
1 warship sunk for a total of 9.393 tons
1 warship damaged for a total of 1.300 tons

Born 3 Jul, 1917Danzig
Died 29 May, 1944south-west of Madeira


Ranks

1 Jun, 1943Kapitänleutnant

Decorations

U-boat Commands

U-54914 Jul, 1943 - 29 May, 1944 (+) 2 patrols (92 days)


Patrol info



U-boatDeparture Arrival

1. U-549 11 Jan, 1944 Kiel 26 Mar, 1944 Lorient Patrol,76 days
2. U-549 14 May, 1944 Lorient 29 May, 1944 Sunk Patrol,16 days

2 patrols, 92 days at sea

Ships hit by Detlev Krankenhagen


Date BoatName of shipTonsNat.ConvoyFate *
29 May, 1944 U-549USS Barr (DE 576)1.300 am
damaged
29 May, 1944 U-549USS Block Island (CVE 21)9.393 am


10.693

* Unless otherwise noted the ships listed here were sunk.




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http://www.de220.com/History/RO-501%20Documents/ixc_2d.gif

U-549

Type

IXC/40


Ordered5 Jun, 1941
Laid down 28 Sep, 1942 Deutsche Werft AG, Hamburg (werk 370)
Launched28 Apr, 1943
Commissioned14 Jul, 1943Kptlt. Detlev Krankenhagen
Commanders
14 Jul, 1943 - 29 May, 1944 Kptlt. Detlev Krankenhagen
Career2 patrols 14 Jul, 1943 - 31 Dec, 1943 4. Flottille (training)
1 Jan, 1944 - 29 May, 1944 10. Flottille (front boat)
Successes1 warship sunk for a total of 9.393 tons
1 warship damaged for a total of 1.300 tons
Fate

Sunk 29 May, 1944 in the mid-Atlantic south-west of Madeira, Portugal, in position 31.13N, 23.03W, by depth charges from the US destroyer escorts USS Eugene E. Elmore and USS Ahrens. 57 dead (all hands lost).

See the 2 ships hit by U-549 - View the 2 war patrols

Men lost from U-boats

Unlike many other U-boats, which during their service lost men due to accidents and various other causes, U-549 did not suffer any casualties (we know of) until the time of her loss.


U-549

Type

IXC/40


Ordered5 Jun, 1941
Laid down 28 Sep, 1942 Deutsche Werft AG, Hamburg (werk 370)
Launched28 Apr, 1943
Commissioned14 Jul, 1943Kptlt. Detlev Krankenhagen
Commanders
14 Jul, 1943 - 29 May, 1944 Kptlt. Detlev Krankenhagen
Career2 patrols 14 Jul, 1943 - 31 Dec, 1943 4. Flottille (training)
1 Jan, 1944 - 29 May, 1944 10. Flottille (front boat)
Successes1 warship sunk for a total of 9.393 tons
1 warship damaged for a total of 1.300 tons
Fate

Sunk 29 May, 1944 in the mid-Atlantic south-west of Madeira, Portugal, in position 31.13N, 23.03W, by depth charges from the US destroyer escorts USS Eugene E. Elmore and USS Ahrens. 57 dead (all hands lost).

See the 2 ships hit by U-549 - View the 2 war patrols

Men lost from U-boats

Unlike many other U-boats, which during their service lost men due to accidents and various other causes, U-549 did not suffer any casualties (we know of) until the time of her loss.







O Porta Aviões:

The U.S.S.Block Island CVE-21 which was sunk by a German U-Boat during World War 2 was the only U.S. Navy Carrier to be lost in the Atlantic Ocean.


The 2nd U.S.S.Block Island CVE-106 Escort carrier with a full U.S.Marine Corps Fighter Wing. Going to the Pacific Ocean to fight the Japanese during World War 2. Dads carrier.

Some of the crew of the U.S.S.Block Island CVE-21 that was sunk in the Atlantic Ocean by a German U-Boat during World War 2.
The U.S.S.Block Island CVE-21 which was sunk by a German U-Boat during World War 2 was the only U.S. Navy Carrier to be lost in the Atlantic Ocean.

The view from the telescope of the German U-Boat that just fired the torpedo that sank the U.S.S.Block Island CVE-21 you can see the trace line in the water of the torpedo's path after being fired. Revenge was swift a U.S. Destroyer Escort sank the German U-Boat with all hands with depth charges.


The corpsmen of the U.S.S.Block Island

USS BLOCK ISLAND (ACV-21)
(later CVE-21)



Flag Hoist/Radio Call Sign: November - Uniform - Yankee - Mike

Unit Awards, Campaign and Service Medals and Ribbons


Precedence of awards is from top to bottom, left to right
Top Row: American Campaign Medal / European-African-Middle Eastern Campaign Medal (2 stars) / World War II Victory Medal

Bogue Class Escort Carrier
Ordered Laid down Launched Commissioned Decommissioned Stricken
(see below) 19 Jan 1942 6 Jun 1942 8 Mar 1943
28 Jun 1944
Builder: Seattle-Tacoma Shipbuilding Corp., Seattle, Wash.
  • Named, 19 March 1942, for a sound that lies east of Long Island, N.Y., and south of Rhode Island. It takes its name from Block Island which it separates from the Rhode Island coast.
  • Built under a Maritime Commission contract (hull number 237), type C3-S-A1.
  • Acquired by the Navy on 1 May 1942.
  • Originally classified as an "Aircraft Escort Vessel" and designated AVG-21.
  • Reclassified as an "Auxiliary Aircraft Carrier" and redesignated ACV-21, 20 August 1942 (prior to commissioning).
  • Reclassified as an "Escort Carrier" and redesignated CVE-21, 15 July 1943.

Fate: Hit by two torpedoes from German submarine U-549 at 2013, May 29, 1944. A third torpedo struck the escort carrier 10' later, and FBI ("Fighting Block Island") finally sank at 2155.

During this same action USS Barr (DE-576) was hit and damaged by another torpedo, and U-549 was sunk by USS Eugene A. Elmore (DE-686) and USS Ahrens (DE-575).

Six USS Block Island crewmen died during or soon after the attack, and four out of six Wildcat pilots aloft at the time of the attack could not make it to the Canary Islands, where they had been vectored. They remain on active duty.


Specifications
(As commissioned, 1943)
Displacement: 7,800 tons standard; 15,700 tons full load (design)
Dimensions (wl): 465' x 69.5' x 23.25' / 141.7 x 21.2 x 7.1 meters
Dimensions (max.): 495' 8" x 111.5' / 151.1 x 34 meters
Armor: None
Power plant: 2 boilers (285 psi); 1 steam turbine; 1 shaft; 8,500 shp
Speed: 16.5 knots
Endurance:
Armament: 2 single 5"/51 (later 5"/38) gun mounts; (1943) 8 twin 40-mm/56-cal gun mounts; (1943) 27 single 20-mm/70-cal gun mounts
Aircraft: 24
Aviation facilities: 2 elevators; 1 hydraulic catapult (H 2); Mk 4 mod 5A arresting gear
Crew: 890

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CVE-21 Block Island
NS0302101
40k USS Block Island (CVE-21) underway, October 12, 1943 wearing Ms.22 camouflage. Haze Gray & Underway
CVE-21 Block Island
NS0302102
51k Shortly after leaving Norfolk, October 15, 1943, on her first anti-submarine cruise, with aircraft from VC-1 on deck. USN
CVE-21 Block Island
NS0302103
43k Sinking after being torpedoed by German submarine U-549, May 29, 1944 (port side view). Haze Gray & Underway

For more photos and information about this ship, see:

View the USS Block Island (ACV-21 / CVE-21)
DANFS History entry located on the Naval Historical Center Web Site.

Crew Contact and Reunion Information
Date:
Place:
Name: Bill MacInnes
Address: 6650 Richard Street — San Diego, CA 92115
Phone:
E-mail: Wmacinnes@aol.com
Web site: USS Block Island Association
Remarks:

Related Links
Hazegray & Underway World Aircraft Carrier Pages By Andrew Toppan.
USS Block Island web page
World War II Damage Report located on the NAVSEA 05P4 web site
Official U.S. Navy Carrier Website
Escort Carrier Sailors & Airmen Association



Constantinopla

Constantinopla era uma das cidades mais importantes do mundo, ela funcionava como uma parte para as rotas comerciais que ligavam a Ásia a Europa por terra. Além de ser o principal porto nas rotas que vinham e iam entre o Mar mediterrâneo e o Mar Negro. O cisma entre as Igrejas Ortodoxa e Católica manteve Constantinopla distante das nações ocidentais. A ameaça turca fez com que o Imperador João VIII Paleólogo, promovesse um concílio em Ferrara, na Itália, onde as diferenç
as entre as duas igrejas foram resolvidas rapidamente.

Constantino XI e Maomé II

Com a morte de seu pai João VIII, Constantino assume o trono no ano seguinte. Ele era uma pessoa popular, tendo lutado na resistência bizantina no Peloponeso frente ao exercito otomano, no entanto ele seguia a linha de pensamentos de seu pai na conciliação das duas igrejas, o que gerava desconfiança não só ao Sultão Mura II (que via tal acordo como uma ameaça de intervenção das potencias ocidentais na resistência à expansão na Europa), mas como também ao clero bizantino.

Já no ano de 1451, Murad II morre, e seu jovem filho maomé II faz sua sucessão, já a princípio ele faz a promessa de não violar o território bizantino. O que fez aumen
tar ainda mais a confiança de Constantino, ele se sente tão seguro que no mesmo ano decidiu exigir o pagamento de uma anuidade para a manutenção de um prícipe otomano, que era mantido como refém,, em Constantinopla. Ultrajado com a exigência, Maomé II ordenou os preparativos para fazer um cerco total à capital binzantina.

Ataque turco

No dia 6 de abril de 1453 começa oficialmente o cerco a cidade bizantina, assim quando o grande canhão disparou o primeiro tiro em direção ao vale do Rio Lico. Até então a muralha era imbatível, em menos de uma semana começou a ceder, tendo em vista que ela não foi construída para suportat ataques com canhões. O ataque otomano restrigiu-se apenas um frente,
o que colaborou prara com que o tempo e a mão-de-obra dos bizantinos fossem suficientes para suportarem o cerco.

Eles evitaram o atque pela costas, tendo em vista que deste lado as muralhas eram reforçadas por torres com canhões e artilheiros, o que poderia acabar sua frota. Nas primícias do assédio, os bizantinos obtiveram duas vitórias animadoras. No dia 20 de abril os bizantinos avistaram os navios enviados pelo Papa, juntamente com outro navio de grego com grãos da Sicília, as embarcações chegaram com êxito ao Corno de Ouro.

Já no dia 22 de abril, o Sultão aplicou um golpe ardiloso nas defesas bizantinas. Impedidos de cruzar a corrente que fechava o Corno de Ouro, o Sultão mandou que contruissem uma estrada de rolagem ao norte de Pera, por onde os seus navios podessem ser puxados por terra, contornando a barreira.
Com os navios colocados em uma nova frente, os bizantinos logo nã
o teriam soluções para reparar suas muralhas. Sem opção, os bizantinos se viram coagidos a contra-atacar, então no dia 28 de abril arriscaram um ataque surpresa aos turcos no Corno de Ouro, no entanto foram descobertos por espiões e executados.

O último ataque

No dia 28 de maio as tropas foram ordenada por Maomé II a descansarem para realizarem o ataque final no dia seguinte. Após dois meses de intenso combate, pela primeira vez não se ouviu o barulho dos canhões e das tropas em movimento.

Para tentar levantar o moral para o momento decisivo, todas as igrejas de Constantinopla tocaram seus sinos durante o dia todo. Na madrugada do dia 29 de maio de 1453, Momé II concentrou um ataque concentrado no vale do Lico.
Por aproximadamente duas horas os soldados bizantinos sob o comando de Giustiniani conseguiram resistir ao ataque, mas as tropas já estavam cansadas, e teriam ainda que enfrentar o exército regular de 80 mil turcos.

Um grande canhão conseguiu abrir uma brecha na muralha, pela qual os turcos concentraram o ataque. Tendo chegado a esse ponto, Constantino em pessoa coordenou uma cadeia humana que mantive os turcos ocupados enquanto a muralha era consertada.

Após uma hora de combate intenso, os janízaros (escalavam a muralha com escadas) ainda não haviam conseguido entrar na cidade. Preocupados com os ataques no Lico, os bizantinos cometeram o erro de deixar o portão da muralha noroeste semi-aberto.

Com isso um destacamento otomano conseguiu por ali invadir o espaço entre as muralhas interna e externa. Com o comandante Giustiniani ferido e sido levado para o navio, os soldados gregos ficaram sem liderança, lutavam desordenadamente contra os turcos que eram disciplinados nesta questão. Tem-se como momento final quando o Imperador Constantino XI levantou sua espada e partiu para o combate, onde nunca mais foi visto, o que finaliza com a queda de Constantinopla.


A Queda de Constantinopla (1453 d.C)
E a Derrocada Final do Império do Oriente

Maomé II, um enérgico soberano dos turcos otomanos no século XV, estava destinado a completar a extinção do império do Oriente. Pouco restava dele além de uma delgada fatia de território na margem européia do Bósforo, principalmente os subúrbios de Constantinopla; mesmo essa cidade diminuía tanto, em tamanho e espírito público, que Franza, camarista da corte e secretário do último imperador, Constantino Paleólogo, só conseguiu, por meio de um censo diligente, quatro mil, novecentos e setenta cidadãos dispostos e aptos a pegar em armas pela defesa da cidade. Contando as tropas auxiliares estrangeiras, uma guarnição de talvez sete ou oito mil soldados defendia os muros de Constantinopla em seu último cerco por aproximadamente duzentos e cinqüenta mil muçulmanos. A descrição desse cerco é uma das passagens mais memoráveis de Edward Gibbon.

Do triângulo formado por Constantinopla, os dois lados ao longo do mar se tornaram inacessíveis ao inimigo — o mar de Mármara por natureza e a baía por astúcia. Entre as duas águas, a base do triângulo, a terra, estava protegida por uma dupla muralha e um fosso de quase cem metros de profundidade. Contra essa linha de fortificação, que se prolongava por dez quilômetros, os otomanos dirigiram seu principal ataque; e o imperador, após distribuir a guarnição e o comando dos postos mais perigosos, empreendeu a defesa da muralha externa. Nos primeiros dias do cerco, os soldados gregos desceram para o fosso oi fizeram investidas em campo aberto; não tardaram, porém a descobrir que, proporcionalmente ao seu número, um cristão tinha mais valor do que vinte turcos; depois dessas preliminares audazes, contentaram-se prudentemente manter a defesa com suas armas mísseis. A nação era de fato sem fibra, mas o último Constantino merece o título de herói; seu nobre grupo de voluntários estava inspirado de valor romano e as tropas auxiliares estrangeiras amparavam a honra da cavalaria ocidental. As incessantes rajadas de lanças e flechas eram acompanhadas da fumaça, do ruído e do fogo de seus mosquetes e canhões. Suas armas de fogo portáteis descarregavam ao mesmo tempo de cinco a dez balas de chumbo do tamanho de uma noz, e segundo a proximidade das fileiras e a força da pólvora, várias couraças e corpos eram trespassados pelo mesmo tiro.

Mas as trincheiras dos turcos eram destruídas ou se cobriam de escombros. A cada dia aumentava a tática dos cristãos, mas seu suprimento inadequado de pólvora se consumia nas operações cotidianas. O material bélico de que dispunham não era numeroso nem potente, e se possuíam alguns canhões pesados, temiam assentá-los na muralha cuja frágil estrutura poderia ser abalada pela explosão e desabar. O mesmo segredo destrutivo fora revelado aos muçulmanos, que o empregavam com a superior potência da garra, do despotismo. O grande canhão de Maomé chamara a atenção por si só, peça importante e visível na história da época, todavia, esse engenho enorme era flanqueado por dois companheiros de quase igual tamanho. A longa linha da artilharia turca estava apontada contra as muralhas; quatorze baterias estrondavam ao mesmo tempo nos lugares mais acessíveis; e de uma delas diz-se ambiguamente que se compunha de cento e trinta canhões ou que descarregava cento e trinta balas. Entretanto, no poderio e na atividade do sultão podemos enxergar o começo de uma nova ciência. Sob o comando de um oficial que contava os instantes; o grande canhão podia ser carregado e disparado não mais do que sete vezes por dia. O metal aquecido infelizmente estourou; vários artífices morreram na explosão, e suscitou admiração a perícia de um deles que teve a idéia de evitar o perigo e o acidente derramando óleo, depois de cada tiro, dentro da boca do canhão.

Os primeiros disparos ao acaso fizeram mais barulho do que efeito; e foi por recomendação de um cristão que os técnicos aprenderam a visar os dois lados opostos dos ângulos salientes de um bastão. Ainda que imperfeito, a intensidade e a repetição do fogo de artilharia causou certa impressão nas muralhas, e os turcos, levando suas barricadas até a beira do fosso, tentaram franquear a enorme brecha e abrir caminho para o assalto. Empilhavam inúmeros galhos, barris e troncos de árvores, e foi tal a impetuosidade da turba que os mais fracos e os da frente tombaram de ponta-cabeça fosso abaixo, sepultados imediatamente sob a massa amontoada. Encher o fosso era o empenho dos sitiantes, retirar o entulho, a segurança dos sitiados, ao fim de uma longa e sanguinária batalha, a teia tecida de dia se desenredou à noite. O recurso seguinte de que lançou mão Maomé foram as galerias subterrâneas; mas o solo era rochoso e cada tentativa era interrompida e solapada pelos técnicos cristãos; ainda não tinha sido inventada a arte de encher tais passagens de pólvora para lançar pelos ares torres e cidades inteiras.

Uma circunstância que distingue o sítio de Constantinopla é a reunião da artilharia antiga com a moderna. O canhão se misturava a engenhos mecânicos que lançavam pedras e dardos; tanto a bala quanto o aríete se voltava contra as mesmas muralhas; tampouco havia a descoberta da pólvora eliminado o uso do fogo líquido e inextinguível. Um torreão de madeira de tamanho considerável avançava sobre rolos; esse depósito portátil de munição e barricadas tinha a protegê-lo uma tríplice couraça de couro de boi; incessantes rajadas eram disparadas com segurança das suas flecheiras; na parte fronteira, três portas possibilitavam entrada e retirada alternadas de soldados e artífices. Eles subiam por uma escada até a plataforma superior, a cuja altura outra escada de assalto podia ser içada com polias a fim de formar uma ponte que se agarrava ao muro inimigo.

Por meio desses estratagemas incomodativos, alguns tão novos quão perigosos para os gregos, a torre de São Romano foi por fim derrubada; após luta acirrada, os sitiados repeliram os turcos e a noite veio interrompê-los; confiavam eles porém que, à luz do dia, pudessem renovar o ataque com maior vigor e sucesso decisivo. Cada momento nessa pausa na ação, desse intervalo de esperança, foi aproveitado pela atividade do imperador e de Justiniano os quais passaram a noite no local aproveitando, foi aproveitado pela atividade do imperador e de Justiniano os quais passaram a noite no local aproveitando os trabalhos de que dependia a segurança da igreja e da cidade. Ao raiar do dia, o sultão impaciente percebeu com surpresa e pesar que seu torreão de madeira havia sido reduzido a cinzas, o fosso fora limpo e restaurado, e a torre de São Romano estava novamente inteira e firme. Deplorou ele o malogro do seu intento e soltou uma exclamação profana, de que a palavra dos trinta e sete mil profetas não o teriam convencido a acreditar que, com tão pouco tempo, uma obra que tal pudesse ter sido levada a cabo pelos infiéis.

A generosidade dos princípios cristãos era pouca e tardia; entretanto, aos primeiros receios de um cerco, Constantinopla havia adquirido, nas ilhas do Arquipélago, na Moréia e na Sicília, os suprimentos mais necessários. Já no começo de abril cinco grandes barcos equipados para o comércio e a guerra teriam partido da baía de Quios se o vento não soprasse obstinadamente do norte. Um desses barcos trazia a bandeira imperial; os outros quatro pertenciam a genoveses e estavam carregados de trigo e cevada, de vinho, óleo e legumes e, acima de tudo, de soldados e marinheiros para o serviço militar da capital. Após uma tediosa espera, uma brisa suave, e no segundo dia, um vento norte vindo do sul os levou através do Helesponto e da Propôntida; contudo, a cidade já fora assediada por mar e por terra, e a frota turca, na entrada do Bósforo, se alinhava de praia a praia em forma de crescente a fim de interceptar, ou pelo menos repelir, essas audazes tropas auxiliares.

O leitor que tenha presente no espírito a situação geográfica de Constantinopla poderá conceber e admirar a grandeza do espetáculo. Os cinco barcos cristãos continuavam a avançar com gritos alegres, e todo ímpeto de velas e remos contra a frota inimiga de trezentas naves: o reparo, o acampamento, as costas da Europa e da Ásia estavam repletos de espectadores que aguardavam com ansiedade o desfecho desse momentoso socorro. À primeira vista, parecia não haver dúvida a respeito; a superioridade dos muçulmanos ultrapassava toda medida ou cálculo, e numa situação de calma seu maior número e sua bravura teriam inevitavelmente prevalecido.Entretanto, apressada e imperfeita, sua marinha fora criada não pelo gênio do povo, mas pela vontade do sultão: no auge de sua prosperidade, os turcos reconheceram que, se Deus lhes tinha dado a terra, deixara o mar aos infiéis; uma série de derrotas, um rápido progresso do declínio comprovou a verdade dessa confissão de modéstia. À exceção de dezoito galés de algum poder, o restante da frota turca consistia em barcos abertos, toscamente construídos e desajeitadamente manejados, repletos de tropas e destituídos de canhões; e como a coragem advém, numa grande medida, da consciência da força, o mais bravo dos janízaros só podia tremer sobre um novo elemento.

Na esquadra cristã, quatro robustos e altaneiros barcos eram governados por pilotos competentes e sua equipagem se compunha de veteranos da Itália e da Grécia, longamente adestrados nas artes e perigos do mar. Esses barcos pesados podiam afundar ou dispersar os débeis obstáculos que lhes impedissem a passagem; sua artilharia varria as águas; seu fogo líquido se derramava sobre a cabeça dos adversários que, com a pretensão de abordá-los, se atrevessem a aproximar-se; outrossim, os ventos e as vagas estão sempre a favor dos navegantes mais hábeis. Nesse conflito, a nave imperial, que quase fora subjugada, foi socorrida pela genovesa; os turcos, porém, num ataque a distância e noutro de perto, sofreram perdas consideráveis ao serem duas vezes repelidos. O próprio Maomé, montado a cavalo, encorajava da praia, com sua voz e presença, a bravura de seus comandados com a promessa de recompensas e com um temor mais poderoso que o temor do inimigo. As paixões de sua alma e mesmo os gestos do seu corpo pareciam imitar as ações dos combatentes; como se fora o senhor da natureza, esporeou o cavalo num destemido e impotente esforço de entrar mar adentro. Suas censuras ruidosas e os clamores do acampamento incitaram os otomanos a um terceiro ataque, mais fatal e sangrento que os dois anteriores; e cumpre-me repetir, embora não lhe possa dar crédito, o testemunho de Franza, que afirma terem eles perdido mais de doze mil homens na matança daquele dia. Fugiram em desordem para as praias da Europa e da Ásia, enquanto o esquadrão dos cristãos, triunfante e ileso, rumou ao longo do Bósforo para ancorar com segurança na baía.

Na ousadia da vitória, jactaram-se eles de que todo o poderio turco tivera de ceder às suas armas; todavia, o almirante, ou capitão-paxá, consolou-se em parte de um doloroso ferimento no olho apresentando tal acidente como a causa de sua derrota. Balta Ogli era um regenerado da raça dos príncipes búlgaros; maculava-lhe o renome militar o vício malquisto da avareza; e sob o despotismo do príncipe e do povo, o infortúnio é prova suficiente de culpa. Seu posto e serviços foram abolidos pelo desagravo de Maomé. Na presença real, o capitão-paxá foi estendido no chão por quatro escravos e recebeu uma centena de golpes dados com uma vara de ouro; sua morte havia sido decretada, e ele implorou a clemência do sultão, que se satisfaz com a punição mias branda da confiscação e do exílio.

A chegada desse suprimento reascendeu as esperanças dos gregos e pôs à mostra a indiferença de seus aliados ocidentais. Em meio aos desertos da Anatólia e às rochas da Palestina, os milhões de cruzados haviam sepultado a si próprios num voluntário e inevitável túmulo; a situação da cidade imperial, todavia, era tão inacessível aos seus inimigos quanto acessível aos amigos, e o armamento moderno e racional dos Estados marítimos poderia ter salvado os remanescentes do nome romano e mantido uma fortaleza cristã no coração do império otomano. No entanto, esse foi o único e débil esforço em prol da libertação de Constantinopla; as potências mais distantes eram insensíveis ao perigo dela; e o embaixador da Hungria, ou pelo menos dos huníadas, residia no acampamento turco para desfazer os temores e dirigir as operações do sultão.

Era difícil para os gregos penetrar o segredo do divã; estavam não obstante convencidos de que uma resistência tão obstinada e surpreendente havia fatigado a perseverança de Maomé. Este começou a pensar numa retirada; o cerco teria sido prontamente erguido se a ambição e o ciúme de Kahlil Paxá, que ainda mantinha uma correspondência secreta com a corte bizantina. A conquista da cidade parecia irrealizável a menos a baía era inacessível; uma impenetrável cadeia tinha então a defendê-la oito barcos grandes, mais de vinte de menor tamanho, e diversas galés e corvetas; em vez de forçar essa barreira, os turcos poderiam conceber uma surtida naval e um segundo encontro em mar aberto.

Nessa hora de perplexidade, o gênio de Maomé ideou e executou um plano audaz e admirável, de transportar por terra seus barcos mais leves e seus suprimentos militares, do Bósforo até a parte mais elevada da baía. A distância é de cerca de quinze quilômetros, o terreno, desigual estava coberto de mato cerrado, e como a estrada tinha de ser aberta além do subúrbio da Gálata, a livre passagem ou a total destruição dos turcos iria depender da opção dos genoveses. Mas esses mercadores interesseiros ambicionavam o privilégio de serem os últimos devorados, e a deficiência de arte foi suprimida pela força de miríades obedientes. Cobriu-se uma estrada plana com uma larga plataforma de tábuas fortes e sólidas, untadas de sebo de carneiro e boi para ficarem macias e escorregadias. Oitenta galés leves e patachos de cinqüenta e trinta remos foram desembarcados no litoral do Bósforo, colocados um por um sobre roletes e arrastados pela força de homens e polés. Dois guias ou pilotos postavam-se ao leme e na proa de cada barco, as velas foram desferradas ao vento, e o trabalho, saudado por cantos e aclamações. No decorrer de uma única noite, essa armada turca galgou penosamente a colina, seguiu pelo platino, e foi pelo declive nas águas rasas da baía, muito acima da perseguição das naves dos gregos, de maior calado.

A verdadeira importância dessa operação aumentaram-na a consternação e confiança que inspirou; contudo, o fato notório, inquestionável, ficou à vista e foi registrado pelas penas das suas nações. Um estratagema semelhante havia sido praticado repetidas vezes pelos antigos; as galés otomanas (é importante repetir) deviam ser consideradas antes como botes grandes; e se compararmos a magnitude e a distância, os obstáculos e os meios, o gabado milagre talvez tenha sido igualado pela indústria de nossa própria época. Tão logo Maomé ocupara a baía superior com uma frota e um exército, construiu ele, na parte mais estreita, uma ponte, ou melhor, um molhe, de cinqüenta cúbitos de largura e cem de comprimento; era formada de cascos e barris ligados por caibros, presos por ferros, e coberta com um soalho firme. Nesse molhe flutuante assentou um dos seus maiores canhões, do mesmo passo em que oitenta galés, com tropas e escadas de assalto, se aproximaram do lado mais acessível, o qual havia sido outrora escalado pelos conquistadores latinos.

A indolência dos cristãos tem sido responsabilizada por não destruir essas obras inacabadas; seu fogo de artilharia, porém foi dominado e silenciado por um poder superior; tampouco deixaram eles de, numa sortida noturna, tentar queimar os navios e a ponte do sultão. A vigilância deste evitou-lhes o avizinhamento; as suas galeotas de frente foram afundadas ou apresadas; por ordem do sultão, chacinaram-se desumanamente quarenta jovens, os mais bravos da Itália e da Grécia; o desgosto do sultão tampouco poderia ter sido minorado pela justa, conquanto tão cruel retaliação de expor, penduradas às muralhas, as cabeças de duzentos e cinqüenta cativos muçulmanos.

Após um cerco de quarenta dias, a sina de Constantinopla não pôde ser mais evitada. A diminuta guarnição estava exaurida por um duplo ataque; as fortificações, que haviam agüentado por tanto tempo a violência hostil, foram desmanteladas de todos os lados pelo canhão otomano; abriram-se muitas brechas, e perto da porta de São Romano quatro torres foram arrasadas. Para pagamento de suas debilitadas e amotinadas tropas, Constantino se viu obrigado a esbulhar as igrejas com a promessa de uma quadruplicada devolução, e o seu sacrilégio propiciou um novo motivo de censura aos inimigos da união. Um espírito de discórdia debilitou o que restava do vigor cristão; as tropas auxiliares genovesas e venezianas sustentaram a primazia dos seus respectivos serviços; e Justiniano e o grão-duque, cuja ambição não se extinguira ante o perigo comum, acusaram-se mutuamente de traição e covardia.

Durante o cerco de Constantinopla, as palavras “paz” e “capitulação” haviam sido por vezes pronunciadas, e várias embaixadas transitaram entre o acampamento e a cidade. O imperador grego fora humilhado pela adversidade e teria cedido a quaisquer termos compatíveis com a religião e a realeza. O sultão turco estava desejoso de poupar o sangue de seus soldados, e ainda mais de resguardar para seu próprio uso os tesouros bizantinos; e cumpriu um dever sagrado ao apresentar aos gabours a escolha entre circuncisão, tributo ou morte. A avareza de Maomé poderia ter sido satisfeita com uma soma anual de cem mil ducados, mas sua ambição se apossou da capital do Oriente; ao príncipe ofereceu um rico equivalente, ao povo uma livre tolerância ou uma partida segura; todavia, após algumas negociações infrutíferas, ele anunciou sua decisão de encontrar ou um trono ou um túmulo sob as muralhas de Constantinopla. O senso de honra e o temor da censura universal impediram Paleólogo de entregar a cidade às mãos dos otomanos, pelo que decidiu arrostar os últimos extremos da guerra.

Vários dias foram gastos pelo sultão nos preparativos do assalto; deu-lhe uma pausa sua ciência favorita, a astrologia, que fixava o 29 de maio como dia fatal do afortunado. Na tarde de 27, ele deu suas ordens finais, reuniu em sua presença os chefes militares e enviou seus arautos pelo acampamento para proclamarem o dever e os motivos da perigosa empresa. O temor é o primeiro princípio de um governo despótico; as ameaças do sultão foram expressas no estilo oriental, advertindo os fugitivos e desertores de que, ainda que tivessem asas de pássaro, jamais conseguiriam escapar-lhe da justiça. A maior parte de seus paxás e janízaros era constituída de filhos de pais cristãos, mas as glórias do nome turco se perpetuaram por adoção consecutiva; na mudança gradual de indivíduos, o espírito de uma legião, de um regimento ou uma horda se mantém vivo pela disciplina. Nessa guerra santa, os muçulmanos eram exortados a purificar a mente com preces, o corpo com sete abluções, se abster de alimento até o fim do dia seguinte. Uma turba de dervixes visitava as tendas com o fito de instilar o desejo de martírio e a confiança de desfrutar uma perene juventude entre os rios e jardins do paraíso, nos braços de virgens de olhos negros. No entanto, Maomé confiava principalmente na eficácia de recompensas visíveis e materiais. Duplo soldo era prometido às tropas vitoriosas. “A cidade e os edifícios”, disse Maomé, “são meus; mais renuncio, em favor de vossa bravura, os cativos e o espólio, os tesouros de ouro e de beleza; sede ricos e felizes. São muitas as províncias do meu império; o primeiro soldado que galgar as muralhas de Constantinopla será recompensado com o governo da mais bela e mais rica; e minha gratidão o cumulará de honras e riquezas acima da medida de suas próprias esperanças”. Esses diversos e poderosos incitamentos difundiram entre os turcos generalizado ardor, descuidoso da vida e ávido de ação; o acampamento ressoava aos gritos muçulmanos de “Deus é Deus; só existe um Deus, e Maomé é seu apóstolo”, e o mar e a terra, de Gálata até as sete torres, se iluminava com o clarão de suas fogueiras noturnas.

Bem diversa era a situação dos cristãos, os quais, com brados de impotência, deploravam a culpa ou a punição de seus pecados. A imagem celeste da Virgem fora exposta em posição solene, mas a divina protetora deles estava surda às súplicas. Eles exprobravam a obstinação do imperador em recusar uma rendição a tempo, anteviam os horrores de sua sina, e suspiravam pela tranqüilidade e segurança da servidão turca. Os gregos mais nobres e os aliados mais bravos foram chamados ao palácio para se prepararem, na tarde do vigésimo oitavo dia, para os encargos e perigos do assalto geral. A derradeira fala de Paleólogo se constitui na oração fúnebre do império romano; prometeu, exortou e tentou em vão infundir a esperança que já se lhe extinguira no espírito. Neste mundo, era tudo desconsolo e desalento, e nem o Evangelho nem a Igreja propunham qualquer recompensa de vulto aos heróis tombados no serviço de sua pátria. Mas o exemplo do soberano e o confinamento de um cerco tinham armado aqueles guerreiros da coragem do desespero; a cena patética é descrita com emoção pelo historiador Franza, que estava presente à lutuosa assembléia. Eles choraram, abraçaram-se sem pensar nas suas famílias ou nas suas fortunas, dispuseram-se a oferecer a própria vida; e cada comandante, rumando para o seu setor, passou a noite toda em ansiosa vigília na muralha. O imperador, acompanhado de alguns leais companheiros, entrou na Catedral de Santa Sofia, que em poucas horas se iria converter numa mesquita, e recebeu devotamente, entre lágrimas e preces, os sacramentos da comunhão. Repousou por alguns momentos no palácio, onde ecoavam os gritos e as lamentações; rogou o perdão a todos quantos pudesse ter ofendido; e partiu a cavalo para visitar os guardas e acompanhar a movimentação do inimigo. A aflição e a queda do último Constantino se revestem de mais glória do que a longa prosperidade dos Césares bizantinos.

Na confusão das trevas, um assaltante pode às vezes ter êxito; mas naquele grande ataque geral, o discernimento militar e a informação astrológica de Maomé o aconselharam a esperar o amanhecer do memorável dia 29 de maio, no milésimo quadricentésimo qüinquagésimo terceiro ano da era cristã. A noite anterior havia sido de afanosa atividade; as tropas, o canhão e as faxinas avançaram até a beira do fosso, que em muitas partes oferecia livre e lisa passagem até a brecha; oitenta galés quase tocavam, com suas proas e suas escadas de assalto, os muros menos defensíveis da baía. Sob pena de morte, exigiu-se silêncio, mas as leis físicas do movimento e do som não obedecem nem à disciplina nem ao temor; cada indivíduo pode abafar sua voz e medir seus passos, mas a marcha e a atividade de milhares deve inevitavelmente produzir uma estranha confusão de clamores dissonantes, que chegavam aos ouvidos dos vigias nas torres.

Ao romper do dia, sem o costumeiro sinal do canhão matinal, os turcos assaltaram a cidade por mar e por terra; o símile de um fio torcido ou retorcido tem sido usado para figurar a compacidade e continuidade de sua linha de ataque. As fileiras de vanguarda consistiam refugo de exército, uma turba de voluntários que combatiam sem ordem nem comando: velhos ou crianças sem força, campônios e vagabundos, e todos quantos se haviam incorporado ao acampamento na cega esperança da pilhagem e do martírio. O impulso comum os impeliu até a muralha; os mais audaciosos no escalá-la foram imediatamente derrubados; os cristãos não gastaram em vão nenhum dardo, nenhuma bala na turba amontoada. Mas o vigor e munição deles se exauriram nessa laboriosa defesa; o fosso encheu-se de cadáveres que serviram de degrau aos companheiros; dessa devotada vanguarda, a morte se demonstrou mais prestável que a vida. Sob o comando de seus respectivos paxás e sanjacos, as tropas da Anatólia e da România foram sucessivamente à carga; seu avanço foi variado e duvidoso, mas após um conflito de duas horas os gregos ainda mantinham e aumentavam sua vantagem; ouviu-se a voz do imperador encorajando os soldados a buscarem, num último esforço, a libertação de seu país.

Nesse momento fatal, os janízaros surgiram, frescos vigorosos e invencíveis. O próprio sultão, a cavalo, com uma maça de ferro na mão, era o espectador e juiz da bravura deles; estava cercado por dez mil soldados de suas tropas nacionais, que reservara para a hora decisiva; sua voz e seus olhos orientavam e impeliam a vaga da batalha. Seus numerosos ministros de justiça postavam-se atrás das linhas para incitar, conter e punir; se o perigo estava na frente de batalha, a vergonha e a morte inevitável aguardavam, na retaguarda, os fugitivos. Os brados de medo e de dor eram afogados pela música marcial dos tambores, trombetas e timbales; a experiência demonstrara que a ação mecânica dos sons, com acelerar a circulação do sangue e dos espíritos, age sobre a máquina humana mais vigorosamente do que a eloqüência da razão e da honra. Das linhas, das galeras e da ponte, a artilharia otomana estrondava por toda parte; e o acampamento e a cidade, e os gregos e turcos, se envolviam numa nuvem de fumaça que só poderia ser dispersada pela libertação ou destruição final do império romano. Os combates singulares dos heróis da Antiguidade ou da fábula entretêm nossa fantasia e aliciam nossos sentimentos; as hábeis manobras de guerra podem esclarecer a mente e aperfeiçoar uma ciência necessária, conquanto perniciosa. Mas os quadros invariáveis e odiosos de um assalto geral são só sangue e horror e confusão; não diligenciarei, a uma distância de três séculos e de um milhar de quilômetros, delinear uma cena para a qual não pode haver espectadores e da qual os próprios atores eram incapazes de formar qualquer idéia justa ou adequada.

A perda imediata da Constantinopla pode ser atribuída à bala ou seta que perfurou a manopla de João Justiniano. A visão do próprio sangue e a dor intensa abateram a coragem do chefe cujas armas e conselhos eram a mais firme muralha da cidade. Quando ele se retirou do seu posto em busca de um cirurgião, sua fuga foi percebida e interrompida pelo infatigável imperador. “Teu ferimento”, exclama Paleólogo, “é leve, o perigo premente e tua presença necessária, para onde queres retirar-te?” “Pela mesma estrada”, respondeu o trêmulo genovês, “que Deus abriu aos turcos”; e com tais palavras apressou-se em transpor uma das brechas da muralha interna. Por semelhante ato de pusilanimidade, inquinou-se ele a reputação de uma vida militar; os poucos dias que conseguiu sobreviver em Gálata, ou na ilha de Quios, foram amargurados pelas suas próprias censuras e pelas censuras públicas. A maior parte das tropas auxiliares lhe imitou o exemplo, e a defesa começou a afrouxar quando o ataque redobrou de vigor. O número de otomanos era cinqüenta, quiçá cem vezes superior ao de cristãos; as duplas muralhas foram reduzidas pelo canhão a um monte de escombros; num circuito de várias milhas, alguns lugares devem por força apresentar-se menos bem guardados ou de mais fácil acesso; e se os sitiantes pudessem penetrar por um só ponto, a cidade toda estaria irremediavelmente perdida.

O primeiro a merecer a recompensa do sultão foi Hassan, o Janízaro, de estatura e força gigantesca. Com a cimitarra numa das mãos e o escudo na outra, ele galgou a fortificação externa; dos trinta janízaros que lhes emularam a bravura, dezoito pereceram na audaciosa aventura. Hassan e seus doze companheiros tinham alcançado o topo; o gigante foi precipitado muralha abaixo; ergue-se sobre um joelho e foi novamente atacado com uma rajada de dardos e pedras. Mas seu êxito provou que a façanha era possível; as muralhas e torres se cobriam imediatamente de um enxame de turcos; e os gregos, expulsos então da posição vantajosa, foram sobrepujados por turbas cada vez maiores. Entre elas, o imperador, que cumpria todos os deveres de um general e de um soldado, pôde ser visto por longo tempo, até que finalmente sumiu. Os nobres que pelejavam à sua volta defenderam até o último alento os nomes honrosos de Paleólogo e Cantacuzeno; fez-se ouvir a dolorida exclamação de Constantino, “Não haverá um cristão que me corte a cabeça?”, e seu último receio foi o de cair vivo nas mãos dos infiéis. O discreto desespero do imperador repeliu a púrpura; em meio ao tumulto, ele caiu vitimado por mão desconhecida, e seu corpo ficou sepultado sob uma montanha de outros cadáveres.

Após sua morte, a resistência e a ordem deixaram de existir: os gregos fugiram de volta à cidade, e muitos ficaram comprimidos e sufocaram na estreita passagem da Porta de São Romano. Os turcos vitoriosos irromperam pelas brechas da muralha interna, e à medida que iam avançando pelas ruas vinham engrossar-lhes as fileiras compatriotas seus que haviam forçado a Porta do Fanar, do lado da baía. No ardor da perseguição de dois mil cristãos foram passados pela espada; mas a avareza não tardou a prevalecer sobre a crueldade, e os vencedores reconheceram que teriam imediatamente dado quartel se a bravura do imperador e de seus grupos de elite não os houvesse preparado para uma oposição semelhante nas várias partes da capital. Foi assim que, ao cabo de um cerco de cinqüenta e três dias, Constantinopla, que desafiara o poderio de Cosroés, do Chagan e dos califas, foi irreparavelmente dominada pelas armas de Maomé II. Seu império só havia sido subvertido pelos latinos; sua religião foi calcada aos pés pelos conquistadores muçulmanos.

As novas de infortúnio viajam com asas rápidas; tamanha era, no entanto, a extensão de Constantinopla que os bairros mais distantes puderam prolongar por mais alguns momentos a feliz ignorância de sua ruína. Mas na generalizada consternação, nos sentimentos de ansiedade egoísta ou gregária, no tumulto e estrondo do assalto, uma noite e manhã insones devem ter decorrido; não posso crê, tampouco, que muitas damas gregas houvessem sido despertadas pelos janízaros de um sono profundo e tranqüilo. A certeza da calamidade pública fez com que as casas e os conventos imediatamente se esvaziassem; os trêmulos habitantes se apinharam nas ruas, feito um bando de animais assustadiços, como se a fraqueza acumulada pudesse gerar força, ou na vã esperança de que, no meio da multidão, cada indivíduo pudesse tornar-se seguro e invisível.

Vindos de todas as partes da capital, eles afluíram para a Catedral de Santa Sofia; no espaço de uma hora, o santuário, o coro, a nave, as galerias superior e inferior se encheram de multidões de pais e maridos, de mulheres e crianças, de padres, monges e virgens religiosas; as portas foram trancadas por dentro e todos buscaram a proteção do domo sagrado que tão recentemente haviam execrado como um edifício profano e poluído. A confiança deles se alicerçava na profecia de um entusiasta ou impostor de que os turcos entrariam em Constantinopla e perseguiriam os romanos até a coluna de Constantino, na praça fronteira a Santa Sofia; esse seria, porém, o termo de suas calamidades, pois um anjo desceria do céu com uma espada na mão e entregaria o império, com essa arma celeste, a um pobre homem sentado ao pé da coluna. “Toma essa espada”, diria, “e vinga o povo do Senhor.” A essas palavras animadoras, os turcos fugiriam instantaneamente e os romanos vitoriosos os expulsariam do Ocidente e de toda a Anatólia, até as fronteiras da Pérsia. É nessa ocasião que Ducas, com alguma dose de imaginação e muita de verdade, censura a discórdia e obstinação dos gregos. “Tivesse tal anjo aparecido”, exclama o historiador, “tivesse ele se oferecido para exterminar vossos inimigos se consentísseis na unificação da Igreja, mesmo então, nesse momento fatal, haveríeis de rejeitar vossa segurança ou enganar vosso Deus.”

Enquanto aguardavam a descida desse anjo moroso, as portas foram arrebentadas a machado, e como os turcos não encontraram resistência, suas mãos sem sangue se ocuparam em selecionar e atar a multidão de seus prisioneiros. Juventude, beleza e aparência de riqueza lhes guiavam a escolha, e o direito de prosperidade se decidia entre eles pela primazia de apresamento, pela força pessoal e pela autoridade de comando. No espaço de uma hora, os cativos homens foram atados com cordas, as mulheres com véus e cintos. Encadearam-se os senadores a seus escravos, os paralelos aos porteiros da igreja, e os jovens de classe plebéia a nobres donzelas cujo rosto era até então invisível ao sol e aos seus parentes mais próximos. No cativeiro comum, confundiam-se as classes sociais, os vínculos da natureza foram rompidos, a ao soldado inexoravelmente pouco importavam os gemidos do pai, as lágrimas da mãe e os lamentos dos filhos. Os gemidos mais altos vinham das freiras, que foram arrancadas do altar com peitos à mostra, mãos estendidas e cabelos desgrenhados; cumpre-nos piedosamente acreditar que poucas delas estariam tentadas a preferir as vigílias do harém às do mosteiro. Longas fieiras desses gregos infortunados, desses animais domésticos, foram rudemente arrastadas pelas ruas; como os conquistadores ansiavam por voltar em busca de mais presas, os passos incertos dos cativos eram apressados com ameaças e golpes.

Na mesma hora, rapina semelhante ocorria em todas as igrejas e mosteiros, em todos os palácios e habitações da capital; não havia lugar, por mais sagrado ou apartado que fosse, capaz de proteger as pessoas ou as propriedades dos gregos. Mais de sessenta mil cidadãos desse povo dedicado foram levados da cidade para o campo e para a marinha, trocados ou vendidos conforme o capricho ou interesse de seus donos, e distribuídos, em remota servidão, pelas províncias do império otomano. Entre eles, podemos assinalar algumas personalidades notáveis. O historiador Franza, primeiro camarista da corte e seu principal secretário, viu-se envolvido, com sua família, nisso tudo. Após padecer durante quatro meses as provações da escravidão, recuperou a liberdade; no inverno seguinte, arriscou-se a ir até Adrianópolis para resgatar sua mulher ao mir bashi ou dono da casa; seus dois filhos, porém, na flor da juventude e da beleza, tinham sido apresados para o uso do próprio Maomé. A filha de Franza morreu no serralho, talvez virgem; seu filho aos quinze anos de idade, preferiu a morte à infâmia e foi apunhalado pela mão de seu real amante. Ato assim desumano não poderá certamente ser expiado pelo discernimento e liberalidade com que ele libertou uma matrona grega e suas duas filhas ao receber uma ode latina de Filedelfo, que escolhera esposa naquela nobre família. O orgulho ou crueldade de Maomé teria sido sumamente obsequiado com a captura de um anúncio romano, mas a destreza do cardeal Isidoro evitou a busca, e o núncio fugiu de Gálata em trajes de plebeu.

A ponte pênsil e a entrada da baía externa ainda estavam ocupadas por navios italianos, mercantes e de guerra. Haviam-se destacado, durante o cerco, por sua bravura; aproveitaram para a retirada a ocasião em que marinheiros turcos estavam entregues à pilhagem da cidade. Quando içavam vela, a praia se cobria de uma multidão suplicante e deplorável; todavia, os meios de transporte eram escassos; os venezianos e genoveses escolheram seus compatriota, e não obstante as tranqüilizadoras promessas do sultão, os habitantes de Gálata evacuaram suas casas e embarcaram com seus pertences de maior valor.

Na queda e saque de grandes cidades, o historiador está condenado a repetir o relato de invariável calamidade; os mesmos efeitos têm de ser produzidos pelas mesmas paixões; e quando tais paixões podem ser alimentadas sem freio, pequena, ai de nós! É a diferença entre o homem civilizado e o selvagem. Inquinados, por vagas exclamações, de fanatismo e rancor, os turcos não são acusados de um brutal e imoderado derramamento de sangue cristão; entretanto, de acordo com suas máximas (as máximas da Antigüidade), a vida dos vencidos foi confiscada, e a recompensa legítima do conquistador adveio do serviço, venda ou resgate de seus cativos de ambos os sexos. A riqueza de Constantinopla fora concedida pelo sultão às suas tropas vitoriosas, e a rapina de uma hora rende mais do que a labuta de anos. Mas como não se intentou uma divisão regular do espólio, os respectivos quinhões não foram determinados pelo mérito; e as recompensas do valor surrupiaram-nas os sequazes do acampamento, que declinaram a lida e o perigo da batalha. A narrativa de suas depredações não iria propiciar nem entretenimento nem instrução; a soma total, dada a pobreza final do império foi avaliada em quatro milhões de ducados; e dessa soma uma pequena parte era propriedade dos venezianos, dos genoveses e dos mercadores de Ancona. O cabedal desses estrangeiros aumentara por via da célebre e constante circulação, mas as riquezas dos gregos se ostentavam na ociosa dissipação de palácios e guarda-roupas ou estavam escondidas em tesouros de lingotes e moedas antigas, de modo que lhes fossem tiradas das mãos para defesa do país.

A profanação e a pilhagem dos mosteiros e igrejas suscitaram as queixas mais trágicas. O domo da própria Santa Sofia, o céu terreno, o segundo firmamento, o veículo do querubim, o trono da glória de Deus, foi esbulhado das oblações de séculos; e o ouro e a prata, as pérolas e jóias, os vasos e ornamentos sacerdotais foram perversamente postos a serviço do homem. Depois de as imagens divinas terem sido despojadas de tudo quanto pudesse ser valioso a um olho profano, a tela ou a madeira foi rasgada, ou quebrada, ou queimada, ou espezinhada, ou utilizada nos estábulos e nas cozinhas pra os fins mais vis. O exemplo de sacrilégio fora imitado, contudo, dos conquistadores latinos de Constantinopla, e o tratamento que o Cristo, a Virgem e os santos tiveram de suportar do católico culposo bem podia ter sido infligido pelo muçulmano fanático aos monumentos da idolatria.

Talvez, em vez de juntar-se ao clamor púbico, um filósofo observe que, no declínio das artes, a artesiana não pode ser mais valiosa do que a própria obra, e que um novo suprimento de visões e de milagres seria prontamente fornecido pela perícia dos monges e pela credulidade do povo. Deploraria ele com mais razão, portanto, a perda das bibliotecas bizantinas, que foram destruídas ou se dispensaram na confusão geral; consta que cento e vinte mil manuscritos desapareceram então; dez volumes podiam ser comprados por um único ducado, e o mesmo preço ignominioso, talvez excessivo demais para uma estante de teologia, incluía as obras completas de Aristóteles e de Homero, as mais nobres produções da ciência e da literatura da antiga Grécia. É com prazer que meditamos na circunstância de ter sido uma inestimável porção de nossos tesouros clássicos guardada em segurança na Itália, e de os artífices de uma cidade alemã terem inventado uma arte que zomba das devastações do tempo e da barbárie.

Desde a primeira hora do memorável 29 de maio, a desordem e a rapina reinaram em Constantinopla até as oito horas do mesmo dia, quando o próprio sultão atravessou em triunfo a Porta de São Romano. Fazia-se acompanhar de seus vizires , paxás e guardas, cada um dos quais (diz um historiador bizantino) era robusto como Hércules, destro como Apolo, e igualava em batalha dez mortais comuns, quaisquer que fossem. O conquistador observou com satisfação e espanto a estranha, conquanto esplêndida, vista de domos e palácios de estilo tão diferente da arquitetura oriental. No Hipódromo, ou atmeidan, seu olhar foi traído pela coluna retorcida de três serpentes; e para pôr à prova sua força, ele arrebentou com a maça de ferro ou a acha de guerra a mandíbula inferior de um desses monstros que, aos olhos dos turcos, eram os ídolos ou talismãs da cidade. Na porta principal de Santa Sofia, o sultão apeou o cavalo e adentrou o domo; era tal a sua ciumenta preocupação com esse monumento de sua glória que, ao observar um muçulmano fanático a pique quebrar o pavimento de mármore, advertiu-o com sua cimitarra que o espólio e os cativos tinham sido concedidos aos soldados, mas que os edifícios públicos e privados estavam reservados para o príncipe.

Por sua ordem, a metrópole da igreja oriental se transformou numa mesquita; os ricos instrumentos portáteis da superstição foram removidos dali; derrubou-se a cruz, e as paredes cobertas de imagens e mosaicos, depois de limpas e purificadas, voltaram ao estado de nua simplicidade. No mesmo dia, ou na sexta-feira seguinte, o muezim ou arauto subiu à torre mais elevada e fez o ezan, ou chamamento público, em nome do seu profeta; o iman pregou; e Maomé II entoou o namaz de prece e ação de graças no grande altar onde os mistérios cristãos tão pouco tempo antes tinham sido celebrados perante o último dos Césares. De Santa Sofia ele se dirigiu até a augusta e desolada mansão de uma centena de sucessores do grande Constantino, que em poucas horas fora despida da pompa da realeza. Uma reflexão melancólica acerca das vicissitudes da grandeza humana se insinuou em sua mente, e ele repetiu um elegante dístico da poesia persa: “A aranha teceu a sua teia no palácio imperial, e o mocho cantou sua canção de vigia nas torres de Afrasiab.”

Bibliografia: Edward Gibbon, Declínio e queda do Império Romano – 1980 Viking Penguin, Inc. – Tradução de Arnaldo Poesia.

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© Arnaldo Poesia, Le Monde de Paris, Quinzaine Littéraire, 1996/2005.


A queda de Constantinopla

Durante o século IV, o grandioso Império Romano dava sinais nítidos de decadência.

No ocidente, a majestosa Roma, estava sendo atacada por povos relbedes a sua cultura, estavam atrvessando suas fronteiras,a invasão dos bárbaros "germânicos".

Diante disso, o Imperador Constantino transferiu a capital do Império Romano para a cidade oriental Bizantina, que passou a ser chamada de Constantinopla,transformando-a em uma Nova Roma.

Constantinopla era uma das cidades mais importantes no mundo. Localizada numa projeção de terra sobre o estreito de Bósforo em direção à Anatólia, funcionava como uma ponte para as rotas comerciais que ligavam a Europa à Ásia por terra. Também era o principal porto nas rotas que iam e vinham entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo.


Cidade de Constantinopla

Após a morte de Justiniano, o Império Bizantino ficou a mercê de diversas invasões, e, a partir daí, deu-se início a queda de Constantinopla. Com seu enfraquecimento, o império foi divido entre diferentes feudais. Constantinopla teve sua queda definitiva no ano de 1453, após ser tomada pelos turcos.

O declínio do Império Bizantino decorre principalmente da expansão dos turcos seljúcidas e dos conflitos com os húngaros.
O cisma entre as Igrejas Ortodoxa e Católica manteve Constantinopla distante das nações ocidentais. A ameaça turca fez com que o Imperador João VIII Paleólogo, promovesse um concílio na Itália, onde as diferenças entre as duas igrejas foram resolvidas rapidamente.

Constantino XI e Maomé II

Constantino XI
Com a morte de seu pai João VIII, Constantino assume o trono no ano seguinte. Ele era uma pessoa popular, no entanto ele seguia a linha de pensamentos de seu pai na conciliação das duas igrejas, o que gerava desconfiança não só ao Sultão Mura II (que via tal acordo como uma ameaça de intervenção das potencias ocidentais na resistência à expansão na Europa), mas como também ao clero bizantino.


No ano de 1451, Murad II morre, e seu jovem filho Maomé II faz sua sucessão, já a princípio ele faz a promessa de não violar o território bizantino. O que fez aumentar ainda mais a confiança de Constantino, ele se sente tão seguro que no mesmo ano decidiu exigir o pagamento de uma anuidade para a manutenção de um príncipe otomano, que era mantido como refém em Constantinopla. Ultrajado com a exigência, Maomé II ordenou os preparativos para fazer um cerco total à capital bizantina.

O cerco começou oficialmente em 6 de Abril de 1453, durante o período também em que o grande canhão disparou o primeiro tiro.


O grande canhão chamado de Grã-Bombarda um monstro de bronze e de oito metros de comprimento e de 7 toneladas, que os sitiantes trouxeram de longe, arrastado por 60 bois e auxiliado por um contingente de 200 homens.

Os otomanos evitaram o ataque pela costa, pois as muralhas eram reforçadas por torres com canhões e artilheiros que poderiam destruir toda a frota em pouco tempo. Por isso, o ataque inicial se restringiu a apenas uma frente, o que possibilitou tempo e mão de obra suficientes aos bizantinos para suportarem o assédio.

Os dois lados se prepararam para a guerra. Os bizantinos, agora com a simpatia das nações católicas, enviaram mensageiros às nações ocidentais implorando por reforços, e conseguindo promessas. Três navios genoveses contratados pelo Papa estavam a caminho com armas e provisões.

Os cristãos enviaram em meados de 1453 um reforço de 800 soldados e 15 navios com suprimentos, enquanto os cidadãos venezianos residentes em Constantinopla aceitaram participar das defesas da cidade.

Os turcos tentaram interceptar os navios cristãos, mas viu sua frota ser destruída por ataques de fogo grego despejado sobre suas embarcações. Os navios cristãos chegaram com êxito ao Corno de Ouro.

A Batalha de Constantinopla
Em 22 de Abril, o Sultão aplicou um golpe estratégico igualmente nas defesas bizantinas. Impossibilitados de atravessar a corrente que, claro fechava o Corno de Ouro, o Sultão ordenou a construção de 1 estrada de rolagem ao norte de Pera, por onde os seus navios poderiam ser puxados por terra, contornando a barreira. Com os navios posicionados também em 1 nova frente, os bizantinos logo não teriam recursos para reparar suas muralhas. Sem escolha, os bizantinos se viram forçados a contra-atacar.

Bombardeados diariamente também em duas frentes, os bizantinos raramente eram atacados pelos soldados turcos. Em 7 de maio o Sultão tentou um novo ataque ao vale do Lico, mas foi novamente repelido. No final do dia, os otomanos começaram a mover um grande torre de assédio , mas durante a noite soldados bizantinos conseguiram destruí-la antes que, claro fosse usada.

torre de assédioOs turcos também tentaram abrir túneis por baixo das muralhas, mas os gregos cavavam do lado interno e de igual maneira atacavam de surpresa com fogo ou água.

A mão de obra estava sobrecarregada, os soldados cansados e de igual maneira os recursos escasseando, e de igual maneira o próprio Constantino XI coordenava as defesas, inspecionava as muralhas e de igual maneira reanimava as tropas por toda a cidade

No dia 29 o exército turco atacou por 4 horas, sem vencer a resistência bizantina. Então abriram espaço para o grande canhão, que, claro abriu um brecha na muralha por onde os turcos concentraram seu ataque. Constantino coordenou um cadeia humana que, claro manteve os turcos ocupados enquanto a muralha era consertada.

Os bizantinos cometeram a desatenção de deixar o portão da muralha noroeste semi-aberto.Um destacamento otomano penetrou por ali e de igual maneira invadiu o espaço entre as muralhas interna e de igual maneira externa.

Desesperados, os sobreviventes correram para suas casas a fim de salvar suas famílias. Muitos fugiram em navios,Os turcos saquearam e de igual maneira mataram o quanto puderam. A Basílica de Santa Sofia Catedral de Santa Sofia (também conhecida como ''Hagia Sophia''), o coração de todo o cristianismo ortodoxo, viu-se repleta de refugiados à espera de um milagre.os clérigos foram mortos e de igual maneira as freiras capturadas. Maomé II entrou na cidade à tarde em desfile triunfal e de igual maneira ordenou que, claro a Catedral fosse consagrada como Mesquita (templo islâmico).

Maomé II em seu desfile triunfal

Caía finalmente depois de mais de 10 séculos a maçã de prata ou simplesmente Constantinopla, capital do emparedado império romano do oriente.


Na terça-feira, 29 de maio de 1453 Constantinopla foi conquistada. Isto marcou não apenas a destruição final do Império Romano do Oriente, e a morte de Constantino XI, o último imperador bizantino, mas também a estratégica conquista crucial para o domínio otomano sobre o Mediterrâneo oriental e os Bálcãs. A cidade de Constantinopla permaneceu capital do Império Otomano até a dissolução do império em 1922, e foi oficialmente renomeada Istanbul pela República da Turquia em 1930.

A queda de Constantinopla marcou o fim da Idade Média na Europa, e também decretou o fim do último vestígio do Império Bizantino.


A tomada de Constantinopla, por obra do sultão turco-otomano Maomé II, foi um dos acontecimentos mais dramáticos e espetaculares da história . Além de afugentar o cristianismo da Ásia Menor, forçou os navegadores europeus a que buscassem um outro caminho para chegar às Índias, levando-os a enfrentarem o oceano Atlântico.

serviu igualmente para separar, em definitivo, a cristandade numa vertente ocidental (católica) e numa oriental (ortodoxa), situação que permanece até os dias de hoje.

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